interminável reforma
PRAÇA RACHID JAUDY FECHADA HÁ DOIS ANOS ASSUSTA COMERCIANTES E POPULARES NO CENTRO DE CUIABÁ
Os comerciantes vivem cercados por insegurança, os relatos apontam para recorrentes assaltos nas imediações da praça.
Variedades
Comerciantes que possuem empresas de variados portes no entorno da Praça Rachid Jaudy, localizada na avenida Isaac Póvoas, no centro de Cuiabá, já não sabem mais a quem recorrer para mudar a situação do local. O logradouro público está fechado desde 2021, para passar por uma completa revitalização, sendo entregue no mesmo ano, no entanto, nenhum projeto foi concretizado.
Os comerciantes vivem cercados por insegurança, os relatos apontam para recorrentes assaltos nas imediações da praça. Além do local ter iluminação precária, virou um ponto de encontro para pessoas em situação de rua e usuários de entorpecentes, que pulam os tapumes e se escondem ali. Há também muito lixo espalhado pelo local e entulhos.
Um empresário que possui uma pequena loja no entorno da praça, desabafou de que que já perdeu a esperança de uma mudança.
O filho do proprietário de um restaurante nas imediações, relata que só o estabelecimento do pai já foi assaltado mais de cinco vezes, em um período de dois anos, após o fechamento da praça.
Um dos crimes violentos registrados na rua foi há cerca de um ano, quando o senhor Emílio Hirofhi, 76 anos, teve seu carro roubado e foi agredido pelos assaltantes. Ele mora perto da praça há mais de 20 anos e cuidava do espaço junto com a esposa. Mas por conta dos tapumes, foi impedido de continuar zelando pelo ponto turístico.
“Eu estava aqui no restaurante, por volta das 18h, quando sai para pegar um pedido de comida, e vi o seo Emílio todo ensanguentado na rua. Bateram na cabeça dele”, relatou Flávio.
“O restaurante existe aqui há mais de 22 anos. Meu pai adquiriu há uns quatro anos e minha mãe trabalha aqui há 13 anos. Antes de fecharem a praça, você via um movimento a noite, e era um pouco mais tranquilo”, complementa.
Ainda segundo o jovem, desde 2021, a única movimentação vista na praça foi para a demolição, que durou cerca de três semanas, e há mais de ano não se vê mais ninguém mexendo no local. O senhor Emílio cobra sempre a Prefeitura de Cuiabá, mas nunca tem resposta. Ele gostaria que os tapumes fossem retirados. A reportagem tentou conversar com o idoso, mas ele se diz sem esperança, e afirma “não adianta falar mais, a imprensa vem aqui, mas nunca muda”.
Outro comerciante, Claudemir da Costa, que possui uma loja de roupas na esquina com a praça, relata que o ponto sempre foi um alojamento para pessoas em situação de rua. Ele possui o comércio no centro de Cuiabá há nove anos.
“Quando vieram os tapumes, ficamos bastante feliz e ansiosos, até porque vimos os exemplos de outras praças pela cidade, que ficaram boas e bacanas, melhorou. Queríamos praças bem cuidadas aqui no centro também, onde as pessoas pudessem circular, sem medo, e até melhor policiadas. Só que essa fase dos tapumes continua”, afirma Claudemir.
“E nisso, também vem os ventos e chuvas, derrubam os tapumes, colocam de novo. E a gente percebe que inicialmente teve uma obra, mas parou, e há mais de ano que não vejo movimentação. Tem pessoas em situação de rua entrando e saindo dali”, complementa.
Para o comerciante, a praça fechada inibe a população e causa medo. “As pessoas não passam ali, quando me perguntam se tem algum restaurante perto, eu falo do que tem na esquina, mas a pessoa já fica com receio de andar por ali. Não é convidativo, não é estimulante, não tem nenhuma motivação para passar por aqui. Essa é a minha percepção”.
Além disso, percebe-se que na região há muitos imóveis vagos, com placas de alugue-se ou com aspecto de abandono. Segundo Claudemir, a situação no Centro de Cuiabá não está fácil, e a região precisa de cuidados e uma revitalização.
“Essas obras inacabadas a gente sabe que não é bom, não motiva ninguém, pelo contrário, é uma cadeia. Quando você tem algo que te leva a acreditar pelo otimismo, vamos que vamos, mas a gente vê algumas coisas aí que parece que só quer te levar para trás. Quantos imóveis fechados ali, placas de aluguel, as pessoas tentam, tentam investir, mas depois a coisa não vai. Precisamos rever e o Poder Público fazer sua parte”, finaliza.
Saúde
Ex-secretária de Saúde de Cuiabá é alvo de denúncia por supostos benefícios; Prefeitura nega irregularidades
Servidores da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá denunciaram supostas irregularidades ao Site Afolhanews envolvendo a ex-secretária Danielle Carmona nos últimos dias à frente da pasta.
De acordo com os relatos, a ex-gestora teria se autolotado no próprio gabinete para garantir o recebimento do chamado “prêmio saúde”, no valor de R$ 2 mil. Além disso, também teria concedido a si mesma um período de 60 dias de férias.
A situação provocou revolta entre profissionais da rede municipal, principalmente da enfermagem. Segundo os denunciantes, a gestão costumava negar pedidos de férias superiores a 30 dias para servidores da linha de frente, sob a justificativa de falta de pessoal nas unidades de saúde.
Os servidores apontam ainda incoerência entre discurso e prática da administração municipal. Durante a inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Pedregal, o prefeito teria afirmado que não autorizaria férias sem a devida substituição de profissionais, o que reforçou a percepção de tratamento desigual dentro da pasta.
Danielle Carmona é servidora efetiva do município e atua como enfermeira de carreira. Conforme os relatos, ela teria se beneficiado de decisões administrativas tomadas enquanto ainda ocupava o cargo de secretária.
Prefeitura nega irregularidades
Em nota, a Prefeitura de Cuiabá afirmou que não há irregularidades na situação funcional da ex-secretária.
Segundo o município, Danielle Carmona possui todos os direitos garantidos por lei, incluindo férias e benefícios como o prêmio saúde, desde que atendidos os critérios estabelecidos.
A gestão também informou que a lotação em gabinete é um ato administrativo regular, especialmente em períodos de transição, e que a permanência da servidora no local foi previamente alinhada com a atual direção da Secretaria.
Sobre os 60 dias de férias, a Prefeitura destacou que a concessão ocorreu dentro da normalidade administrativa e já havia sido informada anteriormente, não havendo qualquer excepcionalidade.

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