Mato Grosso
“Vereador ostentação” de Nobres fez apenas duas indicações em 2019
Mato Grosso
Da Redação
Recentemente foi divulgado a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD Continua), na qual foi iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na qual mostrou que mais da metade da população brasileira sobrevive com apenas R$ 413 mensais.
De acordo com a pesquisa, são 53% da população brasileira, número que equivale a mais de 104 milhões de pessoas, por outro lado, se este montante de brasileiros precisa se virar com o pouco que tem, 1% da população podem esbanjar, já que possuem uma renda média mensal de R$ 16.297 por pessoa.
Mesmo levando em conta está realidade, muitas pessoas parecem não estar preocupadas com tamanha desigualdade e tampouco se a população precisa se “virar nos 30” para sobreviver.
Não é incomum vermos pessoas ostentando suas “posses” principalmente após o surgimento das redes sociais, se o ato de ostentar, por si só, já é repulsivo, imagine quando isso parte de um vereador.
Esse é o caso do vereador de Nobres (123 km de Cuiabá), Nilson Dias Pedrozo, ou melhor, o Nilson Filho (PSD), como é conhecido resolveu ostentar e mostrar para todos o quão legal são as benesses do dinheiro.
Em um vídeo gravado está semana e divulgado pelo site Biorosário, o vereador aparece ostentando uma bolada que chega aos R$ 30 mil. Ao som de uma boa e velha música sertaneja o parlamentar nobrense segura os maços de dinheiro, ao lado aquela velha e boa cerveja que todo brasileiro gosta, em certo momento ele exclama: “To meio quebrado hoje”. Em um típico tom de deboche, o parlamentar joga as notas no chão dizendo que “não aguenta dinheiro”.
O vereador não explica claramente de onde é o dinheiro, porém, em determinado momento do vídeo ele afirma que as notas seriam oriundas da venda de uma égua.
Nilson Filho foi eleito em 2016 com 379 votos, e foi naquele pleito, o vereador mais votado da cidade, porém o que chama a atenção, é que no site Divulgação de Contas (www.divulgacontas.tse.jus.br) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vereador não tem nenhum bem declarado, já na declaração de bens de 2012, o vereador afirma ter um veículo Voyage no valor de pouco mais de R$ 38 mil.
Em relação a sua ocupação, no site consta que ele é locutor e comentarista de rádio e televisão, ele também é irmão da ex-vice-prefeita de Nobres, Paula Dias, morta em outubro de 2018 após um grave acidente de carro.
Nossa equipe aproveitou a oportunidade para tentar saber como é a atividade parlamentar do vereador que ganha um salário base de R$ 4.500 todos os meses, além de uma boa verba indenizatória no valor de R$ 2.750. Por conta precariedade em relação a transparência no site da Câmara Municipal de Nobres, fonte das informações que tentamos coletar, apenas tivemos acessos as indicações referentes ao ano de 2019, onde na sessão “indicações” estão registradas apenas 33 indicações dos vereadores da casa de leis.
Destas trinta e três indicações, apenas duas são de autoria do vereador Nilson Dias, e outras cinco, ele assina juntamente com outros vereadores. Suas únicas duas indicações em todo o ano de 2019, solicitam ao prefeito de Nobres, Leocir Hanel (PSDB) pavimentação asfáltica para dois bairros da cidade. É uma grande pena que não haja a informação referente aos outros anos, seria interessante saber se o vereador manteve este índice nos demais anos.
De qualquer forma, o vereador usou e abusou dos seus R$ 30 mil em notas de R$ 50 e R$ 100, resta agora saber se o mesmo declarou o valor ao Imposto de Renda (IR), afinal, sonegação é crime, ainda mais vindo de um vereador eleito.
Atualização [14:54]: Entramos em contato com o vereador e ele nos informou que tudo não passou de uma brincadeira entre amigos e que o dinheiro não pertence a ele. Disse ainda que não efetuou a venda de nenhum animal e que acredita que o vídeo foi divulgado para prejudicar seu trabalho por ser vereador.
Foto:
Mato Grosso
Membros discutem aplicações da IA no Tribunal do Júri
Ferramentas capazes de resumir processos, organizar provas, elaborar apresentações e auxiliar na construção de teses para o Tribunal do Júri estiveram no centro dos debates do colóquio “IA no Júri”, realizado nesta sexta-feira (9) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).O encontro reuniu membros do Ministério Público Brasileiro para compartilhar experiências sobre o uso da inteligência artificial como aliada da atuação ministerial, sem abrir mão da supervisão humana e dos cuidados éticos exigidos pela atividade.Promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, em parceria com o Centro de Apoio Operacional (CAO) Júri e a Confraria do Júri, o evento teve como palestrante o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto, que apresentou aplicações práticas da inteligência artificial na atividade ministerial, especialmente na preparação de julgamentos perante o Tribunal do Júri.Na abertura, o coordenador do CAO Júri, promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais, ressaltou a importância do compartilhamento de conhecimento e destacou os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia.Segundo o promotor de Justiça, a inteligência artificial tem reduzido significativamente o tempo necessário para a preparação dos casos. “Tenho reduzido de forma considerável o tempo de estudo e melhorado muito a qualidade dos meus júris”, afirmou.Ao longo da exposição, o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto demonstrou como diferentes plataformas podem ser utilizadas para analisar processos, organizar elementos probatórios, gerar apresentações para plenário, elaborar documentos e apoiar a construção de estratégias argumentativas. Para o palestrante, o avanço da tecnologia exige adaptação dos profissionais do Direito. “A inteligência artificial veio para ficar. Temos que nos adaptar”, destacou.O promotor também enfatizou que a utilização dessas ferramentas representa uma oportunidade para otimizar o trabalho dos membros do Ministério Público sem substituir a análise humana.“É um ganho imensurável de tempo, que é o nosso bem mais precioso”, observou. Ele ainda alertou sobre a necessidade de revisão constante dos conteúdos produzidos pelas plataformas. “Por mais confiável que a IA seja, sempre faço uma revisão do texto”, ressaltou.Durante o debate, também foram abordados aspectos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), à segurança das informações e aos limites éticos para o uso da inteligência artificial na atuação ministerial. A discussão reforçou a importância de que as ferramentas tecnológicas sejam empregadas como apoio ao trabalho jurídico, sempre sob supervisão dos membros do Ministério Público.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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