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Brasileiros seguem fortes na Libertadores

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Por: Guilherme Arcoverde
Faltando apenas o Palmeiras, Grêmio e Chapecoense decidirem a classificação na última rodada (os três podendo se classificar em primeiro), os brasileiros possivelmente se classificarão para as oitavas de final da Libertadores, com exceção ao Flamengo-, caindo de forma inesperada na primeira fase.
Vale aqui uma ressalva especial ao Botafogo. Na base da superação, embora no seu limite, o Glorioso vem desbancando adversários tradicionais, e isso já vem desde a fase classificatória. Méritos totais ao Jair Ventura. Um ano a frente da equipe. Com sua capacidade e carisma vai ganhando o elenco. Até onde vai o alvinegro eu não sei, porém vai ainda mais forte para as oitavas de final.
Diferente do Botafogo, o Flamengo conseguiu ser eliminado mais uma vez na fase de grupos. Com o elenco de muito mais nome, ficou a frustração da saída precoce do rubro-negro. Fazer o quê? O ano não acabou. É levantar o moral, manter o Zé Ricardo e jogar as outras competições que tem pela frente. Time ainda tem para ser campeão de todos os campeonatos que disputar.
É impressionante a facilidade que esse time do Atlético Mineiro tem para jogar bola. Muita qualidade ofensiva. Dá gosto de ver o Galo jogar. Passeou no seu grupo, embora fosse fraco. A prova de fogo será nas fases eliminatórias contra equipes mais fortes. Vejo o clube mineiro como um dos favoritos a levar a Libertadores.
Palmeiras vêm ganhando os jogos, mas com muita dificuldade. Tem time para ganhar mais tranquilo. Até mesmo uma derrota por um gol de diferença contra o Atlético Tucumán garante o clube do Palestra Itália nas oitavas. Cuca agora acertando de vez esse time, vira uma máquina.
A grande façanha ficou por conta do Atlético PR. Tinha que vencer o Universidad Católica lá no Chile que, digamos, uma tarefa complicada. Num jogo eletrizante, cheio de reviravoltas, acabou vencendo por 3×2, se classificando e, de quebra, deixando o outro adversário brasileiro e favorito, Flamengo, para trás. De desacreditado a classificado. Parabéns ao Furacão!
Olha que bacana a Chape ganhando uma sobrevida. Conseguiu vencer o difícil Lanús em plena Argentina. Se vencer em casa na última rodada, se classifica. Vamos, vamos, Chape!!!
Já o Santos foi heroico. Teve que jogar contra dois adversários: o The Strongest e a alta altitude na Bolívia. Terminou o primeiro tempo perdendo por 1×0, porém no segundo, conseguiu o empate na raça. Com o empate de 1×1 o alvinegro praiano se garantiu nas oitavas de final com um jogo de antecedência. Bravo Santos!
Para fechar a participação dos brasileiros na Libertadores, o Grêmio também vem sobrando. Basta vencer o Zamora na última rodada que terminará em primeiro. Convenhamos, é um resultado muito provável de acontecer, né?
A Libertadores desta edição está mais tranquila para um time brasileiro chegar lá. Basta saber jogar!
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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