Política
Abilio anuncia implantação de inteligência artificial para agilizar julgamento de recursos de multas
Política
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), confirmou que a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari) passará a contar com inteligência artificial para acelerar a análise dos recursos apresentados por motoristas contra multas de trânsito.
De acordo com o prefeito, a adoção da tecnologia faz parte de um conjunto de medidas para ampliar a capacidade de atendimento da junta, que atualmente opera com três câmaras de análise e deverá ganhar uma quarta para atender ao volume de processos.
“A Jari precisa ampliar. Hoje ela está com três câmaras de análise. Vai precisar criar uma quarta câmara de análise”, afirmou.
Abilio explicou que a legislação estabelece um prazo para que a Jari julgue os recursos administrativos. Caso esse período seja ultrapassado, a penalidade aplicada perde a validade.
“A população vai lá, toma uma infração e recorre. E ela tem prazo para analisar esse recurso. Quando a Jari perde o prazo, a infração que foi aplicada também vence. Ela deixa de ter valor”, disse.
Segundo o prefeito, a demora nas análises não apenas pode causar prejuízos ao município, como também interfere no direito do cidadão de buscar a Justiça após a conclusão da etapa administrativa.
“Às vezes perde-se muito por falta de celeridade no processo do recurso. Até mesmo para que a pessoa possa recorrer na Justiça. Ela quer que o seu recurso na Jari seja avaliado para ela poder ir à Justiça e recorrer”, declarou.
Ao defender a utilização da inteligência artificial, Abilio destacou que a tecnologia já vem sendo empregada em diferentes órgãos do Poder Judiciário, principalmente em atividades repetitivas.
“A inteligência artificial ajuda muito. O CNJ já usa inteligência artificial. Muitos tribunais de Justiça já usam inteligência artificial. Acredito que é natural em análises de processos que são repetição”, afirmou.
O prefeito informou que o sistema de apoio por inteligência artificial será implantado na Jari paralelamente ao reforço da estrutura de julgadores, medida que, segundo ele, permitirá aumentar a quantidade de processos apreciados e reduzir o tempo de resposta à população.
“A Jari vai sim implementar o sistema de análise com IA. E, ao mesmo tempo, há necessidade de aumentar o número de julgadores para que a gente possa ter mais processos analisados e esses processos possam dar celeridade para a resposta da população”, completou.
Ao ser questionado sobre a contratação da empresa que fornecerá a tecnologia, Abilio afirmou que o processo não é conduzido diretamente por ele. Segundo explicou, a definição da necessidade cabe à secretaria responsável, que posteriormente encaminha a demanda ao setor de licitações e contratos.
“Não sou eu especificamente que contrato. Quem faz a avaliação sobre isso é o secretário ou a secretária. E depois ela encaminha para o setor de licitações e contratos”, explicou.
Política
Em relatório, IFI aponta que despesas do governo continuam crescendo
O principal desafio atual do Brasil é fazer avançarem as políticas públicas de setores essenciais, como educação, saúde e segurança pública, e ao mesmo tempo ampliar os investimentos em infraestrutura e ciência e tecnologia, em um quadro de “extremo engessamento orçamentário”. A observação consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto, publicado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) nesta quinta-feira (20).
O documento aponta que continuam crescendo “contínua e velozmente” as despesas do governo, tanto as obrigatórias quanto as “discricionárias rígidas”, aquelas que não são obrigatórias, mas que na prática o governo não pode cortar.
Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (20), o diretor da IFI, Alexandre Andrade, disse que o relatório aponta uma piora do déficit primário estrutural ao longo dos dois primeiros trimestres de 2026, basicamente por causa de uma pressão maior de despesas, apesar do crescimento da receita.
— Os números mostram que o cumprimento da meta fiscal de 2026 ficou um pouco mais folgado. Os números das avaliações bimestrais anteriores já mostravam que o governo conseguiria cumprir a meta fiscal. Isso ficou um pouco facilitado depois do choque do preço do petróleo, em razão do conflito no Irã, porque as receitas do governo aumentaram muito, principalmente em maio, junho e julho. Então, devem garantir um cumprimento com relativa folga — afirmou.
Andrade avaliou que, com um cenário de petróleo mais caro e receitas mais favoráveis, o governo deverá cumprir a meta do ano.
— A questão maior que se coloca é para o ano que vem. Isso tende a se esgotar ao longo do tempo. As receitas não vão conseguir crescer indefinidamente nos próximos anos — previu.
“Horizonte desejável”
A IFI, órgão vinculado ao Senado, estima um déficit estrutural de 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026. A instituição reconhece no relatório que a equipe econômica vem se empenhando na gestão do cotidiano da execução orçamentária para melhorar os resultados fiscais. Destaca, no entanto, que o horizonte desejável para o futuro do país impõe um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.
O estudo da IFI concentra a análise nos dados e informações do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) relativo ao terceiro bimestre de 2026. Esse documento embasa as projeções constantes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027), a ser enviado à Comissão Mista de Orçamento (CMO) até o próximo dia 31.
De acordo com a IFI, o quadro geral permanece inalterado, apesar de afetado por fatores específicos – aceleração do pagamento de emendas parlamentares em função da legislação eleitoral; queda das despesas com o Bolsa Família; e o aumento das receitas derivadas da alta dos preços do petróleo, a partir de maio, consequência do conflito no Oriente Médio.
O governo central produziu um déficit primário efetivo, nos sete primeiros meses do ano, de R$ 81,2 bilhões. Se, por um lado, a receita líquida registrou aumento significativo de 6,0%, acima da inflação, por outro as despesas subiram 6,3%, em termos reais, aponta o relatório. Tanto a IFI quanto o governo projetam um déficit primário efetivo em torno de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
O cumprimento formal da meta fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 será alcançado após as deduções legais de despesas, que somam entre R$ 62,8 bilhões (governo) e R$ 69,8 bilhões (IFI), além do uso do intervalo de tolerância legalmente previsto. O centro da meta deste ano corresponde a um superávit primário de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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