Esporte
‘Não sou ultrapassado’, diz Felipão após título do Palmeiras
Esporte
Técnico ficou com a imagem manchada após sofrer 7 a 1 na Copa do Mundo do Brasil e por conta de temporada na China
Da Redação
Na entrevista que deu após o jogo com o Vasco, o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, procurou dividir os méritos da conquista do Campeonato Brasileiro com seu grupo de jogadores. Ele negou que o título nacional, assegurado com o triunfo por 1 a 0 em São Januário, sirva como uma espécie de resposta aos críticos que lembram a derrota da seleção por 7 a 1 na Copa de 2014, diante da Alemanha, quando ele era o técnico da equipe nacional.
“Não, não precisava disso (resposta) não. Quando a gente terminou o campeonato mundial a gente sabia, sabe que um resultado daqueles marca nossa vida e da seleção”, disse Scolari. “As pessoas pensam ou imaginam que aquilo vai ficar marcado pro resto da minha vida. Não vai ficar.”
Felipão afirmou ainda que não se incomoda com os que o chamam de ultrapassado. “Não sou ultrapassado. Não sou o melhor, não sou o pior, eu sou um bom técnico, tenho métodos iguais aos outros. Mas só que, quando vejo as pessoas comentando que o método de treinamento é ultrapassado… Primeiro lugar que desde que estou no Palmeiras ninguém assiste meus treinamentos. Mas eu fico ouvindo e deixo falar”, comentou.
O treinador também comentou sobre como o Palmeiras mudou a partir de sua chegada à equipe, na reta final do primeiro turno do Brasileirão. “Eu diria que uma palavra um pouco mais forte no vestiário, uma cobrança mais incisiva em alguns detalhes, um trabalho bem feito pelas pessoas que trabalham a parte física, técnica e de fisiologia do Palmeiras.”
Felipão disse ainda que o grupo precisou entender que era preciso “cumprir ordens”. E, nesse momento, fez referência ao presidente eleito Jair Bolsonaro. “Precisava da vontade deles (dos jogadores), da determinação em cumprir ordens. E cumprir ordens a gente trilha caminhos muito bons. Espero que nosso Brasil também cumpra ordens sob nossa nova presidência, e aí vamos trilhar um caminho melhor”, comentou o técnico campeão brasileiro.
Fonte: Estadão Conteúdo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,nao-sou-ultrapassado-diz-felipao-apos-titulo-do-palmeiras,70002621719
Foto: Fábio Motta/Estadão
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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