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Líder comunitário do Novo Terceiro exige melhorias urgentes no bairro

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“Preto”, apelido carinhoso do comerciante Antunes da Silva, diz estar desencantado com a falta de interesse e presença do serviço público municipal no seu bairro. E cobra das autoridades um posicionamento não demagógico. “As eleições vêm aí”, avisa…

 

João Carlos de Queiroz, especial para O Mato Grosso

 

Fomos ao bairro Novo Terceiro, em Cuiabá, a fim de ouvir o que pensa uma de suas lideranças, o popular comerciante Antunes da Silva, ou simplesmente “Preto”. Ele discorreu acerca da forma como a comunidade vem sendo tratada pelo Poder Público Municipal e pelos políticos, em si. Residente há 16 anos no Novo Terceiro, à Rua Professor Floriano Siqueira, o comerciante afirmou estar descrente do Poder Público Municipal em relação a obras essenciais que precisam ser implantadas urgentemente na sua comunidade.

“Preto” ressaltou não ser político e nem dirigente de bairro, mas, na condição de morador tradicional, tem consciência nítida dos seus direitos de cidadão ao exigir serviços públicos. Valendo-se disso, ele tem reclamado firme junto às autoridades municipais competentes (?) para que sejam empreendidas ações resolutivas no Novo Terceiro, em setores essenciais:

“Não quero nem saber se o prefeito Emanuel Pinheiro recebeu ou não maços de dinheiro corrupto, isso é coisa entre ele e a Justiça. Agora, sendo prefeito de Cuiabá, ele precisa assistir também o Novo Terceiro, bairro que precisa da intervenção da Prefeitura para resolver problemas urgentes. Carecemos de saneamento básico, asfalto e atendimento eficiente na saúde, nas áreas clínica e odontológica, além de projetos escolares e profissionalizantes”.

“Qualquer um – ainda pontuou – pode e deve reclamar no Legislativo e Executivo a respeito daquilo que incomoda a sua comunidade, dificulta seu dia a dia. Pior: que representa riscos diversos à Saúde dos moradores. Por conta do descaso municipal, a área de Saneamento Básico do Novo Terceiro continua sendo um dos problemas mais graves do bairro, entre outros, igualmente preocupantes”.

Considerado em toda a região como líder comunitário, “Preto” rechaça tal denominação e salienta que sua luta está focada apenas em obter melhor

 

ias à coletividade, sem interesse por cargos eletivos ou públicos. “Se a Prefeitura disponibilizar os serviços que o Novo Terceiro reclama há décadas, as coisas vão melhorar por aqui, sem dúvida. Nossas famílias terão maior comodidade e, mais importante, saúde. Agora, se eles (políticos) cruzarem os braços, ignorando os reclames populares, aí fica difícil”.

Segundo descreveu, o saneamento básico no Novo Terceiro existe somente no nome. “O esgoto corre céu aberto em várias ruas do bairro, cena que impoe triste condição de abandono da comunidade. A exposição de águas fétidas nas ruas traz sérios riscos à saúde, principalmente para as crianças, que sempre brincam nessas poças carniceiras. Esse contato resulta em intoxicações diversas, vômitos, manchas e feridas pelo corpo. Resolver isso parece estar à parte do interesse das autoridades, pelo visto”.  

“Preto” disse que os políticos aparecem no Novo Terceiro somente 

 

no período eleitoral. “Aí, eles surgem de tudo quanto é lugar, à cata de votos. Convém aos moradores dar um basta nessa audácia, tenho instruído todos, dia a dia. Quando vêm me pedir pra ajudá-los a resolver algo, sempre lembro: “Você precisa ir pedir é para aquele político em quem votou, com quem andou por aqui pedindo votos. Se recebeu dinheiro dele, pode esquecer, esse não volta mais. Usou você e seu prestígio para se eleger, e não tem compromisso algum com o Novo Terceiro”.

Na opinião do comerciante, é vital que os eleitores do Novo Terceiro tenham essa c

 

oncepção de clareza para evitar serem ludibriados novamente. “As eleições estão chegando, as estaduais e as municipais. Os mesmos que vieram antes vão voltar, isso é praxe. Fazem discurso  bonito, distribuem dinheiro, cestas básicas, prometem isso e aquilo. Depois, se eleitos, desaparecem até o fim dos seus mandatos. E nem adianta ir atrás deles, pois estão sempre ocupados. É um tal de marcar audiência que nunca acontece, na prática”.

Ele lamentou  que esse claro desprezo da classe política pelo Novo Terceiro tenha virado ‘tradição’. “Trata-se de posicionamento injusto da classe política para com aqueles que oficializaram vitórias eleitorais. “Quadro tendencioso, que pode e deve ser alterado, sim. É preciso que o povo mude seu sistema de confiar em que não merece seu voto ou a mínima atenção”.

