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A queda do Águia Uno: Mato Grosso perde três heróis

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Jean Borsatti / Especial para O Mato Grosso

O dia 4 de abril de 2005 ficou marcado na história da aviação mato-grossense, naquela segunda-feira tudo corria como planejado no Grupamento Aéreo de Mato Grosso (Graer), precursor do atual Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Quatro oficiais estavam de plantão naquela noite, o Tenente Rodrigo Ribeiro, o Sargento Joel Machado, o Soldado Benedito de Jesus e o Capitão Henrique Correa da Silva Santos. Junto do fiel escudeiro, Águia Uno, os heróis dos ares estavam preparados para atender qualquer ocorrência que precisasse de auxilio aéreo.

O Águia Uno estava devidamente estacionado no hangar do grupamento, estava pronto para tomar os ares mato-grossenses caso fosse necessário. Fabricado em 1997, o helicóptero modelo HB-350 havia sido entregue para a Polícia Militar no ano de 1998, tinha apenas 2100 horas de voo, já havia sido usado em diversos salvamentos e ocorrências policiais, era um verdadeiro herói.

Por volta das 19h daquele dia uma ocorrência foi radiada, um grave acidente havia acontecido na Serra de São Vicente, à 70 km de Cuiabá, prontamente os heróis dos ares se prepararam para fazer mais um regate.

Às 19h 10m o Águia Uno decolou juntamente com os quatro heróis em direção ao acidente onde o Águia Uno havia sido solicitado devido a gravidade dos ferimentos dos envolvidos. Quem estava no comando era o Capitão Henrique, um piloto muito experiente, tinha mais de 700 horas de voo, não atoa, estava no setor de aeropoliciamento do estado.

Pouco tempo depois da decolagem o helicóptero perdeu o contato com o centro de operações, imediatamente foi encaminhado uma outra aeronave para fazer o resgate dos feridos na Serra de São Vicente.

Neste momento ninguém sabia o que tinha acontecido com o helicóptero, equipes foram enviadas também para fazer buscas para encontrar e ter informações sobre o que tinha causado o sumiço repentino.

No momento em que a aeronave decolou, o piloto, o copiloto e os dois tripulantes estavam decididos a salvar a vida daqueles que minutos antes haviam se envolvido em um grave acidente na BR-364.

A resposta só veio por volta das 7h, da terça-feira (5), quando um morador de uma área rural informou a polícia que um helicóptero teria caído em sua propriedade, rapidamente as equipes de resgate se dirigiram ao local, em uma fazenda conhecida como Porteira Velha, no entroncamento  que dá acesso a cidade de Barão do Melgaço (112 km de Cuiabá).

Ao chegar foi constatado que aqueles que haviam saído para salvar vidas de vítimas de acidentes, agora, eram as vítimas, o piloto da aeronave, Capitão Henrique, estava inconsciente e foi resgatado e encaminhado para o hospital imediatamente, já o Tenente Rodrigo Ribeiro, o Sargento Joel Machado, o Soldado Benedito de Jesus não resistiram aos ferimentos e morreram no local, este era o fim daqueles heróis que se dedicavam diariamente para salvar vidas.

De acordo com o laudo divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) vários foram os aspectos que contribuíram para o trágico acidente. De acordo com o relatório, uma intensa neblina úmida encobria os céus naquela noite, o piloto havia checado as condições climáticas através do METAR (Meteorological Aerodrome Report – Informe meteorológico regular de aeródromo) do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, a última medição havia sido feita por volta da 8h, horário em que a neblina não existia.

Outro fator que contribuiu para o acidente, segundo o relatório, foi o fato de os profissionais estarem a pelo menos 11 horas de sobreaviso, o que causaria fadiga e com isso poderia prejudicar o bom andamento da missão.

O piloto, Capitão Henrique Correa da Silva Santos, na época com 27 anos de idade, foi o único sobrevivente da tragédia, o copiloto e os outros dois tripulantes que morreram no acidente foram enterrados com honrarias militares e até hoje são considerados heróis mato-grossenses, já que morreram para tentar salvar a vida de outros seres humanos.

Uma placa com os dizeres “As nossas ações diárias dão continuidade aos seus ideais” está na parede da sede do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer-MT) para que os três heróis mortos na maior tragédia da aviação do Estado jamais sejam esquecidos, assim como o Águia Uno, que até hoje, jamais foi substituído, pois seu nome ficará marcado na história como o primeiro helicóptero do aeropoliciamento mato-grossense.

(Foto: Ciopaer-MT)

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TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.

A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.

O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.

“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.

A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.

“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.

Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.

O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.

Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.



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