Mato Grosso
Carreata e novena marcam o início da festa de Nossa Senhora da Guia, padroeira da cidade
Mato Grosso
Com a pandemia da Covid-19, os tradicionais festejos da Guia foram reformulados quanto ao seu formato
procissão penitencial da tradicional festa de Nossa Senhora da Guia deu lugar à carreata, reunindo centenas de devotos na madrugada deste domingo, que conduziram seus veículos pelas ruas do município para celebrar a devoção e a fé na padroeira de Várzea Grande. O trajeto, com saída do Centro de Evangelização Padre Aldacir Carniel (CEPAC), percorreu ruas centrais e fez parada de oração diante de locais, como a igreja da Guia, UPA do Ipase, igreja de Nossa Senhora da Salete, e Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande.
Para o prefeito Kalil Baracat, que acompanhou a carreata com a primeira-dama, Kika Dorilêo Baracat, a parada diante do Pronto-Socorro reafirma a solidariedade dos devotos e a fé em clamar junto a Deus pela saúde dos enfermos. “Perdemos amigos, familiares para a pandemia, mas a fé nos fortalece e vamos juntos unir forças contra a Covid-19”, pontuou o prefeito, destacando a tradição da celebração de Nossa Senhora da Guia, que abre oficialmente as festividades dos 154 anos de fundação da segunda maior cidade de Mato Grosso.
Na sexta, começou a novena na igreja matriz Nossa Senhora do Carmo, seguida de missa e coroação de Maria. Na ocasião, a primeira-dama Kika foi convidada para acender a primeira vela da novena integrando a liturgia do ato da cerimônia religiosa, que segue durante a semana, até culminar no sábado, dia 01, quando ocorre o último dia de novena, antecedendo a missa solene de domingo, dia 2. A primeira-dama comenta que a festa da Guia demonstra o respeito pela cultura e pela devoção à padroeira da cidade, acolhendo as famílias. “A programação, repleta de oração, propicia importantes momentos de fé e conexão com Deus, renovando nossas esperanças, especialmente nestes tempos tão desafiadores para todos nós”, acrescenta ela.
A moradora do bairro 7 de maio, Carmem Brito, 48, não se lembra quando exatamente começou a participar da Festa de Nossa Senhora da Guia, contudo, diz que desde suas primeiras memórias de infância, lá estava ela diante da santa, padroeira da cidade. “O respeito por Nossa Senhora da Guia faz parte da minha família, meus pais e meus filhos são devotos, uma tradição que passa de geração em geração”, afirma ela. Assim como Carmem, milhares de devotos na cidade de Várzea Grande rendem suas homenagens.
Segundo o sacerdote Tarcísio Camilo de Santana, com a pandemia da Covid-19, os tradicionais festejos da Guia foram reformulados quanto ao seu formato. “Tivemos de nos adequar às medidas de biossegurança, evitando assim aglomeração. Para esta edição, as missas, na igreja matriz Nossa Senhora do Carmo, têm seu público limitado, respeitando a indicação de ocupação da capacidade do espaço físico, bem como distanciamento social por meio da acomodação das cadeiras. As missas também estão sendo exibidas nas redes sociais da Igreja e pelo telão afixado no estacionamento da matriz, que transmite a celebração para quem opte por assistir no carro”.
A festa de Nossa Senhora da Guia é a segunda maior festa católica de Mato Grosso, uma das maiores manifestações religiosas do município de Várzea Grande e conta com apoio da Prefeitura Municipal. O rei da festa, o empresário Paulo Munheiro, explica que no domingo, dia 2, será realizada a missa solene. No almoço, a comunidade poderá adquirir o churrasco, servido em sistema de drive-thru, ou seja, apenas a retirada no Cepac. Na sequência, ao fim de tarde, sorteio de prêmios e Missa, também com limitação de público, exibição em redes sociais, seguindo as normas dos órgãos de saúde.
Ele explica que Nossa Senhora da Guia começou a ser celebrada na primeira década de sua fundação e, com o passar do tempo, conquistou milhares de devotos. Emocionado, Paulo acrescenta que além do aspecto religioso, de manifestações de milagres narrados pela comunidade, a festa angaria recursos financeiros para subsidiar diversas ações que respaldam o trabalho de movimentos sociais da igreja. “É uma festa que une a comunidade, exercita o amor cristão, o sentimento de comunhão. Precisamos nos unir e nos fortalecer na fé em Deus”, finalizou.
Programação
Até 01/05/2021: Novena, às 18h30, na igreja Nossa Senhora do Carmo;
Dia 02/05/2021: Churrasco – sistema drive-thru – 12h
18h30: Missa solene
20h: Sorteio da Ação Solidária
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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