Opinião
Cifose – Sintomas, causas e tratamento
Opinião
Dr. Carlos Augusto Costa Marques
Nossa coluna vertebral é dividida em três grandes regiões: cervical, torácica e lombar. Cada uma dessas partes possui uma curvatura própria, que é natural, e perceptível quando vista de lado. Esse formato curvo, ajuda a absorver as cargas aplicadas à coluna pelo peso do corpo. O pescoço (coluna cervical) e a região lombar têm uma curvatura interna chamada de lordose, em forma de C. Já a região entre essas duas, a parte torácica, tem sua curvatura no sentido oposto, que é chamada de cifose. Mas, se a cifose é uma curvatura normal da coluna, por que é o nome de um diagnóstico? Eu sei, pode parecer confuso às vezes. Quando utilizamos o termo cifose para falar de um “problema” de coluna, estamos falando da hipercifose, aquela anormal, exagerada. Essa, sim, pode causar danos à saúde e ao bem-estar do paciente. No entanto, a boa notícia é que existe um tratamento. Sendo assim, este artigo foi feito para abordar os principais pontos a respeito da cifose anormal. Acompanhe todos os detalhes!
Quais são os sintomas da cifose?
Quem tem deformidade na cifose apresentará esse problema através de, o que chamamos de, uma corcunda. Quando é muito evidente, o primeiro sinal é a aparência. A deformação se instala aos poucos e não necessariamente vem acompanhada de sintomas. Quando eles se manifestam, os mais comuns são:
- dores na região torácica;
- fadiga;
- rigidez nas costas.
Na maioria das vezes, esses sintomas permanecem, ou seja, não progridem e pioram com o tempo. Em contrapartida, a cifose pode piorar e progredir na má postura, deixando a curvatura ainda mais proeminente. Dessa forma, depois de algum tempo a coluna pode facilmente comprimir a medula espinhal. Se isso acontecer, alguns sintomas neurológicos podem se manifestar, como fraqueza ou perda do controle do intestino e bexiga. Além disso, os casos mais graves de cifose torácica também podem diminuir a quantidade de espaço no peito, o que causa problemas cardíacos e pulmonares. Logo, haverá dores no peito ou falta de ar com insuficiência pulmonar ou cardíaca.
Qual é o tratamento para a cifose anormal?
O tratamento varia a depender da gravidade do problema. No entanto, não é necessário se preocupar, o tratamento não cirúrgico é o mais comum. São indicados analgésicos leves e anti-inflamatórios para ajudar com os sintomas. A fisioterapia também é realizada em complemento à medicação. Com isso, essas curvas não pioram com o tempo, não levam a complicações e a cirurgia será desnecessária. Após os cuidados iniciais, se o paciente ainda estiver com essa curvatura exagerada crescendo, uma cinta pode ser eficaz durante o tratamento. Da mesma forma, há recomendação de aparelhos externos em casos com curvas de pelo menos 45 graus, podendo ser realizados até que não haja mais o crescimento. Por fim, os exames de raio-X são frequentemente usados para monitorar o grau de cifose ao longo do tempo. Há sim alguns casos em que os médicos recomendam cirurgia para cifose. O objetivo da cirurgia é corrigir parcialmente a deformidade, aliviar a dor e melhorar o alinhamento geral da coluna vertebral. Além disso, as indicações para a cirurgia só existem quando a curvatura é superior a 75 graus, a dor insuportável, ou que o paciente tenha queixas neurológicas, cardíacas ou pulmonares. O tratamento cirúrgico, quanto mais cedo for realizado terá melhores resultados. Por isso, ao notar alguns desses sintomas acima mencionados, procure um médico imediatamente. Somente ele poderá dar o diagnóstico certo para cada situação. Mesmo não sendo o caso de cirurgia, quanto antes for detectada, mais fácil será corrigir o problema.
*Dr. Carlos Augusto Costa Marques – Cirurgião da Coluna Vertebral em Cuiabá
Foto: Ilustração – http://www.carloscostamarques.com.br/cifose-sintomas-causas-tratamento/
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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