Esporte
Raí banca Jardine no São Paulo, mas havia feito o mesmo com Aguirre
Esporte
Diretor utiliza com atual treinador discurso semelhante ao empregado um mês antes da queda do antecessor
Da Redação
Diretor executivo de futebol do São Paulo, Raí esteve na Argentina acompanhando a derrota de quarta para o Talleres, por 2 a 0, pela Libertadores, e garantiu a permanência do técnico André Jardine no cargo, mesmo com a pressão de precisar reverter a grande vantagem dos argentinos para se classificar no torneio continental.
“Continuo acreditando no estilo dele, no trabalho, nos resultados. Obviamente está bem abaixo do que a gente esperava até agora, mas acredito no trabalho dele, no trabalho do dia a dia, no poder dele de mobilizar. Eu conversei agora com a comissão técnica acreditando que vai ter resultado”, afirmou o dirigente.
Vale lembrar que, em entrevista concedida no dia 16 de outubro do ano passado, Raí utilizou discurso muito semelhante para bancar o então técnico Diego Aguirre, que vinha colecionando maus resultados que afastavam a equipe da briga pelo Brasileirão: “O trabalho do Aguirre, os resultados falam. Não os resultados imediatos, das últimas semanas, mas desde que ele chegou aqui. Onde ele pegou o time, onde o time estava e aonde chegou. Então a confiança… Isto não está nem em pauta, na verdade, a confiança. A gente acredita muito no trabalho dele”.
Menos de um mês depois, em 11 de novembro, o uruguaio foi demitido. Na ocasião, o dirigente justificou assim a sua escolha: “Uma decisão dessas a gente acredita que vai ter reação e uma melhora. Tem riscos, tem responsabilidade, mas da maneira que vinha acontecendo me leva a crer que a gente terá mais chances de se manter, de tentar uma vaga entre os quatro primeiros”. Mesmo com Jardine assumindo o posto, o São Paulo não reagiu e acabou ficando fora do G-4, o que o tirou da classificação direta à fase de grupos da Libertadores e o obrigou a disputar a fase prévia.
Lembrado após a derrota para o Talleres sobre o fato de ele também ter bancado Aguirre anteriormente e sobre qual era a diferença em relação à promessa atual de manter Jardine, Raí respondeu: “Foi uma opção estratégica ali, de fim de campeonato, pensando já na sequência, era final de temporada. Agora é início de temporada. E obviamente, em início de temporada, a tendência é que tenha bastante tempo para trabalhar, sabendo da urgência do resultado em uma competição eliminatória”.
Fonte: O Estado de S. Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,rai-banca-jardine-no-sao-paulo-mas-havia-feito-o-mesmo-com-aguirre,70002711051
Foto: Rubens Chiri / São Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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