Mato Grosso
Definido os nomes para discutir a proposta da política da pesca
Mato Grosso
Da Assessoria
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), definiu na quarta-feira (4), durante sessão ordinária, os nomes dos parlamentares que vão compor a Comissão Especial para discutir o Projeto de Lei nº 668/2019, que trata da Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável da Pesca, e regula as atividades pesqueiras nos rios de Mato Grosso, mais conhecido como “Cota Zero”.
De acordo com Botelho, inicialmente seriam indicados cinco nomes para a comissão, mas foram confirmados sete parlamentares. A comissão deve formalizar um calendário para debater o projeto de lei com todos os segmentos envolvidos com a atividade pesqueira em Mato Grosso. “A comissão deve visitar os estados de Goiás e Mato Grosso de Sul e, depois disso apresentar um projeto alternativo ao que foi apresentado pelo governo”, afirmou Botelho.
Os nomes confirmados pela Mesa Diretora para a Comissão Especial são: Wilson Santos (PSDB), Ondanir Bortolini – Nininho (PSD), Janaína Riva (MDB), Dr. Eugênio (PSB), Dilmar Dal Bosco (DEM), Elizeu Nascimento (DC) e Paulo Araújo (PP).
O deputado Wilson Santos afirmou que os membros da comissão vão visitar os municípios de Campo Grande, Corumbá e Miranda, todos no estado de Mato Grosso do Sul, nos dias 16 e 17 de setembro. “Lá vamos conversar com pescadores, autoridades políticas, com empresários e cientistas ligados à atividade pesqueira”, disse Santos.
O parlamentar disse que a visita a Mato Grosso do Sul é porque nesse estado já existe uma lei similar em vigor. Segundo Santos, a “Cota Zero” foi implantada em fevereiro de 2019. “A lei já está no oitavo mês. Nessas cidades, a comissão vai saber como está se comportando a econômica local”, observou Santos.
Santos acredita que no final das discussões será construído um projeto de lei que esteja em consenso com todos os envolvidos com a atividade pesqueira. “O projeto do governo é muito radical em alguns pontos. A comissão tem a chance de arredondar o projeto, e em dezembro apresentar uma proposta consensual”, explicou o parlamentar.
Questionado se a matéria original do governo será aprovada na comissão ou no Plenário das Deliberações, Santos afirmou que “o presidente Botelho não vota o projeto como está. A proposta do governo autoriza o pescador a retirar do rio 150 quilos de pescado por semana e, mas ele não pode transportar o peixe. Tem que comer o pescado no barranco do rio. Isso é um absurdo, que precisa ser corrigido”, respondeu Santos.
Foto: Ronaldo Mazza
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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