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Mega da Virada ou “Mega Engana-Trouxa”: magia irresistível típica de Harry Potter

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Por:  João Carlos de Queiroz

Brasileiro que é brasileiro gosta de arriscar. Até mesmo quando há anúncios nas redes sociais de que estar sendo enganado. Alguns economizam durante o ano inteiro para jogar suados trocados na Mega da Virada. Resta saber se os sorteios até agora realizados seguem os padrões de lisura transparente anunciados pela CEF, ou se os prêmios já estão mesmo previamente destinados a serem abocanhados por “laranjas”, disfarçados de simples apostadores. Pelo menos é o que as redes sociais têm alertado à população nos últimos dias…

Final de Ano é o momento adequado para o comércio nacional lucrar em todos os sentidos, seja com a venda de bebidas e ingredientes alimentares à tradicional ceia, seja com a venda de trajes adequados (geralmente de cor branca) para o Reveillon, festas que arregimentam fortunas. É momento, também, de retrospectiva da imprensa às coisas boas e ruins transcorridas no ano em fase de expiração, e o mais propício, segundo videntes de plantão, para traçarmos projetos futuristas.

Explica-se assim aquela interminável mania supersticiosa dos brasileiros em “passar a meia-noite” (termo usual) em cima de cadeiras ou banquinhos. Ou de guardar lentilhas e sementes de uva como passe-gratuito à vinda de dinheiro ininterrupto na carteira, nos próximos 365 dias. Detalhe: não vale descartar esses supostos imãs da boa-sorte financeira. O que importa é a fé, que dizem “mover montanhas”. Nada contra esse famoso preceito bíblico…

É mais um ano que se inicia, com indícios de baixas e altas, e ninguém consegue impor com qual roupagem deve se apresentar. Apenas os videntes torcem para a concretização de tragédias previstas e anunciadas na mídia, ponto propagandista do seu “poder”. Se acertarem alguma desgraça, isso significa mais $$$ no caixa e consequente reforço à credibilidade pessoal acerca de leitura precisa do futuro.

Os ditos videntes do País preveem tudo: novos milionários, novos dirigentes de governo, mortes, reviravoltas tecnológicas, etc. Mas Ainda não vi nenhum deles prever a prática contumaz de falcatruas – por parte de presumíveis corruptos instalados nos quadros da Caixa Econômica Federal – em relação aos prêmios ofertados pela instituição. Principalmente a Mega da Virada, prêmios anunciados neste final de ano em torno de R$ 280 milhões. Até aí, tudo bem, é sonhar pra valer com tudo que tal bolada pode conferir na vida real, a exemplo de viagens, aquisição de aviões, carros de luxo, imóveis, etc. e etc…

Eis então uma das poucas exceções no descerramento da cortina de cada espetáculo do festivo féretro anual, pois o restante todos já sabem: que o Brasil para de vez a partir do dia 31.12, e só retoma suas atividades “normais” após o Carnaval. Hão de dizer: “Mas tem a expectativa em torno da São Silvestre…”  Expectativa de puro desperdício, diria, pois a tradicional Corrida de São Silvestre, em São Paulo, terá novamente atletas africanos na condição de vencedores, categorias masculina e feminina.

Os brasileiros, praxe nessa famosa modalidade internacional, vão ficar lá atrás, bem atrás… Como sempre ficaram, aliás, ao longo de edições anteriores da São Silvestre. Apenas um sortudo tupiniquim logrou chegar em primeiro. A supremacia africana é imbatível, e outras competições registrarão idênticas colocações…

Competir é preciso, e sempre incentiva festa de alegria nacional, levando-se em conta que é final de ano… 

Voltamos então à estaca zero dos sonhos milionários, em torno da tão falada Mega da Virada, agora com enfoque corrupto nas redes sociais. Dizem que a CEF manipula os ganhadores por meio de bolinhas acrescidas de peso extra, além de sedimentar “laranjas” em pontos distintos do território.  Pelo que foi propagado nas redes sociais, a CEF já tem conhecimento prévio dos números vencedores, jogos em poder de “laranjas” estratégicos. A mobilização nas redes é para que ninguém mais invista seu capital nas loterias da CEF.

Não dá pra acreditar muito em coisas do tipo, à primeira vista. A CEF é uma instituição séria, até que se prove o contrário. No entanto, nesse País onde a corrupção anda de mãos dadas com vários segmentos do governo, recomenda-se cautela em tudo. Afinal, se um simples apartamento na Bahia armazenava mais de R$ 50 milhões de reais em espécie, acondicionados em malas e caixas, não dá pra confiar em mais nada. Principalmente porque as malas em questão pertenciam ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, ex-vice-presidente de pessoa jurídica do banco estatal (CEF).

Segundo o Ministério Público Federal, Geddel e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, formaram quadrilha fraudulenta dentro da Caixa Econômica Federal. Descobertas as falcatruas criminosas, ambos cumprem merecida reclusão.

E como fica a situação dos assalariados brasileiros que ainda sonham em abocanhar fortunas da Mega e outros prêmios das loterias da CEF, é completa incógnita.  Acertar os seis números da Mega, por exemplo, é 500 mil vezes mais difícil do que acertar a Loteria Federal, contabilizam matemáticos. Pouco adianta quebrar a cabeça com cálculos acerca dos números mais sorteados desde que a Mega se tornou referência de mudança de vida paupérrima para milionária. Agora, se tem marmelada nessa história – agravante imperdoável -, é pura perda de tempo tentar ser sorteado. Há alguém chamando você de trouxa por aí…

Mesmo porque, excetuando-se as falcatruas anunciadas nas redes sociais, sempre que a CEF começa a propagandear o valor altíssimo do prêmio da Mega da Virada, a probabilidade de alguém emplacar os famosos seis números é de uma em 50 milhões, estimativas do conceituado matemático José Dutra Vieira Sobrinho.

Resumindo: é jogar ciente de que você pode perder seu precioso dinheirinho, engordando os cofres da CEF. E nem falo aqui da possibilidade desse jogo ser mais uma manobra corrupta de possíveis espertalhões que comandariam postos graduados na instituição bancária ou lado a lado com ela. O Facebook e o WhatSapp têm alardeado isso nos últimos dias. Quem quiser entrar de gaiato ou não, é de livre arbítrio…

Mas é melhor jogar do que não jogar, pois no Brasil tudo acontece de maneira inusitada. Até pode ser que o sorteio transcorra sem qualquer ilícito, beneficiando gente humilde, esperançosa. E que os “anões do Congresso” não ressurjam vorazes para sugar o santo dinheirinho desse povo iludido de maneira fácil, sem qualquer artifício hipnótico…

*João Carlos de Queiroz é jornalista profissional (Mtb 381.18-MT), natural de Montes Claros e residente em Cuiabá-MT

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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