Opinião
Conquistas difíceis são como Jabuticabeiras
Opinião
Por: Cynthia Lemos
O tempo passa… passa mesmo.
É incrível como lidamos com o tempo de forma passiva e extremista!
Queremos do tempo a velocidade da luz para entregar nossos sonhos ou a paciência de uma preguiça para congela-lo enquanto saboreamos o resultado de uma conquista, de um momento de prazer.
Sinto dizer, mais uma vez: “O tempo passa! Na mesma velocidade para qualquer uma dessas experiências.”
Virada do ano, todos movidos pela emoção do réveillon, dos ding-dongs natalinos, dos fogos de artifício, estamos a desejar um ano cheio de realizações. Neste momento prospectamos muitas conquistas à nós mesmos, muitas promessas, que geralmente não se concretizarão e serão os principais convidados e protagonistas da próxima festa de final de ano, com aquele discurso: “Acaba logo 2017… 2018… 2020… tantos anos… você foi um péssimo ano”.
Neste sentido estou a compartilhar contigo a nossa passividade em relação ao tempo. Que simplesmente é o tempo, o tic tac do relógio trazendo a notícia de que ele está passando, nem veloz, nem vagarosamente, mas a passar, no mesmo ritmo e compasso sempre! A dizer: “Eu sou o presente, o presente que você escolhe como vai usar a cada tic tac que passa.”
Não tem jeito, aqueles seus sonhos, desejos, objetivos e promessas de final de ano não dependem exclusivamente de um ano bom, do tempo. Aqueles sonhos que aqui chamo de -Conquistas Difíceis – só irão se concretizar se você quiser muito aquilo que você diz ser seu sonho!
Você precisa comparecer aos compromissos que agendou consigo mesmo. Depende exclusivamente de você – saber que não ser aquela pessoa que você sonha – tem lhe custado muito CARO, chega de pagar esse preço, de ficar do jeito que está, pare de esperar que o tempo se encarregue da mudança.
Será muito difícil mudar, depende do seu comprometimento, não da sorte de ter um bom ano!
Conquistas Difíceis são aquelas que só vão acontecer se você estipular um objetivo, o que eu quero e para que eu quero. Mantenha o foco, persista em ultrapassar os obstáculos, permaneça fiel a si mesmo, paciência ou melhor – muita paciência – para segurar aquela ansiedade por resultados mágicos (sem esforço) e principalmente: disciplina.
Por meio da disciplina é você conseguirá conquistar resultados difíceis e de valor, caso contrario viverá a ter resultados medíocres. Diferente das conquistas que fazemos com leveza, conquistas difíceis dependem de trabalho emocional para mudança de crenças, opiniões e ir contra convites confortáveis que aparecerão o tempo todo de todas as partes e não lhe trarão resultados nenhum, diria até resultados negativos.
É ser firme quando suas vontades e desejos preferem desistir ou deixar pra amanhã o que precisa ser feito hoje.
É entender que o tempo é determinante, pois quando falamos de Conquistas Difíceis é necessário um prazo maior para se concretizarem.
Diferente de conquistas fáceis, de resultado imediato e às vezes com a sensação até de mágico, as Conquistas Difíceis requerem tempo a mais.
Como uma jabuticabeira, que você planta, rega, aduba e o tempo passa, por vários momentos você chega a ter dúvidas se ela vai sobreviver, crescer, dar frutos, mas você continua a fazer o que tem que ser feito e depois de um tempo, quando você está tranquilo, em paz, fazendo outras coisas, continuando a cumprir o seu papel, “inesperadamente” (é lógico que não, mas a sensação é essa) ela floresce, então você agradece todo esforço, todo o tempo infinito, toda a glória daquele momento, daquele resultado que se mostra ali.
Assim somos em relação às Grandes Conquistas, as Conquistas Difíceis… se fizermos nossa parte disciplinarmente, diariamente, também vamos florescer e os frutos virão.
No próximo artigo compartilharei com vocês uma conquista difícil onde aproveitei esta reflexão para fazer mudanças profundas na minha vida e em uma empresa.
Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: cynthia@grandy.com.br
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
-
Política4 dias atrásRetrospectiva: Câmara aprovou no primeiro semestre regras para definir valor da pensão alimentícia
-
Cidades5 dias atrásPrefeito de Cuiabá recebe policiais que iniciam estágio operacional em Motopatrulhamento Tático
-
Política5 dias atrásPolícia Civil prende foragido por roubo em Poconé
-
Cidades5 dias atrásAvenida Miguel Sutil terá interdição para continuidade das obras do Complexo Leblon
-
Política5 dias atrásTribunal do Júri de Carlinhos Bezerra é remarcado após abandono da defesa durante sessão
-
Política5 dias atrásMedida provisória abre novo crédito orçamentário para ressarcir descontos indevidos em benefícios do INSS
-
Política4 dias atrásApós novo tarifaço dos EUA, medida provisória abre linha de crédito extra
-
Cidades5 dias atrásDecretos convocam plebiscitos para desmembramento de Nova Poxoréu e Ilhas de Ocupação


Você precisa estar logado para postar um comentário Login