Agricultura
Conab reduz safra, aponta avanço do etanol e mercado prevê mais açúcar
Agricultura
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu para 705,2 milhões de toneladas a estimativa da safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27. O volume é 3,9 milhões de toneladas inferior ao previsto em abril, mas ainda representa crescimento de 4,7% em relação ao ciclo passado.
O segundo levantamento, divulgado nesta quinta-feira (20.08), também reforçou a expectativa de maior direcionamento da matéria-prima ao etanol. A produção brasileira de açúcar foi estimada em 42,89 milhões de toneladas, enquanto a fabricação total de etanol deverá alcançar o recorde de 41,88 bilhões de litros.
Os novos números mostram uma mudança em relação à primeira estimativa. Em abril, a Conab previa uma colheita de 709,1 milhões de toneladas de cana e uma produção de 43,95 milhões de toneladas de açúcar. A projeção para o adoçante, portanto, foi reduzida em 1,06 milhão de toneladas.
A área destinada à colheita deverá alcançar 9,1 milhões de hectares, expansão de 1,1%. A produtividade média foi calculada em 77,9 toneladas por hectare, aumento de 3,6% sobre a temporada anterior. Segundo a Conab, as condições climáticas registradas desde o início do ciclo favoreceram o desenvolvimento dos canaviais.
A produção de açúcar deverá cair 2,9% em relação à safra passada. Para a Conab, o mercado mais favorável ao etanol deverá levar as usinas a destinar uma parcela maior da cana à fabricação do biocombustível.
Essa avaliação difere das projeções apresentadas pela Hedgepoint Global Markets. A consultoria calcula que as usinas do Centro-Sul poderão elevar para 47,7% a parcela da cana destinada ao açúcar ainda na safra 2026/27, acima dos 47,3% previstos anteriormente. O chamado mix açucareiro indica quanto da matéria-prima processada é direcionado ao adoçante, em vez do etanol.
A diferença não significa necessariamente que uma das estimativas esteja errada. A Conab calcula a produção de todo o Brasil, enquanto a Hedgepoint analisa principalmente o Centro-Sul e trabalha com cenários de mercado sujeitos a mudanças de preços, clima e decisões das usinas ao longo da moagem.
Para a safra 2027/28, a Hedgepoint estima que o Centro-Sul poderá processar 655 milhões de toneladas de cana, incluindo 5 milhões de toneladas que poderão permanecer nos campos ao fim do ciclo atual. Com um mix de 50% para o açúcar, a região produziria aproximadamente 43 milhões de toneladas do produto.
A consultoria avalia que o aumento da oferta brasileira será suficiente para compensar perdas em importantes países produtores. A previsão considera quedas de 20% na Tailândia, 15% no México e na Europa, 10% em Guatemala e El Salvador, 3% na Índia e 2% nos Estados Unidos.
Mesmo diante dessas reduções, a Hedgepoint projeta um superávit mundial de açúcar de 3 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. A estimativa contraria parte das consultorias privadas, que passou a prever déficit devido aos possíveis efeitos do El Niño sobre Índia, Tailândia, México e América Central.
Em um cenário mais desfavorável, com o mix açucareiro do Centro-Sul limitado a 47,1%, a oferta brasileira seria reduzida em cerca de 500 mil toneladas. Se a Índia também importar 1 milhão de toneladas, o excedente mundial cairia pela metade, mas ainda alcançaria 1,5 milhão de toneladas.
No mercado de etanol, a Conab elevou a previsão total em 1,19 bilhão de litros frente ao levantamento de abril. A produção a partir da cana deverá alcançar 29,98 bilhões de litros, alta de 9,7%. Desse volume, 19,6 bilhões serão de etanol hidratado, vendido diretamente nos postos, e 10,38 bilhões de litros de anidro, misturado à gasolina.
O etanol de milho deverá atingir o recorde de 11,91 bilhões de litros, crescimento de 17%. O Centro-Oeste continua como principal região produtora, enquanto o Nordeste amplia sua participação com a instalação de novas unidades.
O Sudeste deverá colher 451,4 milhões de toneladas de cana, aumento de 5%, seguido pelo Centro-Oeste, com 157 milhões de toneladas e avanço de 4,6%. A produção foi estimada em 55,5 milhões de toneladas no Nordeste, 37,3 milhões no Sul e 4,1 milhões no Norte.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Estado se aproxima de 1 milhão de toneladas e 1/4 do algodão brasileiro
A Bahia caminha para a maior safra de algodão de sua história, com produção estimada em 986,4 mil toneladas de pluma no ciclo 2025/26, crescimento de 17% sobre a temporada anterior. O volume representa quase 24% da safra brasileira prevista pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e mantém o estado na segunda posição nacional, atrás de Mato Grosso.
O destaque está no rendimento das lavouras. Em aproximadamente 418 mil hectares, a produtividade estimada chega a 2.360 quilos de pluma por hectare, cerca de 14% acima da média brasileira calculada com os dados da Abrapa. São aproximadamente 284 quilos adicionais por hectare, uma diferença que ajuda a distribuir os custos de produção por um volume maior de fibra.
Para o Brasil, a associação apresentou em setembro uma estimativa de 4,144 milhões de toneladas, cultivadas em 1,996 milhão de hectares. Mato Grosso lidera com produção projetada em 2,74 milhões de toneladas. Juntos, os dois estados concentram aproximadamente 90% do algodão nacional.
O resultado baiano aumenta a oferta em um momento de maior atenção à comercialização. Os preços da pluma continuavam em queda no início de outubro, depois do recuo registrado em setembro, conforme acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Para o produtor, a produtividade maior ajuda na conta, mas o ganho final depende também do preço recebido, dos custos e da qualidade da fibra.
A retirada do algodão da lavoura é apenas uma etapa desse processo. Segundo relatório da Abrapa divulgado em 9 de outubro, a colheita brasileira havia atingido 99% até 25 de setembro, enquanto o beneficiamento estava em 49%. É nessa operação que a fibra é separada do caroço e preparada para venda. Os volumes estaduais ainda estavam sujeitos à consolidação.
O mercado externo será importante para absorver a produção. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Brasil exportou 3,37 milhões de toneladas de algodão, recorde e avanço de 19% sobre o ano comercial anterior. Esse calendário é diferente do ciclo agrícola e inclui a comercialização de algodão colhido anteriormente.
Dentro do país, a indústria enfrenta dificuldades para ampliar o consumo da fibra. Dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) à Câmara Setorial do Algodão, em setembro, apontaram queda de 1,9% na produção têxtil acumulada em 12 meses. A fabricação de vestuário recuou 4,2%, enquanto as importações de roupas cresceram 50,3% entre janeiro e agosto de 2026.
Para a Bahia, ampliar o escoamento pelo Porto de Salvador é uma das alternativas discutidas pelo setor. A rota pode reduzir a concentração dos embarques em Santos, mas sua vantagem depende do custo do frete, da disponibilidade de contêineres e da regularidade das linhas marítimas.
A qualidade também pesa na negociação. Compradores avaliam características como comprimento, resistência e uniformidade da fibra, que interferem na fabricação dos fios. Uma colheita volumosa precisa chegar ao beneficiamento e à armazenagem em boas condições para preservar seu valor comercial.
O avanço das lavouras baianas fortalece a participação do estado no mercado nacional. Com a safra próxima de 1 milhão de toneladas, o desafio agora é transformar o rendimento obtido no campo em vendas que remunerem o produtor e sustentem o próximo plantio.
Fonte: Pensar Agro
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