Mato Grosso
PEC 06 é aprovada em primeira votação
Mato Grosso
A matéria dispõe sobre a previdência dos servidores públicos e sofrerá modificações antes de ser analisada pela segunda vez
Da Redação
Os deputados estaduais de Mato Grosso, reunidos em sessão ordinária nesta quarta-feira (5), aprovaram em primeira votação a PEC 06/2021, de autoria de lideranças partidárias, que acrescenta e altera dispositivos da Constituição Estadual. A PEC 06/21 foi aprovada com 20 votos favoráveis e quatro ausências, e trata da questão previdenciária de servidores públicos.
O artigo 1º acrescenta o artigo 140-G à Constituição do Estado com a seguinte redação: “por motivo de segurança jurídica e de excepcional interesse financeiro e social, os servidores públicos da administração direta, ligados ao Poder Executivo, Legislativo ou Judiciário, e indireta, autárquica ou das fundações públicas, do Estado de Mato Grosso, salvo os exclusivamente comissionados, em exercício na data da promulgação desta Emenda à Constituição há pelo menos vinte anos continuados, que recolheram contribuição previdenciária durante este período para o regime próprio de previdência social e que tenham sido admitidos sem concurso público de provas e títulos, bem como os que nas mesmas condições estiverem aposentados ou terem preenchidos os requisitos para obtenção da aposentadoria terão direito de se aposentar ou de se manter aposentados no regime próprio de previdência social estadual, mantidos os respectivos deveres de contribuição”.
O parágrafo único diz que as contribuições, os proventos de aposentadoria e as pensões serão atualizados na forma da lei.
Para a segunda votação da PEC, que deve ocorrer na próxima semana, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), disse que serão feitas alterações na proposta para inserir os servidores da Empaer e tratar dos servidores comissionados. Em justificativa, as lideranças partidárias argumentam que “o projeto ora proposto visa dar solução a um problema de magnitude social, fazendo justiça aos servidores que ingressaram na administração pública estadual sem concurso público e que continuam exercendo suas funções de forma satisfatória e continuada ao longo dos anos”.
Diz ainda que “não se pode desconsiderar ou relegar a importância desses profissionais, das mais diversas categorias que laboram na administração pública de forma legal e legítima sem qualquer garantia de estabilidade no serviço público e, que no entanto, contribuíram para o Regime Próprio de Previdência Social do Estado”.
As lideranças citam que “o presente projeto produzirá efeitos positivos, tanto de ordem social como de ordem administrativa, na medida em que regulariza situação concreta já constituída, para o bem da segurança jurídica e da proteção da confiança do administrado, de forma equânime e proporcional. No que diz respeito ao impacto financeiro da proposta, impositivo ponderar que o contingente de servidores agraciados é diminuto, pois se reduzem com o decurso de tempo”.
Os deputados estaduais votaram, na Ordem do Dia, duas dispensas de pauta, uma da mensagem 45/2021, do governo do estado, e outra de novo prazo de 180 dias para a CPI da Previdência. Ainda na Ordem do Dia, foram aprovados dois convites para esclarecimentos por parte do secretário de Agricultura Familiar, Silvano Amaral, e do presidente do Desenvolve-MT. O secretário Silvano deve estar na Assembleia Legislativa no próximo dia 11 de maio, e o presidente do Desenvolve-MT no próximo dia 7.
Foram apreciados e votados, durante a sessão ordinária desta quarta-feira (5), 60 projetos de lei que estavam em tramitação na Casa de Leis. “Isso mostra a grande produção deste Parlamento”, disse o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, ao término da sessão ordinária. Russi fez questão de destacar o trabalho dos 24 deputados mato-grossenses.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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