"Campo seguro"

Governo investe R$ 35 milhões em viaturas, equipamentos e tecnologia e dá segurança às áreas rurais do Estado

A gente precisa trabalhar mais e estar mais presente nos 141 municípios.

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Política

O governador Mauro Mendes lançou na terça-feira (05.10) a Patrulha Rural Georreferenciada, que irá atuar em todo o Estado no enfrentamento de crimes nas áreas rurais. O investimento total neste primeiro ano é de R$ 35 milhões para armamento, fardamento, viaturas, drones e GPS.

A iniciativa faz parte do programa Mais MT, que prevê uma série de investimentos para o fortalecimento da Segurança Pública do estado. A atuação da Patrulha Rural se dará nos 15 Comandos Regionais da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT).

Durante a cerimônia de lançamento, o governador Mauro Mendes elogiou o trabalho que a PMMT vem fazendo ao longo dos anos na garantia da segurança da população. Além disso, Mendes frisou que a atuação da patrulha não se dará apenas em grandes propriedades, mas também ao pequeno e médio produtor rural.

“O Patrulhamento Georreferenciado vai produzir não só a sensação de segurança, mas a segurança real e efetiva no campo, nas propriedades, vilas e agrovilas, comunidades e assentamentos onde vivem milhares de mato-grossenses. E agradeço muito o trabalho que a Polícia Militar de Mato Grosso vem fazendo ao longo destes anos em nosso estado”, destacou o governador.

Até o momento, já foram adquiridas 30 viaturas, 45 fuzis e fardamento com uma nova identidade visual, feita especialmente para o policiamento rural. Inicialmente, 121 policiais militares vão compor o efetivo dos 15 comandos regionais em jornadas de 5 a 7 dias.

“É uma data histórica, onde juntamente com o governador Mauro Mendes, a Secretaria de Segurança Pública e nossos 15 comandos regionais lançamos um dos maiores programas de policiamento desenvolvidos pela nossa instituição. Este programa tem por finalidade aproximar o homem do campo da Polícia Militar, reduzindo os índices de criminalidade nas zonas rurais”, pontuou o comandante-geral da PMMT, coronel Jonildo José de Assis.

O modelo adotado para o funcionamento da patrulha foi inspirado pelo estado de Goiás e já funciona em Rondonópolis dando resultados com a diminuição de crimes como roubos e furtos de gados, implementos agrícolas, caminhonetes, entre outros.

“Para a Patrulha Rural funcionar, é necessário investimento em armas, viaturas, tecnologia e cito como exemplo a radiocomunicação. E o governador já determinou o investimento em radiocomunicação digital para 100% do estado. A gente precisa trabalhar mais e estar mais presente nos 141 municípios e o governador sensível a isso já anunciou que haverá concurso público na segurança. O resultado disso é a redução dos índices criminais e a melhoria da segurança no campo”, disse o secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante.

Para que a PM consiga realizar o monitoramento das áreas rurais é realizado o cadastramento das propriedades, onde posteriormente é tirada a posição georreferenciada e fixada uma placa com o número de identificação. O contato feito entre moradores do campo e polícia é por meio de grupos de whatsapp.

Em Rondonópolis, por exemplo, foi criado na sede do 4º Comando Regional, um Centro de Comando e Controle que funciona 24 horas e 7 dias da semana, para o monitoramento dos grupos e informações fornecidas pelos mais de 1.600 proprietários da zona rural que já foram mapeados pela patrulha.

Como representante do setor produtivo, sempre que sentamos junto com o governador, cobramos nossas demandas e a aplicação correta de nossos impostos. Hoje está aqui um exemplo da aplicação correta destes recursos: o lançamento dessa patrulha e o mais importante disso é a aproximação do governo com nossos produtores. Um estado que é essencialmente conhecido pelo agronegócio não poderia ficar descoberto”, disse o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso.

Estiveram presentes no lançamento o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi; deputados estaduais Eduardo Botelho, Carlos Avalone, Valmir Moretto, Elizeu Nascimento e João Batista; o general da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, Carvalho Lima; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Alessandro Borges e os secretários da Casa Civil, Mauro Carvalho; da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Alberto Machado e do Gabinete de Governo, tenente-coronel PM Jordan Espíndola.

Foto: Christiano Antonucci/Secom

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Retrospectiva: Câmara aprovou propostas de combate à violência contra a mulher

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A Câmara dos Deputados aprovou, no primeiro semestre deste ano, um conjunto de propostas que reforçam o combate à violência contra a mulher, com medidas voltadas à prevenção, ao atendimento das vítimas e à punição de agressores.

Entre os principais destaques estão a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres e de um protocolo unificado de atendimento às vítimas de estupro.

Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.

Sistema nacional de enfrentamento
Por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) 41/26, a Câmara dos Deputados aprovou a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta está em análise no Senado.

De autoria da deputada Jack Rocha (PT-ES) e outros, o texto foi relatado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e prevê colaboração integrada entre o Ministério das Mulheres e os entes federativos.

O texto também permite que estados participantes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) direcionem parte dos recursos vinculados a investimentos para ações do sistema.

O novo sistema de enfrentamento da violência contra meninas e mulheres terá como diretrizes ampliar a capacidade de prevenir e enfrentar o problema com ações intersetoriais, respeitada a autonomia dos entes federativos.

Gil Ferreira/Agência CNJ

Delegacias deverão registrar a ocorrência e encaminhar vítima a unidade de saúde

 Atendimento a vítimas de estupro
Com a aprovação do Projeto de Lei 2525/24, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), a Câmara defendeu a criação de um protocolo unificado de atendimento em unidades de saúde e delegacias para casos de estupro e violência contra mulher, criança, adolescente e pessoas em situação de vulnerabilidade.

