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Botelho defende ALMT: “Legislativo é independente e segue à risca a Constituição”

Botelho: “ALMT age de forma independente, jamais se ajoelhou. A meu ver, opiniões contrárias são equivocadas” 

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Política

Foto: Facebook - Jornal CBN

Em entrevista hoje (19) ao Jornal da CBN Cuiabá, o 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Eduardo Botelho (DEM), discordou de posições que eventualmente coloquem as decisões do Parlamento em posição questionável, do ponto de vista da legalidade constitucional, catalogando-a ainda de subalterna perante alguns Poderes.

“Isso não procede, não tem qualquer respaldo”, afirmou. Conforme Botelho, a atuação da ALMT sempre se pautou por ser independente e justa. E afirmou que o desempenho do Parlamento é regido por princípios constitucionais, sempre procurando manter linha democrática aberta com instituições e munícipes.

“Nós temos essa prerrogativa de acatar integralmente o que estabelece a Constituição. Portanto, os decretos instituídos pela AL têm amplo poder legal, e quaisquer dúvidas, contradições, podem ser questionadas judicialmente; é um direito de todos, inclusive da própria ALMT quando se sentir na dúvida acerca de algo, momento em que vai recorrer à Procuradoria”.

Na análise de Botelho, a fiscalização desempenhada pelos parlamentares junto aos órgãos públicos, papel tradicional da ALMT, tem sido proveitosa em todos os sentidos. Também acentuou que esse trabalho peculiar da Casa Estadual de Leis se soma ao estabelecimento de parcerias importantes para auxiliar os governantes e municípios.

“Só para exemplificar mais recentemente, a ALMT teve papel decisivo para a retomada do equilíbrio econômico de MT no início do governo atual, endossando decisões amplamente polemizadas à época, não compreendidas por muitos na sua essência. Ou seja: o objetivo geral (ALMT/Governo) era buscar soluções viáveis a curto prazo para restabelecer o equilíbrio econômico do Estado, como efetivamente aconteceu”.

Apesar de o cenário hoje em MT ser bem mais favorável do que há pouco tempo, analisou Botelho, falta muito ainda para que aconteça comemoração unânime. “A fome é triste realidade em muitos lugares, e ela traz tormentos, inclusive aqui mesmo, em Cuiabá. Todos viram a fila de pessoas no CPA aguardando a doação de ossos para alimentar suas famílias. Aí, você escuta gente falando que MT é rico. Como é rico e tem gente passando necessidades?”  Botelho lembrou assim o esforço concentrado da AL para votar a prorrogação do programa estadual “Ser Família Emergencial”, a fim de minimizar esse quadro.

Foi ainda salientado por Botelho a importância de ampliação do amparo financeiro aos hospitais filantrópicos do Estado, via Fundo criado pela AL quando o governo estava sem condições de arcar com o custo operacional dessas unidades. “O Hospital de Câncer é um dos exemplos: onde você trata essa doença gratuitamente? Esse recurso (Fundo) possibilita isto para o Hospital de Câncer funcionar a contento e outras unidades filantrópicas. Mas é justo e necessário ampliá-lo, em função de melhores condições do que vivenciamos lá atrás, momento de criação desse Fundo Emergencial”. 

Outra questão abordada na entrevista foi sobre a demissão de servidores da EMPAER e a PEC instituída pela ALMT para reconduzi-los aos quadros da empresa, o que trouxe certo mal-estar entre o Poder Legislativo e Executivo, clima desfeito agora, assegurou Botelho.

“É uma situação já 100% pacificada entre AL e governo. Democracia é isso, e o próprio governador sublinhou que há mais coisas a nos unir (AL/Governo) do que em propriamente separar. Essa PEC, friso, é portanto legal aos olhos do Parlamento Estadual, instituição rigidamente atenta às normativas constitucionais. A PEC veio em defesa dos funcionários, hoje em situação difícil, delicada… Aquelas pessoas estavam trabalhando lá (EMPAER-MT) há quase 30 anos, e foram desligadas sem direito a nada, sem aposentadoria. Como ficam então? Estamos procurando esse caminho, e a esperança é de uma solução consensual”.

 

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Flávia Moretti veta passe livre para autistas e pessoas com fibromialgia em Várzea Grande

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), vetou integralmente o projeto de lei que ampliava o acesso ao transporte coletivo gratuito para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fibromialgia. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal, também previa a concessão do benefício a acompanhantes quando houvesse necessidade comprovada.

O veto foi publicado na terça-feira (20) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso. A decisão atinge o Projeto de Lei nº 211/2026, de autoria do vereador Miguel Angel Claros Paz Junior, que alterava a Lei Municipal nº 4.478/2019, responsável por regulamentar a gratuidade no transporte para pessoas de baixa renda com transtornos mentais em tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Com a mudança proposta pelos vereadores, pessoas com autismo e fibromialgia poderiam solicitar o benefício mediante apresentação de documentação médica e parecer social, conforme os critérios previstos na legislação.

A justificativa do Executivo para barrar a medida é a ausência de definição sobre a origem dos recursos necessários para financiar a ampliação do passe livre, além de questionamentos sobre os cálculos apresentados para estimar os custos da proposta.

Durante a tramitação do projeto, foi apresentada uma estimativa de impacto financeiro de R$ 83,6 mil mensais, o equivalente a R$ 1.003.200 por ano. O cálculo considerou 380 cartões de transporte, uma média de 44 viagens mensais por beneficiário e tarifa de referência de R$ 5.

Embora a Procuradoria Legislativa tenha reconhecido que a operação matemática estava correta, o parecer técnico apontou falta de informações que comprovassem os números utilizados. Entre as dúvidas estão a quantidade real de beneficiários, a frequência de uso dos ônibus e o número de acompanhantes que poderiam receber a gratuidade.

A análise também destacou a ausência de estudos sobre os efeitos da ampliação do benefício nos contratos do transporte coletivo e sobre a eventual necessidade de compensação financeira à empresa responsável pelo serviço.

Outro questionamento envolve a compatibilidade da despesa com o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Critérios para concessão também foram questionados

Além das questões financeiras, o parecer jurídico apontou dúvidas sobre os critérios de acesso ao benefício. A legislação original estabelece requisitos relacionados à baixa renda e ao acompanhamento pelos Caps, mas o projeto não teria esclarecido suficientemente como essas exigências seriam aplicadas às pessoas com autismo e fibromialgia.

Também foram levantadas questões sobre os profissionais habilitados a emitir os documentos exigidos, a necessidade de parecer social e os procedimentos para comprovar que o beneficiário precisa de acompanhante.

Apesar das ressalvas, a análise reconheceu a finalidade social da proposta e a competência da Câmara Municipal para legislar sobre a ampliação de benefícios no transporte público.

Na justificativa do veto, assinada em 14 de outubro, Flávia Moretti considerou que os problemas identificados comprometiam o projeto como um todo. Por esse motivo, optou por vetar integralmente o texto, em vez de barrar apenas parte dos dispositivos.

A Prefeitura indicou que uma nova proposta poderá ser apresentada, desde que inclua estimativa de impacto financeiro, fonte de custeio definida e critérios objetivos para a concessão da gratuidade.

Câmara poderá derrubar veto

Com o veto integral, a ampliação do passe livre prevista no projeto não entra em vigor neste momento. A decisão será encaminhada à Câmara Municipal, que poderá manter o veto da prefeita ou rejeitá-lo, conforme as regras do processo legislativo.

O impasse coloca em discussão tanto a ampliação do acesso ao transporte público para pessoas com autismo e fibromialgia quanto a definição de como o benefício seria financiado pelo município.



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