Esporte
Adriano salva Brasil contra a Argentina: 15 anos do título com gol nos acréscimos
Esporte
Atacante, então na Inter de Milão, empatou jogo aos 48 minutos do 2º tempo e seleção foi campeã da Copa América de 2004 nos pênaltis
Da Redação
Às vésperas de mais um superclássico entre Brasil e Argentina, este em um jogo oficial – a semifinal da Copa América, disputada em solo nacional -, a seleção tentará relembrar um grande momento vivido na história da competição antes de ir ao Mineirão, que receberá o embate nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília) por vaga na decisão.
Há 15 anos, a seleção brasileira era campeã sobre a rival da próxima partida na bacia das almas, triunfando nos pênaltis após estar perdendo o jogo até os 48 minutos do segundo tempo. O gol de Adriano Imperador, que vivia a melhor fase da carreira atuando no futebol italiano, foi quem fez o gol salvador que manteve o time canarinho vivo na decisão do torneio, ocorrida no Peru em 2004.
O Brasil, comandado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, levou à competição um ‘time B’: os principais nomes da época, como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, pediram dispensa do torneio e o destaque do elenco era o centroavante da Inter de Milão, que fazia dupla de ataque com Luís Fabiano. Ricardo Oliveira, hoje no Atlético-MG, era reserva.
No meio-campo, Alex, ex-Fenerbahce, Cruzeiro, Palmeiras e Coritiba, era o principal armador de jogadas, atuando junto a Edu Gaspar, então volante, Kleberson e Renato, que formavam o trio à frente da zaga. Gustavo Nery era o lateral-esquerdo titular, lado oposto ao de Maicon, com Juan e Luisão como zagueiros, e Julio Cesarno gol. Diego, hoje no Flamengo, e Julio Baptista, recém aposentado, estavam no banco de reservas – o primeiro entrou em campo, substituindo Kleberson.
Na decisão daquele torneio, em 25 de julho de 2004, a seleção enfrentou nomes estelares argentinos da época, como Juan Pablo Sorín, Kily González, Javier Zanetti, Javier Mascherano e Carlos Tevez, dentre outros. Andrés D’Alessandro, ídolo do Internacional, Lucho González, meia do Athletico-PR, e Javier Saviola, destaque no Barcelona, eram outros atletas daquele grupo. Marcelo Bielsa era o técnico.
Com a bola rolando, a Argentina saiu na frente do Brasil com Kily González, que marcou de pênalti aos 20 minutos. Luisão empatou aos 45 minutos, e Cesar Delgado marcou aos 42 do segundo tempo o gol da que seria a vitória por 2 a 1. Seria, mas Adriano Imperador apareceu e salvou a seleção com o gol aos 48 minutos, levando a partida para as cobranças alternadas de pênaltis.
Com a moral em alta, brilharam as estrelas de Julio Cesar e Juan. O primeiro viu D’Alessandro e Heinze errarem logo as duas primeiras cobranças da Argentina. O segundo converteu a sua cobrança e deu o título ao Brasil por 4 a 2, com o apito final do árbitro paraguaio Carlos Amarilla selando mais uma vitória do time nacional.
FICHA TÉCNICA
ARGENTINA 2 (2) x (4) 2 BRASIL
ARGENTINA: Abbondanzieri; Collocini, Ayala, Heinze; Javier Zanetti, Mascherano, Lucho Gonzalez (D’Alessandro aos 30 minutos do 2º tempo), Sorín e Kily Gonzalez; Tevez (Quiroga aos 45 do 2º tempo) e Rosales (Delgado aos 21 do 2º tempo). Técnico: Marcelo Bielsa.
BRASIL: Julio Cesar; Maicon, Luisão (Cris aos 37 do 2º tempo), Juan, Gustavo Nery; Kleberson (Diego aos 10 do 2º tempo), Renato, Edu; Alex (Felipe aos 18 do 2º tempo); Adriano e Luís Fabiano. Técnico: Carlos Alberto Parreira
GOLS: Kily Gonzalez aos 20 minutos do 1º tempo e Delgado aos 43 do 2º tempo; Luisão aos 45 do 1º tempo e Adriano aos 48 do 2º tempo regulamentar; Kily González e Sorín para a Argentina, Adriano, Edu, Diego e Juan para o Brasil nos pênaltis
CARTÕES AMARELOS: Mascherano, Sorín, Julio Cesar, Luisão e Edu
ÁRBITRO: Carlos Amarilla (Fifa-PAR)
LOCAL: Estádio Nacional, em Lima (Peru)
DATA: 25 de julho de 2004
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,adriano-salva-brasil-contra-a-argentina-15-anos-do-titulo-com-gol-nos-acrescimos,70002897071
Foto: Eduardo Nicolau/AE
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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