Independente de estar avesso a promessas políticas, “Preto” recebe educadamente os que o procuram para sugerir benfeitorias no bairro. “Volta e meia, sempre aparece um ou outro vereador aqui em casa, e diz que tem lutado pelo Novo Terceiro junto aos órgãos da Prefeitura, e que logo teremos as melhorias reclamadas. Faço de conta que acredito, até sirvo um cafezinho pra ele não ficar sem graça. Pois percebo que meu olhar diz tudo, não acredito numa só palavra”.

QUEM É “PRETO”…

Ainda que não aceite a denominação de “líder comunitário” do N

 

ovo Terceiro, o ex-técnico de som Édson Antunes da Silva, ou simplesmente “Preto”, como é conhecido nos bairros adjacentes, afirma ser somente um atencioso pai de família, sempre preocupado com o bom futuro da prole sob sua proteção e dos demais parentes. 

Para “Preto”, a família vem sempre em primeiro lugar, é o maior legado do ser humano. “Incluo aí também os meus amigos, os verdadeiros, lógico, e a comunidade do Novo Terceiro, em geral. Conheço cada um dos moradores, e tenho ciência de seus problemas. Assim, tento ajudá-los na medida do possível. Considero-me realizado por ter três filhos maravilhosos, que representam extrema alegria. Essa felicidade é reforçada pela presença batalhadora da minha esposa, a valorosa dona Catarina. Companheira incansável, base da minha confiança para ir em frente, arregaçar as mangas e lutar por vitórias que contemplem a todos nós”.

“Preto” nunca concorreu à presidência do bairro

 

Apesar de vários convites para se lançar candidato a presidente do bairro Novo Terceiro, “Preto” sempre delegou essas funções aos seus vizinhos. “Meu desejo é realizar serviços à comunidade. Naturalmente, quando não consigo, fico muito frustrado. É quando sinto desprezo tangível pela classe política, por não resolver algo que pedimos de forma tão insistente. Afinal, não merecemos ser atendidos por quê? Minha luta é para que essa comunidade deixe de ser capenga, bengala eventual de políticos oportunistas”.

Outra deficiência apontada por ele no Novo Terceiro é a ausência de espaços oficiais que possibilitem a prática de esportes e lazer, somando-se à comercialização semanal de hortifrutigranjeiros, a típica feirinha. “Existe uma área propícia para tudo isso bem atrás da Igreja (Católica), mas está tomada pelo mato, abandonada. Poderia ainda ser um local de encontro das famílias do bairro, e onde as crianças brincariam à vontade, sem perigo algum. No entanto, a realidade atual mostra o triste abandono dessa quadra, totalmente destruída, ignorada pelos dirigentes municipais”.

“Preto” prenuncia que esse espaço, caso seja estruturado adequadamente, iria beneficiar não apenas o Novo Terceiro, mas também os bairros adjacentes. “É uma área generosa, larga, há muito tempo ociosa, ineficaz. Carece de limpeza e outras benfeitorias, a exemplo de iluminação e ligações d’água em toda a sua extensão, para a eventualidade de serem instaladas lanchonetes, feiras populares {sextas}. Transformar essa área abandonada em lugar aprazível, de lazer, é um desafio permanente aos nossos gestores municipais (Executivo/Legislativo). Sinceramente, espero que se mobilizem e adotem ali atitudes efetivas de reforma e construção em nome de quem os elegeu”.

“Preto” aconselha aos dirigentes da Associação de Moradores maior empenho junto à Prefeitura. “Cobrar é sempre eficaz. “Quem não é visto, não é ouvido”, diz um velho ditado. Está correto. É preciso cerrar fileiras de cobranças contínuas nas secretarias, no prefeito e na Câmara Municipal e no Legislativo Estadual. Os deputados também têm deveres para com o Novo Terceiro. Tem deputado que abraçou quantidade invejável de votos por aqui. Então, tem compromisso, não adianta fugir da raia. Um dia vai voltar e todos vão bater a porta em sua cara”.

Novo Terceiro virou “lixão” público – Revoltado pelo acúmulo de lixo nas imediações do Rio Cuiabá, manancial que atravessa o bairro Novo Terceiro, “Preto” sugeriu para que as pessoas tenham mais consciência e não descartem tralhas imprestáveis naquela área. Esse procedimento traz desvalorização e riscos à Saúde Pública, adverte. “Basta andar por ali, e vamos encontrar geladeiras, fogões, sofás, cadeiras, cadáveres de animais e toda sorte de lixo, muito lixo. Estamos num País civilizado, apesar de carcomido pela corrupção avassaladora. Não se admite mais atitudes tão insanas e destruidoras com o meio ambiente. O futuro dos nossos filhos não pode residir no lixo!”

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