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Assembleia no combate à pandemia

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Por: Eduardo Botelho 

 

Muitas vezes passamos por momentos difíceis. E, quando temos algo inédito, inesperado, não planejado, encontramos mais dificuldades ainda. Neste caso sempre temos duas escolhas: esperar ou enfrentar com as armas e a coragem que possuímos. A Covid-19 chegou no Brasil e, em Mato Grosso mudando toda a rotina. A Assembleia Legislativa do Estado optou por enfrentá-la com todo o rigor que a nova rotina requer. Sessões pelo método online, servidores do grupo de risco afastados e em home office, testes e desinfecção do prédio.

O fato é que estamos passando por um momento histórico, em detrimento ao que se tornou a pandemia do coronavírus! Um inimigo invisível, fatal para milhares de pessoas no mundo. É como o próprio ex-ministro da Saúde, Luiz Mandetta falava quando ocupava o cargo: “O século vai se dividir em antes e depois do coronavírus”.

Então, como agir com a celeridade que o momento pede? São muitos os questionamentos. Aqui no Parlamento, desde o início da suspensão das atividades para conter a proliferação do vírus em Mato Grosso somamos esforços para ajudar. Desde o dia 18 de março, quando convoquei a primeira sessão extraordinária remota, com a participação dos 24 deputados, muitas ações vêm sendo realizadas graças à votação dos projetos que deram celeridade e condições ao Governo para enfrentar a pandemia. A exemplo da reforma e ampliação do Hospital Metropolitano de Várzea Grande num prazo recorde. Além do repasse de 10 milhões de reais da Assembleia Legislativa à obra, o trabalho em Plenário, eliminou a burocracia do processo licitatório.

A Assembleia Legislativa está nessa luta intensamente. Com ações enérgicas para ajudar Mato Grosso a superar a pandemia de maneira menos dolorosa. Sim, debatemos e aprovamos mais de 100 projetos de lei diretamente necessários ao combate da Covid-19. Inclusive, chegamos a propor ao governo a criação da Central Única de Regulação, para que o tratamento dos infectados pela Covid-19 seja mais rápido e eficaz.

E como reforço, também fizemos cortes profundos nos gastos da Casa de Leis para economizar e, assim, devolver R$ 30 milhões ao governo para investir, exclusivamente, no combate à pandemia. Estamos muito satisfeitos que desse valor, R$ 10 milhões foram investidos à ampliação do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, que passa a disponibilizar mais 210 leitos, sendo 180 de enfermarias e 30 de UTI.

Vale lembrar que ainda não vencemos a batalha. Sabemos que o que vem pela frente é muito grande, com forte impacto na saúde e economia. Contudo, envidamos ações para minimizar a situação, seja na questão sanitária, no reforço estrutural da saúde, no socorro financeiro ao Estado ou com medidas para apoiar os setores econômicos.

Outra preocupação se refere à nossa gestão junto aos Poderes para ajudar os professores interinos, aqueles que não tiveram o contrato efetivado pelo Executivo e passam por necessidade financeira. Chegamos a pensar na aprovação de uma ajuda de custo até o retorno das aulas. Criamos um comitê estratégico para analisar a possibilidade do momento certo da volta às aulas com segurança.

É certo que essa pandemia deixará marcas profundas em nosso país e em Mato Grosso. O enfrentamento nos proporciona dias difíceis, de muito trabalho, mas ao mesmo tempo, reascende nossas esperanças ao ver o empenho de todos nessa luta. A exemplo da criação do Observatório Socioeconômico, comissão mista que acompanha os impactos econômicos e sociais. A nossa mobilização junto ao setor produtivo, através da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), resultou na doação de milhares de Equipamento de Proteção Individual – EPI para abastecer hospitais e outros setores, como o da Segurança Pública.

Paralelamente, decretamos luto oficial no âmbito do Poder Legislativo Estadual, em solidariedade às famílias que perderam seus entes queridos e que não tiveram oportunidade do último adeus.

Graças a esse trabalho e união dos poderes constituídos, somados à contribuição da sociedade, que precisa respeitar o isolado social, seguimos firmes no combate à pandemia. Algumas atividades estão sendo retomadas, mas de nada valerá tanto esforço, se a sociedade relaxar e não seguir os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde – OMS. Lembre-se: o vírus está aí, mas depende de cada um de nós agir com responsabilidade para ganharmos essa guerra.

Sei que nós, mato-grossenses, gostamos de um abraço forte, de apertar a mão firme. Mas, no momento não podemos. Precisamos cumprimentar de longe, respeitar o distanciamento, usar máscara e, se puder, ficar em casa. Dessa forma, tenho certeza que o momento é de união e com as bênçãos do nosso Senhor Jesus Cristo, juntos, vamos vencer o coronavírus!

*Eduardo Botelho é presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual pelo DEM

 

 

Foto: SECOM-ALMT

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar



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