Mato Grosso
Defesa de Selma Arruda tenta impedir que Fávaro assuma senado provisoriamente
Mato Grosso
Da Redação
A defesa da senadora cassada Selma Arruda (Podemos) manifestou contrariedade à ação protocolada pelo Partido Social Democrático (PSD) no Supremo Tribunal Federal (STF) onde pede que o candidato que ficou em terceiro lugar nas eleições de 2018 assuma a vaga deixada por Selma. A ação pede que Carlos Fávaro (PSD) tome posse provisoriamente até que a eleição suplementar para o Senado seja realizada.
Em um documento protocolado nesta sexta-feira (10) a defesa da ex-juíza argumentou que tal recurso não seria cabível, já que Selma ainda está ocupando o cargo e que a senadora ainda tem direito a ampla defesa na casa. “A Constituição Federal prevê um rito específico para que seja declarada a perda do mandato, com as garantias inerentes à ampla defesa. Desconsiderar ou suplantar tal rito implica em grave ameaça à separação dos poderes e à autoridade constitucional do Senado Federal”, afirma o trecho do documento.
A defesa utilizou o próprio acórdão que cassou o mandato de Selma Arruda para argumentar a contrariedade do pedido, segundo a defesa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rechaçou a tese que tratava da posse do terceiro colocado de maneira provisória, lembrou ainda que tal raciocínio prevaleceu no voto dos ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e a ministra Rosa Weber.
O pedido do PSD para que Fávaro assuma a vaga aconteceu na segunda-feira (06) sob a alegação que o Estado estará “subrepresentado” no Senado Federal. Para a defesa de Fávaro, a decisão do TSE de manter vaga a cadeira do Senado até que seja realizada uma nova eleição em Mato Grosso viola os princípios constitucionais, nos quais garantem que todos os Estados e o Distrito Federal, tenham o mesmo número de representantes.
Na última terça-feira (07), o governador de Mato Grosso Mauro Mendes (DEM), também ingressou com um pedido junto ao STF para que Carlos Fávaro assuma provisoriamente a vaga, no pedido, o governo argumentou que a falta de um representante do Estado no Senado Federal, traria sérios prejuízos a Mato Grosso
“Daí, é de se indagar: seriam legítimos acordos relevantes em nosso país, em um contexto em que alguns entes federativos não gozam da integralidade de suas bancadas na Câmara Alta de nosso Congresso Nacional? Uma repactuação do nosso federalismo fiscal ou a redistribuição de royalties de petróleo ou de compensações financeiras poderiam ser reputadas como válidas? Para dizer o mínimo, as decisões políticas nesse cenário estariam sob suspeição, o que poderia comprometer a segurança jurídica dessas deliberações e revelar-se-ia assaz perniciosas para a manutenção das instituições democráticas”. Afirma trecho da ação.
Carlos Fávaro ficou em terceiro lugar nas eleições de 2018, na ocasião ele obteve 15,80% (434.972) dos votos válidos e ficou atrás de Selma Arruda que obteve uma votação recorde, foram 24,65% (678.542) dos votos válidos, seguida do senador Jayme Campos (DEM) que obteve 17,82% (490.699) dos votos e também assumiu uma vaga para o Senado.
Foto: Senado
Mato Grosso
Membros discutem aplicações da IA no Tribunal do Júri
Ferramentas capazes de resumir processos, organizar provas, elaborar apresentações e auxiliar na construção de teses para o Tribunal do Júri estiveram no centro dos debates do colóquio “IA no Júri”, realizado nesta sexta-feira (9) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).O encontro reuniu membros do Ministério Público Brasileiro para compartilhar experiências sobre o uso da inteligência artificial como aliada da atuação ministerial, sem abrir mão da supervisão humana e dos cuidados éticos exigidos pela atividade.Promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, em parceria com o Centro de Apoio Operacional (CAO) Júri e a Confraria do Júri, o evento teve como palestrante o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto, que apresentou aplicações práticas da inteligência artificial na atividade ministerial, especialmente na preparação de julgamentos perante o Tribunal do Júri.Na abertura, o coordenador do CAO Júri, promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais, ressaltou a importância do compartilhamento de conhecimento e destacou os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia.Segundo o promotor de Justiça, a inteligência artificial tem reduzido significativamente o tempo necessário para a preparação dos casos. “Tenho reduzido de forma considerável o tempo de estudo e melhorado muito a qualidade dos meus júris”, afirmou.Ao longo da exposição, o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto demonstrou como diferentes plataformas podem ser utilizadas para analisar processos, organizar elementos probatórios, gerar apresentações para plenário, elaborar documentos e apoiar a construção de estratégias argumentativas. Para o palestrante, o avanço da tecnologia exige adaptação dos profissionais do Direito. “A inteligência artificial veio para ficar. Temos que nos adaptar”, destacou.O promotor também enfatizou que a utilização dessas ferramentas representa uma oportunidade para otimizar o trabalho dos membros do Ministério Público sem substituir a análise humana.“É um ganho imensurável de tempo, que é o nosso bem mais precioso”, observou. Ele ainda alertou sobre a necessidade de revisão constante dos conteúdos produzidos pelas plataformas. “Por mais confiável que a IA seja, sempre faço uma revisão do texto”, ressaltou.Durante o debate, também foram abordados aspectos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), à segurança das informações e aos limites éticos para o uso da inteligência artificial na atuação ministerial. A discussão reforçou a importância de que as ferramentas tecnológicas sejam empregadas como apoio ao trabalho jurídico, sempre sob supervisão dos membros do Ministério Público.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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