Mato Grosso
Quase uma tonelada e meia de maconha é apreendida entre carga de ração animal
Mato Grosso
Com o motorista, que alega não saber da droga, foi apreendido também cartão com chip da Bolívia, quatro documentos de diferentes veículos e dois cheques no valor de R$ 22.700,00 e R$ 15.000,00.
Da Redação
Um caminhão V/W placa de Redenção (PA) foi apreendido pela Polícia Militar de Mato Grosso em General Carneiro (a 455 km de Cuiabá) com 1.300 kg de maconha. A droga, distribuída em 1.417 tabletes e 33 pacotes, estava no meio de ração animal, que teria sido carregada na cidade de Dourados (MS) com destino ao Pará. Uma denúncia obtida pela Polícia Civil do Paraná (Denarc) monitorou o percurso do veículo, com apoio da Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso do Sul até a localização do mesmo, pela PMMT por volta das 17h de sábado (01.12).
A abordagem foi realizada na saída da cidade de General Carneiro seguindo as características repassadas do veículo. O suspeito que conduzia o caminhão, Lhauson Franke Severino dos Santos, 44 anos, é morador de Goiânia e agiu na abordagem com bastante tranquilidade, conforme relatado no Boletim de Ocorrência, afirmando que não havia nada de irregular com a carga. Mas apresentou nervosismo quando soube que a carga seria vistoriada.
A princípio o veículo e o motorista foram encaminhados para a delegacia de General Carneiro para a retirada da lona e parte da carga para a devida conferência. Após a retirada de aproximadamente 60 sacos de ração, tornaram-se visíveis diversos fardos da droga entre a carga.
Na sequencia, com apoio da Força Tática, PRF e PJC-MT o caminhão foi levado para a cidade de Barra do Garças para a verificação em maior segurança, por conta do efetivo de militares. Eles puderam contabilizar 1.450 porções (cerda de 1.300 kg) conforme detalhado, em maconha não prensada.
O motorista teria alegado que não sabia da droga, que está com o caminhão a aproximadamente 40 dias e que na maioria das vezes realizava o transporte de frutas. Que um dos últimos carregamentos teria sido de sementes de capim branqueara de Goiânia até a divisa do Brasil com a Bolívia, descarregando em uma fazenda da região. Posteriormente, de Cáceres para Naviraí, levou uma carga de papelão, passando pelas cidades de Coronel Vivida e Campo Grande. Disse ainda, que em Naviraí a PRF teria suspeitado de seu caminhão, que na ocasião foi descarregado e teria recebido multas por falta de adequações no veículo para o transporte, e que foram realizadas algumas mudanças no caminhão para poder continuar rodando. Após isso, foi até Dourados (MS) para carregar o veículo com ração animal com destino a São Felix do Xingu (PA). O carregamento teria sido acompanhado por ele (Lhauson Franke Severino dos Santos), mas teria se ausentado na hora de enlonar a carga.
O suspeito, que está em liberdade há pouco tempo, devido a um furto em Goiânia, foi encaminhado para a Central de Atendimento, algemado, por receio de fuga por se tratar de grande quantidade de droga. Também foram apreendidos R$ 771,00, um cartão com chip telefone da Entel da Bolívia, dois celulares, cartões bancários e documentos do suspeito, quatro documentos de veículos distintos, sendo cada um correspondente a uma placa veicular e dois cheques, um do banco Bradesco no valor de R$ 22.700,00 e outro do Sicoob de R$ 15.000,00 rasgado ao meio.
Mato Grosso
Júri condena trio a mais de 68 anos pela morte de Zampieri
Após três dias de julgamento e a análise de um processo com mais de 55 mil páginas, o Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá condenou três acusados de serem executores e intermediários da morte do advogado Roberto Zampieri. As penas somadas alcançam 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão. Antônio Gomes da Silva foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, Hedilerson Fialho Martins Barbosa a 25 anos de reclusão e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas a 21 anos, 10 meses e 15 dias. A decisão foi proferida às 00h49 da madrugada desta sexta-feira (2), ao término dos debates entre acusação e defesa e da deliberação dos jurados.Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), além do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).Ao longo de três dias de julgamento, jurados acompanharam depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus, exposição de provas e sustentações orais das partes.No primeiro dia de julgamento, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, responsáveis por etapas da investigação, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. As oitivas abordaram a dinâmica da execução do crime, o papel atribuído a cada acusado e os elementos reunidos durante a apuração.O segundo dia foi dedicado aos interrogatórios dos réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Já no terceiro dia, acusação e defesa apresentaram seus argumentos finais aos jurados. Durante a réplica, os promotores de Justiça reforçaram provas que, segundo a acusação, demonstraram a participação dos três condenados na execução do homicídio. Entre os elementos destacados esteve o rastreamento da movimentação financeira relacionada ao crime. Conforme sustentado pelo Ministério Público, ficou comprovado o pagamento de R$ 124.250,00 antes da execução e outros R$ 60 mil após o homicídio. Segundo a acusação, os valores tiveram origem nos recursos pagos pelos apontados mandantes do crime.Também foi destacado durante os debates que, ao longo das investigações, surgiram elementos indicando que Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria solicitado valores entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não entregassem os mandantes às autoridades.Ao defender a condenação dos acusados, o promotor de Justiça Samuel Frungilo ressaltou a robustez do conjunto probatório reunido ao longo da investigação e da tramitação processual. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins destacou o planejamento empregado para a execução do crime e a gravidade da conduta atribuída aos acusados. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, sustentou.Conforme a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de ter participado da execução do plano criminoso, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondeu à acusação de integrar a empreitada criminosa.Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três réus pelo homicídio de Roberto Zampieri. Os jurados condenaram os acusados e reconheceram todas as qualificadoras apresentadas na denúncia: homicídio cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e com utilização de arma de fogo de uso restrito.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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