Opinião
Igualdade feminina nas empresas
Opinião
Por: Marcelo Nóbrega
O tema ‘empoderamento feminino’ está por toda parte: nas notícias, na timeline do Facebook, na conversa de elevador e, como não poderia deixar de ser, no mundo corporativo. Esse microcosmo da sociedade tem que espelhar as mudanças que acontecem fora das paredes das empresas. Por cultura, algumas resistem ao novo; outras, pelo mesmo motivo, abraçam o seu tempo e navegam com ele. E há quem lidera essas mudanças.
Reconhecidamente uma marca democrática, o McDonald’s é protagonista em ditar transformações. Ao longo de quase 40 anos de história no Brasil, a empresa tem se esmerado em ser atual. Muitas vezes não é fácil, mas a resposta é sempre motivo de orgulho.
Segundo o último relatório de Resultados de Impacto Social e Ambiental na América Latina e no Caribe da companhia, 57% do nosso quadro de funcionários é formado por mulheres. Nos restaurantes da rede, elas são maioria nos cargos de gerência: 53%. Embora o gênero obviamente não seja o balizador de qualquer ação de meritocracia, ainda é importante ressaltar esses números – até que isso não seja mais necessário.
Prezando pela igualdade, mas respeitando as diferenças, criamos condições para que essas mulheres permaneçam conosco quando, por exemplo, tomam a decisão de se tornarem mães. Neste caso, nosso Projeto Gestante prevê acompanhamento da funcionária por uma equipe médica durante toda a gestação, absorve os custos das despesas médicas com consultas e exames e, nos restaurantes, cuida para que a gestante exerça atividades sem risco para o bebê.
Também temos o programa Aperte o Play, focado em planos de desenvolvimento nas áreas de empreendedorismo, planejamento de carreira e financeiro, e cursos de Gastronomia e Tecnologia da Informação.
Por meio de programas abrangentes ou com atitudes simples, nosso objetivo como gestores de pessoas é proporcionar um ambiente onde todos sejam respeitados. Nesse Dia Internacional da Igualdade Feminina aproveitamos para falar sobre as mulheres, mas não deixaremos de nos debruçar sobre qualquer tema que contribua para um ambiente de trabalho caracterizado pela diversidade e inclusão.
*Marcelo Nóbrega é Diretor de Recursos Humanos da Divisão Brasil da Arcos Dorados, franquia que administra a marca McDonald’s na América Latina
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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