Esporte
Autópsia confirma que parada cardíaca causou a morte do capitão da Fiorentina
Esporte
Davide Astori, de 31 anos, foi encontrado em quarto de hotel em Údine, onde o time enfrentaria a Udinese
Da Redação
Uma autópsia realizada nesta terça-feira confirmou que o capitão da Fiorentina, Davide Astori, morreu após sofrer uma parada cardíaca no último domingo. Ele foi vítima deste problema súbito dentro de um hotel de Údine, onde o time estava concentrado para enfrentar a Udinese naquele mesmo dia pelo Campeonato Italiano. O morte trágica provocou o adiamento de toda a rodada de domingo da competição nacional.
Os legistas que realizaram a autópsia no atleta, que tinha apenas 31 anos de idade, descobriram que a morte foi causada por “uma parada cardíaca sem explicação macroscópica, seguramente como consequência de uma bradiarritmia”, informou a Fiorentina, por meio de nota publicada em seu site oficial.
“O exame confirmou que foi uma morte súbita e inesperada sem nenhuma motivação particular. Os batimentos cardíacos diminuíram lentamente até pararem. Um exame histológico adicional será realizado dentro dos próximos 60 dias. Mas agora o corpo pode ser devolvido à família”, completou o comunicado do clube de Florença, onde o defensor se tornou um ídolo depois de ter sido revelado pelo Milan, traçado passagem marcante com a camisa do Cagliari e ainda atuado pela Roma em uma temporada.
Após confirmar anteriormente que uma investigação criminal foi aberta por causa do ocorrido com o jogador, Antonio De Nicolo, promotor da cidade de Údine, também informou nesta terça-feira que o diagnóstico definitivo do quadro que provocou a morte de Astori só será conhecido dentro de dois meses.
Até este prazo, Nicolo frisou que não será possível “dizer com exatidão que não existia nenhuma outra causa detectável ou outro elemento de qualquer tipo” que possa ter causado o falecimento do atleta. No último domingo, o promotor já havia dito que a suspeita era de que o atleta morreu possivelmente “por parada cardiocirculatória por causas naturais”, o que a autópsia deu indícios de que realmente ocorreu.
O atleta, que defendeu também a seleção italiana em 14 partidas, entre 2011 e 2017, esteve presente na Copa das Confederações realizada no Brasil em 2013. Após a autópsia, o corpo de Astori será levado nesta quarta-feira para Florença, onde ele morava, e haverá velório no centro de treinamento nacional da seleção italiana, nos arredores da cidade, onde amigos e fãs poderão comparecer. O funeral está marcado para a quinta-feira na Basílica di Santa Croce, também em Florença.
Após lamentar a morte do zagueiro no domingo, a Uefa anunciou na última segunda-feira que todas as partidas desta semana da Liga dos Campeões e da Liga Europa serão realizadas após um minuto de silêncio em homenagem ao jogador.
Fonte: Estadão Conteúdo
Foto: Claudio Giovannini/AFP Photo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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