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Governo de Mato Grosso: da quase “quebra” ao maior programa de investimentos de sua história

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Meus amigos, nos últimos dois anos nós mato-grossenses passamos por períodos difíceis: desde um Governo do Estado que estava prestes a quebrar, a uma pandemia que ainda causa sofrimento a todos.

Mesmo em meio a tantas dificuldades, saímos maiores e as melhorias em todo o estado já são visíveis. Toda a dedicação a consertar Mato Grosso e à pandemia não nos desviou da nossa missão principal: investir naquilo que importa ao cidadão. Mato Grosso virou um grande canteiro de obras e, por meio do programa Mais MT, estamos realizando investimentos que vão totalizar R$ 9,5 bilhões até 2022.

Somente na Infraestrutura, estamos com mais de 1,2 mil km de asfalto novo contratado e 77 pontes, em todas as regiões, boa parte já entregue ou com previsão de entrega já no próximo ano. O Vale do Araguaia, até então esquecido, concentra mais de 400 km de toda essa pavimentação. Estamos em andamento com milhares de quilômetros para serem concedidos à iniciativa privada, garantindo a qualidade das rodovias, e outras centenas de quilômetros de estradas sendo construídas e restauradas por meio de parcerias sociais com prefeituras e associações.

A previsão é que tenhamos mais de 2,4 mil km de asfalto novo contratado até 2022. E pelo menos cinco mil novas pontes devem ser construídas nesse período de tempo, substituindo as precárias pontes de madeira que tanto transtorno trazem à população. Será o maior programa de pontes de um estado brasileiro. E fechamos o ano apresentando a solução para um pesadelo que assola a população há anos, com a substituição do VLT pelo BRT – muito mais econômico, viável e vantajoso à população.

A Saúde também passou a funcionar. Com os repasses em dia aos municípios, o atendimento na atenção básica voltou a ser digno. Deixaram fechar a Santa Casa de Cuiabá, mas reinauguramos como Hospital Estadual Santa Casa. Ampliamos o Metropolitano em Várzea Grande. Estamos reformando e modernizando os regionais de Sorriso, Sinop, Rondonópolis e Cáceres e vamos estender essas melhorias a todos os demais. Retomamos obras paradas há 34 anos, como a do Hospital Central, e a do Júlio Muller, que estava abandonada há 7. E ainda construiremos três novos hospitais regionais: em Juína, Tangará da Serra e outro na região do Araguaia, locais onde há vazios de assistência à Saúde, que obrigam a população a percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado.

Na Educação, 161 escolas estão com obras em andamento, sejam reformas, ampliações, construção de quadras poliesportivas ou até novas construções. Por meio do Mais MT, vamos investir mais de R$ 900 milhões para melhorar as estruturas físicas e pedagógicas, dando condições de ensino e capacitação aos professores e servidores, e de aprendizado aos alunos, para que nossos índices melhorem. Instalar ar-condicionado em mais de 300 escolas que ainda não possuem climatização é só um exemplo.

Assim como na Segurança, que tem recebido investimentos maciços para ampliação de vagas no sistema prisional. Já ampliamos mais de 1400 vagas e devemos ampliar em até 4000 nos próximos anos, em sistemas que usam a tecnologia para trazer mais segurança e economia aos cofres públicos, o que garante também o cumprimento da pena e a ressocialização. Compramos fardamento, encomendamos 3 mil pistolas Glock aos nossos militares e implantamos o rádio digital, impedindo os bandidos de ouvirem as conversas da Polícia. Vamos construir um Centro de Treinamento de Segurança Pública onde abandonaram as obras do COT do Pari. Além de novas viaturas, aeronaves e equipamentos às Forças de Segurança.

