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Os bate-bocas e as mentiras nas redes sociais

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Por: Elizeu Silva

 

Em uma reportagem exibida recentemente pela Rede Globo, a respeito das “confusões e bate-bocas nas redes sociais”, destacou sobre as polêmicas da internet como palco do divertimento e conhecimento, mas também; das discursões intermináveis e das notícias falsas. Se mostrou que o espaço usado na web, reproduzem o desejos de muitos como verdadeiros megafones, e para começar uma confusão nas redes, não precisa de tanto. Basta um post, um comentário discordante ou qualquer palavra para se ganhar uma proporção enorme. E, isso causa um estrago danado na vida das pessoas envolvidas ou citadas negativamente, claro.

Quando assunto se trata de mentiras então, nem se fala a devastação que o crápula inventor do fato, causa. O pior que já vivemos há anos com isso, sem que alguém ou a Justiça faça alguma coisa para contenção. O mais ruim nisso tudo é saber que tais pessoas que se alegram dessas práticas, são covardes e canalhas, cuja convicção em si é fazer e disseminar o mal. E, isso é audaz por demais. Afinal, as regras da vida real valem também para o mundo virtual ou vice-versa. Essa má-conduta é destacada como extremamente perigosa pelo educador Mário Sérgio Cortella que diz: “Essa forma de conduta em que se é capaz de dizer; nós somos nós e o resto é o resto.”

Contudo, as falsas notícias não partem apenas de sites ou blogs ‘chinfrim’ como vemos centenas por ai, sem expedientes, sem identificação, onde o proprietário se esconde no anonimato e parte para contínuos ataques. Esses covardes sequer sabem o significado do nome fantasia dado ao dito espaço ou ao veículo criado com má índole. Mas, as invencionices nascem também dos veículos tidos como reputados. Análises divulgadas no início deste ano pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), que usou critérios do “Monitor do Debate Político no Meio Digital”, sobre análise de estudo de um grupo de universitários da USP – Universidade de São Paulo, identificou em pelos menos 10 maiores sites de notícias do Brasil, que disseminam informações falsas, – aquelas não-checadas ou advento de boataria pela web, classificadas de notícias de “pós-verdades”. Inclusive, parte desse assunto já foi sabiamente apontado pelo jornalista e diretor de blog, Alexandre Aprá.

Pois bem. Se a mentira faz mal à saúde de quem às pratica (revela estudo), imagina para àquelas que se tornam vítimas delas. Os malefícios psicológicos e físicos são imensuráveis. Como no momento não temos um mecanismo capaz de conter isso, partimos para a imaginação em desejar que; como seria bom se a História Mágica de Pinóquio tornasse realidade na vida dos malfeitores e fizesse crescer o nariz a cada mentira contada. Tinha gente que não passaria por uma porta. Contudo, a história do menino de madeira é ficção, e somente podemos tirar da mesma, lições de vida, como: não confiar em qualquer notícia, saber escolher aquilo que lê, e sempre suspeitar daqueles que apontam o dedo e culpabilidade para a vida dos outros, na maior facilidade. “Abra o olho companheiro”, já se dizia o Lula.

 

Elizeu Silva é jornalista em Mato Grosso

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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