Política
Em Madri, MT debate estratégias para impulsionar economia verde
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Da Redação
Os representantes dos Estados da Amazônia Legal se reuniram em Madri para apresentar as perspectivas e compromissos dos respectivos governos para o desenvolvimento econômico de baixas emissões no bioma. As discussões realizadas nessa terça-feira (10.12) durante a 25ª edição da Conferência da ONU sobre o Clima (COP25) ocorre no contexto de governança firmado entre os Estados Amazônicos e do Planejamento
Durante a abertura das discussões, o vice-governador Otaviano Pivetta destacou que Mato Grosso teve alto ganho de produtividade ao longo dos últimos anos, já que a produção de grãos do Estado mais que dobrou, enquanto o desmatamento na Amazônia caiu 86% na última década.
Segundo Pivetta, a perspectiva de industrialização do Estado também aumenta a possibilidade de geração de emprego e renda de forma sustentável para as pessoas que vivem e dependem da floresta.
Para a secretária estadual de Meio Ambiente e coordenadora do Fórum de secretários da Amazônia Legal, Mauren Lazzaretti, é consenso entre os Estados da Amazônia Legal que ações de comando e controle não são suficientes para manter a floresta em pé.
“É preciso fortalecer as cadeias produtivas sustentáveis para dar qualidade de vida às pessoas que vivem da floresta e na floresta. A economia verde deve alcançar todos os tipos de produtos florestais seja madeira, castanha, borracha, essências, princípios ativos e uma ampla gama de produtos que a nossa rica biodiversidade pode nos oferecer”, reforça a gestora.
Durante o painel “A Economia Verde na Amazônia – Estratégias que aliam desenvolvimento de baixas emissões e proteção da floresta”, Mauren expôs que o Brasil abriga 39% da floresta tropical do mundo, mas é responsável por apenas 10% da produção de madeira e que o produto nacional responde por apenas 3% e com valores muito aquém do desejado.
Além disso, estudos mostram que na Europa, o valor médio do metro cúbico de madeira é de 893 dólares, enquanto a madeira brasileira chega ao velho continente custando 463 dólares/m³. Para reverter este quadro, Mato Grosso, assim como os outros Estados da Amazônia Legal, está investindo em transparência, tecnologia e auditorias para mostrar aos investidores a qualidade e confiabilidade de nossos produtos florestais.

Manejo Florestal Forte
O manejo florestal sustentável garante a floresta em pé por pelo menos 25 anos, uma vez que a exploração só pode ser realizada após autorização da Sema e com averbação do compromisso na matrícula do imóvel. Iniciada a retirada seletiva das árvores, que necessita de estudos técnicos para ocorrer, o empreendedor pode explorar a mesma área novamente após 25 anos ou caso comprove que o incremento da floresta foi igual ou superior ao volume retirado.
Mato Grosso possui 3,7 milhões de hectares de floresta nativa sob manejo florestal sustentável e a meta é atingir 6 milhões de hectares até 2030 por meio de ações de fomento do Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI).
Para alcançar a meta proposta, a Sema está concentrando esforços em dar celeridade às análises do Cadastro Ambiental Rural (CAR), na gestão por resultado, no licenciamento ambiental e no monitoramento e resposta pós-aprovação. A tecnologia será fundamental para o mapeamento e cadeia de custódia da madeira, assegurando transparência e legalidade na produção e comercialização dos produtos florestais.
Uma das alterações, por exemplo, é a identificação georreferenciada no Sisflora 2.0 de cada uma das árvores inventariadas no PFMS. Dessa forma, as árvores seguirão para o transporte acompanhadas de guias que identifiquem cada um dos indivíduos e não mais por volumetria. Para isso, a Sema projeta ter o licenciamento digital em todas as etapas até julho de 2020 e a migração dos dados e implementação da cadeia de custódia no Sisflora 2.0 até março de 2020.
Pioneirismo
Desde 2010, Mato Grosso estruturou diversos instrumentos de planejamento estratégico jurisdicional para a redução do desmatamento e o desenvolvimento sustentável. As iniciativas, que serão apresentadas ao longo desta semana durante a Conferência do Clima, vão desde as ações de comando e controle, pautadas em planejamento, inteligência e tecnologia, passando pelas estratégias para redução das emissões de gases de efeito estufa e participação ativa da sociedade. As ações se complementam trazendo ao Estado oportunidades de investimentos, parcerias e novos mercados para a produção agrícola.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 2004 a 2019 Mato Grosso reduziu o desmatamento em 86% na porção amazônica de seu território. De acordo com as Resoluções da Comissão Nacional Sobre REDD+ (CONAREDD+), nº 6/2017 e 14/2018, o Estado tem reduções verificadas de 1.152.107.791,26 toneladas de CO2, entre 2006 e 2017.
De acordo com o Instituto Earth Innovation, de 39 jurisdições que abrigam florestas tropicais em seu território, Mato Grosso é a única que mantém uma ampla gama de iniciativas mais avançadas que abordam a produção pecuária e agrícola de grande e pequeno porte.
Essas iniciativas estão todas elencadas dentro da Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI), lançada na COP 21 em Paris, que inclui 21 metas claras para aliar produção com conservação ambiental e inclusão social. As metas foram desenvolvidas por meio de processos participativos que incluíram atores de setores públicos, privados e sem fins lucrativos.
MT na COP25
Além de Pivetta e da secretária Mauren, participam da COP25 pelo Governo de Mato Grosso, o secretário executivo da Sema, Alex Sandro Marega; o diretor-executivo do Instituto Produzir Conservar e Incluir (PCI), Fernando Sampaio; a coordenadora do Programa REM-MT e analista de Meio Ambiente, Ligia Vendramin; e a assessora de relações internacionais, Rita Chiletto representante da federação indígena, Crisanto Rudzö Tseremey’wá.
No total, irão à Europa 15 pessoas de Mato Grosso na comitiva. Entre eles, representantes de outros poderes e órgãos estatais, como da Assembleia Legislativa (deputados Xuxu Dalmolin e Ulysses Moraes), Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e organizações ligadas à área ambiental. O custo da viagem dos representantes na COP 25 será arcado pelas instituições a que são ligados, de apoio à conferência da ONU ou pelas próprias pessoas.
Fonte: Secom-MT / Foto: Divulgação
Política
Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”
O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.
A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.
Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.
“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.
O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.
“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.
Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.
“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.
Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.
Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.
A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.
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