Temos e teremos muitos investimentos no Social, na Cultura, no Turismo, no Desenvolvimento Econômico, na Agricultura Familiar, no Meio Ambiente, na Ciência e Tecnologia e em todas as áreas. Já criamos mais de 5 mil empregos diretos e indiretos somente com as ações de Governo desenvolvidas até agora. Aplicando medidas como a reforma tributária, simplificação do licenciamento e isonomia em incentivos fiscais, Mato Grosso tem atraído milhares de empresas para investir no estado. Foi a unidade da federação que mais abriu novas empresas (foram 21.040 só no primeiro quadrimestre de 2020) e que mais criou novos postos de trabalho, de acordo com o Ministério da Economia. E tudo isso de maneira sustentável, com respeito ao meio ambiente e às normas vigentes. A previsão, segundo metodologia de cálculo do BNDES, é que os nossos investimentos do Governo de Mato Grosso vão gerar um total de 54 mil empregos.

Como tudo isso foi e está sendo possível? Por meio de um ensinamento que repito constantemente: ninguém faz nada sozinho. Esses avanços só foram conquistados graças ao trabalho do nosso povo, dos nossos servidores, da gestão séria e focada em resultado que temos feito aqui no Executivo e também pela parceria que a Assembleia Legislativa e os demais poderes e instituições tem nos oferecido.

Em janeiro de 2019, quando assumimos o governo, encontramos uma situação caótica. Salários atrasados, 13º atrasado, UTIs fechando, viaturas da Polícia sendo recolhidas por falta de pagamento, repasses para fornecedores e para a saúde dos municípios atrasados há mais de 11 meses e quase R$ 4 bilhões de dívidas.

Ainda em 2019 conseguimos reverter esse quadro. Enxugamos secretarias, cortamos mais de R$ 1 bilhão em despesas, renegociamos contratos, economizamos, otimizamos nosso quadro de pessoal e fizemos uma reforma administrativa e tributária.

O resultado veio no mesmo ano. Pela primeira vez em 10 anos, em 2019 Mato Grosso fechou suas contas no azul, ou seja, gastou menos do que o arrecadado. Isso possibilitou voltar a pagar os servidores no dia 30 do mês trabalhado, pagar fornecedores e a saúde aos municípios rigorosamente em dia e retomar centenas de obras paradas há muitos anos.

Esse equilíbrio fiscal obtido em 2019 foi fundamental para que pudéssemos enfrentar o desafio que viria neste ano: a pandemia do coronavírus. Infelizmente muitas vidas foram perdidas, mas muitas outras foram salvas graças à seriedade com a qual tratamos o caso. Montamos um gabinete de situação e tomamos medidas equilibradas, que ajudaram a salvar vidas e ao mesmo tempo preservaram a economia e os empregos dos mato-grossenses.

Ampliamos o Hospital Metropolitano, montamos novas UTIs no Hospital Estadual Santa Casa e construímos e ajudamos a equipar centenas de UTIs em todo o Estado. Em poucos meses, triplicamos as UTIs existentes em Mato Grosso para que pudéssemos garantir o atendimento dos casos graves e compramos centenas de respiradores, conseguindo negociar preços até 200% menores do que os praticados em outros estados.

Investimos forte no tratamento precoce, medida que reduziu drasticamente as internações. Criamos o Centro de Triagem Covid-19, que oferece consulta, testes, exames, medicamentos e até tomografia se necessário, mesmo sendo a atenção básica uma responsabilidade da prefeitura. Enviamos mais de 600 mil testes (que conseguimos pagar de 3 a 11 vezes mais barato que os demais estados) a todos os 141 municípios, além de medicamentos às prefeituras que solicitaram. Essas ações fizeram a testagem da nossa população ser 434% maior que a média nacional. E agora estamos articulando todas as alternativas para trazer aos mato-grossenses uma vacina segura e aprovada pela Anvisa, o quanto antes.

Tivemos dois anos desafiadores, mas com muitas entregas para a população. Em 2021, muito mais está por vir nesse novo Mato Grosso que já vivemos. Um excelente final de ano a todos os mato-grossenses. Que Deus abençoe as nossas famílias.

Mauro Mendes

Governador do Estado de Mato Grosso

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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