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A alimentação, as fibras e nosso intestino

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Foto: Assessoria/Divulgação

Se alimentar de forma saudável e equilibrada é essencial para garantir qualidade de vida. Isso porque, além de fornecer energia e bem-estar geral, através de uma boa alimentação é possível prevenir e combater doenças, manter o peso corporal saudável e ter um bom desenvolvimento físico.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), tudo o que comemos será absorvido pelo intestino, ou não. E para que haja um bom funcionamento intestinal devemos ingerir quantidade suficiente de fibras e água. Fibras são os componentes contidos nos vegetais que, por não serem digeridos totalmente pelo intestino, ajudam a segurar, no bolo fecal, uma parte da água ingerida. Fibras e água, em conjunto, proporcionam a formação adequada das fezes e, com isto, o bom funcionamento intestinal: nem muito rápido, nem muito lento.

O intestino preguiçoso não é bom porque permite o contato e absorção de elementos indesejáveis pela mucosa intestinal, como por exemplo, de gorduras em excesso e substâncias cancerígenas. O funcionamento rápido, por outro lado, diminui a absorção de água e nutrientes.

As fezes ricas em fibras fazem esta esponja progredir melhor, estimulando o funcionamento intestinal, ao mesmo tempo em que ajuda a eliminar as substâncias que fazem mal à saúde e uma alimentação balanceada e rica em fibras pode proporcionar bem-estar e proteção ao organismo.

Há dois tipos de fibras, que são as insolúveis e as solúveis em água. As fibras insolúveis dão a textura firme de alguns alimentos, como o farelo de trigo, frutas, verduras e as hortaliças. 

Estas fibras retêm uma quantidade maior de água, produzindo fezes mais macias e com mais volume. Desta forma, ajudam o intestino a funcionar melhor. As principais fontes são os farelos de cereais, os grãos integrais, nozes, amêndoas, amendoim, vários tipos de frutas (pera, maçã com casca, etc.) e as hortaliças (ervilha, cenoura, brócolis).

As fibras solúveis são mais macias. Depois de ingeridas, elas se transformam em gel, permanecendo mais tempo no estômago e dando uma sensação maior de saciedade. Esse gel atrai as moléculas de gordura e de açúcar, que são eliminadas pelas fezes. Então, as fibras solúveis ajudam a reduzir os níveis de colesterol e glicemia do sangue. São encontradas nas leguminosas (feijão, lentilha, ervilha), nas sementes, nos farelos (aveia, cevada, arroz), nas frutas e hortaliças (cenoura, batata).

O ideal é que nossa alimentação contenha, diariamente, em torno de 45 g de fibras para assegurar um bom funcionamento do intestino.

É muito importante ingerir água para evitar que as fezes fiquem duras.

Outras vantagens da dieta balanceada

As fibras solúveis ajudam muito a reduzir o colesterol. Por exemplo, a aveia é recomendada no tratamento para redução de colesterol associada a uma dieta pobre em gorduras.

Por outro lado, o azeite de oliva (gordura monoinsaturada) reduz o colesterol ruim e preserva o bom colesterol. Apresenta também a vantagem de lubrificar o bolo fecal facilitando sua progressão

Cuidado com os açúcares e os alimentos dietéticos, que podem causar diarreia. Leite e derivados, tais como queijos e manteiga, podem causar diarreia ou flatulência. Esses sintomas são mais fortes em pacientes com intolerância à lactose. Produtos com cafeína (café e refrigerantes) podem acelerar a passagem do bolo fecal no intestino e devem ser consumidos com atenção e sem exagero.

Câncer colorretal

Ainda segundo a SBCP, as fibras protegem contra o câncer colorretal. Como já relatado, cereais (farelos ou integrais) e outras fibras alimentares contidas em frutas, vegetais, legumes e castanhas podem reduzir a incidência de pólipos intestinais.

A carne vermelha, que contém grande teor de gordura, deve ser consumida com cuidado.

As gorduras das carnes podem aumentar o nível de colesterol ruim. Outro problema relacionado com o consumo de carne é uma maior exposição ao câncer colorretal. Indivíduos que consomem carne com gordura e muito bem passada têm chance maior de ter câncer de intestino. Acredita-se que essa gordura modificada possa causar algum tipo de lesão no intestino e assim desenvolver câncer. Lembre-se de consumir mais frango e peixe.

Cada pessoa apresenta uma reação ao consumir diferentes tipos de alimentos. Por este motivo pode ser necessário que uma alimentação específica seja orientada por um profissional.

Não deixe de conversar com seu nutricionista ou seu médico, especialmente se você notar algum desconforto quando consome certos alimentos ou se o seu intestino não está funcionando bem.

Não use medicações laxantes por conta própria. Faça uma alimentação saudável e consulte um profissional sempre que tiver dúvidas.

Fernanda Branco e nutricionista e integra as equipes da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde e IGPA

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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

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Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



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