Mato Grosso
Vereador preso em operação dava orientações a traficantes para não serem pegos
Mato Grosso
Da Redação
O ex-presidente da Câmara Municipal de Vereadores, vereador Jânio Calistro (PSD), preso na manhã desta quinta-feira (19) após a “Operação Cleanup” que prendeu pessoas ligadas ao tráfico de drogas em Várzea Grande, foi apontado como integrante da organização criminosos que possui em seus quadros integrantes de uma facção criminosa.
Segundo o delegado da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), Victor Hugo Teixeira, o vereador era atuante dentro da organização criminosa. Calistro, que é ex-policial civil, dava orientações ao grupo de como a organização deveria agir para que não fosse pega pela polícia, além disso, ele dava orientações quanto a venda e compra de entorpecentes.
Teixeira, contudo, garantiu que o parlamentar não era uma liderança da organização, mas sim um “colaborador”. Ele ainda negou que o vereador seja um “filiado” ao Comando Vermelho. “Em 71 dias de investigação, foram colhidos depoimentos e provas por ações operacionais e de inteligência. Nesse período fizemos ações com prisões em flagrantes de celulares, cadernos com anotações, além de mensagens e ligações que comprovam a associação”, disse.
O vereador afirmou no momento que chegava na sede da DRE que ele não possui nenhum envolvimento com o tráfico de drogas e que sua prisão seria perseguição política.
A advogada do vereador, Marcelli Ramires relatou que possui apenas algumas conversas entre o vereador com pessoas presas na operação, ainda de acordo com a advogada, pelo fato de Calistro ser vereador é comum conversas com todos os tipos de pessoas, porém ele não sabia de quem se tratavam.
“Ele atende muitas pessoas, todos os dias. Não tem como saber que são traficantes, criminosos. Vamos provar que ele não tem ligação com esse grupo”, falou.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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