Opinião
Comunicação está entre o dizer e o compreender
Opinião
*Por Catarina M. Theophilo
Em tempos em que tanto se fala sobre comunicação, é importante lembrar que ela é inerente ao ser humano. Comunicamos o tempo todo. Ainda assim, trata-se de um processo complexo que, quando mal conduzido, pode se tornar um instrumento perigoso.
Tudo comunica: o que é dito ou escrito, os gestos, a postura, as expressões faciais e até os silêncios. Quem comunica transmite informações, ideias e sentimentos. No entanto, quando não há consciência sobre esse processo, surgem ressentimentos e conflitos que poderiam ser evitados. Muitas vezes, sentimentos negativos são revestidos por palavras bonitas, o que gera incoerência entre o que se sente e o que se expressa.
A palavra comunicação deriva da ideia de “tornar comum”. Comunicar é compartilhar, criar um campo de afinidade, empatia e entendimento. Não basta falar ou escutar. A verdadeira comunicação acontece quando há encontro, quando duas ou mais pessoas conseguem, de fato, se compreender.
Quando a comunicação falha entre pessoas ou grupos, geralmente identificamos três barreiras principais: filtragem, ruído e bloqueio. A filtragem ocorre quando a mensagem é recebida apenas parcialmente. O ruído surge quando ela é distorcida ou mal interpretada. Já o bloqueio acontece quando a mensagem sequer é captada, interrompendo o processo comunicativo.
Há diversas razões para essas distorções. Nossas necessidades, crenças e experiências “colorem” aquilo que vemos e ouvimos. O problema surge quando idealizamos algumas pessoas e desvalorizamos outras. Dependendo de quem fala, a interpretação do receptor pode mudar completamente, transformando algo simples em um grande conflito.
Além disso, muitas vezes ouvimos apenas o que desejamos ouvir. Ignoramos mensagens que confrontam nossas convicções porque resistimos à mudança. Alterar hábitos, costumes e ideias pode parecer uma ameaça à nossa identidade, quando, na verdade, faz parte do nosso processo de crescimento.
Outro ponto relevante é o chamado problema semântico. A semântica, ciência dos significados, nos ensina que as palavras não têm o mesmo sentido para todas as pessoas. Uma mesma expressão pode evocar interpretações distintas, dependendo das experiências individuais.
As emoções também influenciam diretamente a comunicação. Quando estamos inseguros, aborrecidos ou receosos, tendemos a perceber as mensagens como mais ameaçadoras do que realmente são. Já quando nos sentimos seguros e em paz, nossa escuta se torna mais aberta e equilibrada.
Desenvolver uma comunicação eficaz exige prática e disposição. É fundamental checar se aquilo que dizemos foi realmente compreendido e confirmar se o que ouvimos corresponde ao que foi efetivamente dito. Embora esse processo possa parecer demorado, nada é mais valioso do que uma comunicação clara e autêntica.
Saber ouvir é uma habilidade preciosa, especialmente quando a mensagem recebida contraria nossas expectativas ou interesses. A empatia, por sua vez, deve ser cultivada ao longo de toda a vida. Colocar-se no lugar do outro e compreender o que ele sente e busca expressar é, sem dúvida, uma das maiores competências no processo de comunicação e na evolução humana.
Outro aspecto essencial é reconhecer o momento oportuno para transmitir uma mensagem. O timing pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma conversa. As palavras precisam ser coerentes com as ações, simples, diretas e livres de redundância.
Diante dessas reflexões, torna-se evidente que a comunicação é muito mais abrangente e complexa do que imaginamos. Em tempos de inteligência artificial, tecnologias emergentes e excesso de informação, é urgente desacelerar e refletir: estamos realmente nos comunicando ou apenas trocando mensagens?
*Catarina M. Theophilo é psicóloga e terapeuta, com mais de 30 anos de experiência. Atua também com os Florais de Minas, integrando cuidado emocional e desenvolvimento humano em sua prática profissional.
Opinião
O poder da caneta
Na política, a caneta é sempre apresentada como sinal de comando. Ela nomeia, exonera, define cargos e reorganiza estruturas. Mas, na prática, ela também revela outra coisa; o tamanho da insegurança de quem governa quando percebe que a base está rachando.
O que se desenha nos bastidores é um enredo conhecido. Na campanha, um grupo se une, alianças são firmadas e uma figura central ajuda a sustentar o projeto, somando força, agenda e articulação. Depois da vitória, o cenário muda. Quem foi importante passa a ser tratado como detalhe. Não há rompimento oficial, nem discurso duro, só um afastamento silencioso, feito de ausência, gelo e decisões tomadas sem consulta.
Ao mesmo tempo, cresce a tensão com quem deveria ser pilar de sustentação política. A relação, que deveria ser ponte, vira disputa de força. E quando isso acontece, o governo deixa de administrar para começar a reagir.
O passo mais recente elevou o tom; uma sequência de exonerações atingindo até indicados de aliados. Não se trata de cortar adversários, mas de atingir gente do próprio grupo, sob a justificativa informal de “traição”, “fogo amigo” e “gente jogando dos dois lados”.
Só que governar pela suspeita tem custo alto. A partir do momento em que o governo começa a enxergar inimigos dentro de casa, a confiança vira moeda rara. E, sem confiança, ninguém trabalha por projeto, trabalha por medo.
A caneta pode até cortar rápido, mas ela não costura. Ela afasta, mas não reconstrói. Ela impõe, mas não sustenta. E a política costuma ser cruel com quem troca articulação por decreto.
A caneta resolve o hoje, mas não garante o amanhã. A força de um governo não está apenas na assinatura, está na capacidade de manter aliados, recompor crises e segurar a própria base.
A caneta manda, sim. Mas existe um detalhe que o bastidor nunca esquece “uma hora, a tinta acaba.”
Kelly Silva é Jornalista e Pós graduada em Alta Política.
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