A proposta está em análise no Senado.

Relatado pela deputada Soraya Santos (PL-RJ), o texto define procedimentos para preservar provas, garantir o encaminhamento da vítima entre os serviços de saúde e segurança pública e evitar a revitimização durante o atendimento.

Programa “Antes que aconteça”
A Câmara aprovou também proposta que cria o programa “Antes que aconteça” para prevenir casos de violência contra a mulher e dar mais efetividade às medidas protetivas.

Convertido na Lei 15.398/26, o Projeto de Lei 6674/25, do Senado, foi relatado pela deputada Amanda Gentil (PP-MA) e prevê:

  • campanhas educativas;
  • capacitação de profissionais das áreas de saúde, segurança, educação, Justiça e assistência social;
  • monitoramento eletrônico de agressores;
  • atendimento itinerante em regiões de difícil acesso; e
  • programas de reeducação de autores de violência.

Akira Onume/Governo do Pará

Delegado poderá instalar tornozeleira em agressor de mulher em cidades sem juiz

Tornozeleira obrigatória
Outra medida aprovada pelos deputados e transformada em lei determina que o juiz poderá exigir o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores quando houver risco à mulher em situação de violência doméstica.

A regra consta do Projeto de Lei 2942/24, dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), convertido na Lei 15.383/26.

Segundo o texto, relatado pela deputada Delegada Ione (PL-MG), a medida também poderá ser aplicada pelo delegado em cidades que não têm juiz no local. Nesses casos, a decisão precisará ser confirmada pelo magistrado.

A norma também amplia a punição para quem descumprir medidas protetivas relacionadas ao monitoramento eletrônico e garante à vítima dispositivo de alerta sobre eventual aproximação do agressor.

Homicídio vicário
O homicídio vicário ocorre quando uma pessoa é assassinada para causar sofrimento psicológico à mulher, geralmente filhos ou outros familiares, no contexto da violência doméstica e familiar.

Esse crime foi incluído no Código Penal, com pena de reclusão de 20 a 40 anos, graças a uma proposta aprovada pela Câmara.

De autoria das deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), Fernanda Melchionna e Maria do Rosário (PT-RS), o Projeto de Lei 3880/24 foi relatado pela deputada Silvye Alves (União-GO) e convertido na Lei 15.384/26.

O crime será considerado homicídio vicário quando for cometido contra descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher.

A pena será aumentada de 1/3 se o crime for cometido:

  • na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento;
  • contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência; ou
  • em descumprimento de medida protetiva de urgência.

Além do aumento das penas, esse crime passa a ser considerado hediondo.

Depositphotos

Lei aumentou penas para lesão corporal praticadas contra mulher por razões do sexo feminino

Lesão corporal
Com a aprovação do Projeto de Lei 3662/25, a Câmara dos Deputados apoiou o aumento das penas de lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de morte praticadas contra a mulher por razões do sexo feminino (quando envolve violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição de mulher).

A proposta está em análise no Senado.

De autoria da deputada licenciada Nely Aquino (MG), o texto, relatado pela deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), considera alguns casos de lesões por essas razões como crime hediondo.

Assistência jurídica
Outro destaque do primeiro semestre foi a aprovação do Projeto de Lei 6415/25, que cria a Política Nacional de Assistência Jurídica às Vítimas de Violência.

A proposta foi enviada ao Senado.

De autoria da deputada Soraya Santos, o texto, relatado pela deputada Greyce Elias (PL-MG), prevê que essa assistência engloba todos os atos processuais e extrajudiciais necessários à efetiva proteção da vítima, inclusive o seu encaminhamento a atendimento psicossocial, de saúde e de assistência social.

A assistência poderá ser prestada, de forma gratuita, solidária, cooperativa ou suplementar, por vários órgãos, como:

  • defensorias públicas;
  • ministérios públicos;
  • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
  • entidades e programas de assistência jurídica conveniados com os entes federativos; e
  • núcleos de prática jurídica, escritórios-escola, clínicas de direitos humanos e programas equivalentes de cursos de Direito de instituições de ensino superior, públicas ou privadas, desde que atuem sob supervisão de profissional habilitado na OAB.

Depositphotos

Preso em regime aberto que continuar ameaçando a vítima pode ir para o RDD

Regime diferenciado
Outro projeto aprovado pela Câmara dos Deputados para combater a violência contra a mulher prevê a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ao preso que ameace ou volte a praticar violência contra a vítima ou seus familiares.

No RDD, o preso cumpre a pena em regime fechado, em cela individual, com restrições de visitas e de saídas para banho de sol. As entrevistas são monitoradas e a correspondência, fiscalizada.

O Projeto de Lei 2083/22, do Senado, foi aprovado pela Câmara com parecer favorável da deputada Laura Carneiro e transformado na Lei 15.410/26.

Spray de pimenta
Por fim, aguarda sanção presidencial o Projeto de Lei 727/26, que regulamenta a venda e o uso de spray de pimenta para autodefesa por mulheres.

O texto estabelece regras para comercialização, utilização e penalidades em caso de uso indevido.

De autoria da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o projeto foi relatado pela deputada Gisela Simona (União-MT) e exige que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A intenção é evitar agressões físicas e/ou sexuais contra as mulheres.

Os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia já aprovaram leis permitindo o acesso das mulheres ao spray, normalmente restrito às forças de segurança.

O spray será de uso individual e intransferível, e não poderá conter substâncias de efeito letal ou de toxicidade permanente.

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Natalia Doederlein



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