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Polícia cumpre mandados de busca e apreensão no Cruzeiro e na casa de dirigentes

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Operação policial investiga membros da diretoria do clube acusados de falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro

 

Da Redação

 

 

Dois dias antes de o Cruzeiro enfrentar o Atlético-MG no clássico válido pelo confronto de ida das quartas de final da Copa do Brasil, no Mineirão, a sede do clube no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte, foi palco de uma operação policial na manhã desta terça-feira. A Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu no local mandados de busca e apreensão, o que também ocorreu nos centros de treinamento dos profissionais e das categorias de base do clube, a Toca da Raposa e Toquinha, e ainda nas residências do presidente Wagner Pires de Sá, de Itair Machado, vice-presidente de futebol, e Sérgio Nonato, diretor geral do Cruzeiro.

O cumprimento destes mandados é um novo passo da operação policial que investiga membros da diretoria do clube, acusado de falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Esta operação foi denominada Primeiro Tempo e é realizada pela Divisão Especializada de Investigação a Fraudes da Polícia Civil de MG, que prometeu emitir um comunicado nesta terça-feira para esclarecer as diligências.

A investigação começou após uma reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, no final de maio, revelar denúncias de irregularidades na atual administração do Cruzeiro. Entre as denúncias estão a venda no ano passado de parte dos direitos econômicos de Estevão William, chamado de “Messinho”, então com 11 anos, para pagar uma dívida de R$ 2 milhões com o empresário Cristiano Richard. A Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem menores de 12 anos de possuírem contratos empregatícios.

Para quitar o débito com Cristiano Richard, o Cruzeiro, segundo apurou um inquérito da Polícia Civil, incluiu parte dos direitos de jogadores do profissional, como Raniel e Murilo, ambos já vendidos pelo clube, além de Cacá, David e de outros atletas que passaram pela base cruzeirense e acabaram sendo negociados, como por exemplo Gabriel Brazão e Vitinho.

A reportagem veiculada pela TV Globo em maio também apontou irregularidades em transações e valores superfaturados pagos pelo Cruzeiro para empresas prestadoras de serviço. A Polícia Civil já interrogou 15 pessoas que mantinham relações com o clube, entre as quais funcionários, ex-empregados, dirigentes e agentes esportivos.

Para completar, a Polícia Civil investiga os aumentos expressivos dos valores nos salários de dirigentes, como Itair Machado e Sérgio Nonato, a contratação de conselheiros para prestação de serviços e pagamentos feitos às torcidas organizadas.

Em meio a este escândalo, o Cruzeiro viu a sua dívida geral subir de R$ 384 milhões em 2017 para R$ 520 milhões em 2018 e ainda não teve o seu balanço financeiro do ano passado aprovado pelo Conselho Fiscal do clube.

CRUZEIRO DIZ APOIAR INVESTIGAÇÃO

Após a deflagração dos mandados de busca e apreensão realizados na manhã desta terça-feira, a diretoria do Cruzeiro divulgou uma nota oficial na qual disse vir a público para “manifestar seu apoio às apurações das denúncias feitas pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no dia 26 de maio passado”.

“O clube informa que entregou às autoridades toda a documentação solicitada para a investigação. Lamentamos apenas que este fato esteja acontecendo exatamente às vésperas de uma decisão importante na Copa do Brasil. O Cruzeiro Esporte Clube informa que continuará à disposição das autoridades competentes para quaisquer tipos de outros esclarecimentos necessários”, completa a nota.

Atual bicampeão da Copa do Brasil, com os títulos obtidos em 2017 e 2018, o Cruzeiro enfrenta o arquirrival Atlético-MG às 20 horas desta quinta-feira, no Mineirão, no duelo de ida das quartas de final desta edição da competição. O confronto de volta do mata-mata será no próximo dia 17, no estádio Independência, em Belo Horizonte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo /  https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,policia-cumpre-mandados-de-busca-e-apreensao-no-cruzeiro-e-na-casa-de-dirigentes,70002913658

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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