Opinião
Preenchimento labial, quando e por que fazer?
Opinião
Se o sorriso é a janela da alma, os lábios são o pórtico, a moldura dessa janela. Diariamente, como biomédica esteta e especialista em procedimentos de face, recebo muitos questionamentos das minhas pacientes, jovens ou não, sobre o queridinho dos preenchimentos, que é o de lábios.
Dentre as principais dúvidas estão: com que idade posso fazer? Vai ficar exagerado? Passei dos 40 e meus lábios parecem ter diminuído, o preenchimento pode me ajudar? Consigo mudar o formato da minha boca? Dói?
Primeiro é preciso entender que não existe uma receita de bolo ou uma fórmula única para os lábios dos sonhos e que cada paciente é única, por consequência os lábios delas também, portanto uma avaliação/análise facial, bem como o diálogo com o profissional que a pessoa escolher é imprescindível para um resultado harmônico e que atenda as expectativas de quem procura por esse tipo de procedimento.
O preenchimento é indicado para pessoas com pouco volume labial que não se sentem satisfeitas com isso, para pessoas que estão incomodadas com os sinais de envelhecimento ou que passaram por algum processo dentário e acabaram perdendo volume na projeção do lábio. Não há idade apropriada para fazer o preenchimento labial, mas é recomendado que a decisão seja tomada depois dos 18 anos.
Indolor, já que é feito com anestesia local, o preenchimento labial com ácido hialurônico tem durabilidade de seis a 12 meses, tudo depende do organismo do paciente com relação à absorção do produto e da densidade do preenchedor utilizado.
O volume dos lábios será de acordo com a quantidade de produto aplicado. A minha sugestão como profissional é sempre começar com 1 ml de produto por sessão, para preencher, corrigir ou dar volume. Sempre oriento minhas pacientes com relação aos exageros, afinal a beleza do preenchimento está justamente em dar volume, hidratar, realçar o contorno e devolver a juventude dos lábios, sem parecer que o procedimento foi feito.
Esclarecida essas dúvidas, procure um bom profissional que passe confiança e se joga no preenchimento labial.
*Geici Rafaela é biomédica esteta em Cuiabá
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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