LUTO

Morre Izquierdo, jogador do Nacional que desmaiou em campo contra o São Paulo

Em decorrência de complicações cardíacas

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Esporte

Foto: EITAN ABRAMOVICH / AFP / CP

Juan Manuel Izquierdo Viana, jogador do Nacional, do Uruguai, morreu nessa terça-feira (27), em decorrência de complicações cardíacas. A morte do atleta foi confirmada pela assessoria de comunicação do Hospital Albert Einstein, onde o atleta estava internado desde a última quinta-feira, quando desmaiou em campo no duelo com o São Paulo, no MorumBis, pela Libertadores.

Izquierdo, de 27 anos, deixa a mulher, Selena, e dois filhos, uma menina de 8 anos e um menino recém-nascido, de menos de um mês de vida.

O boletim médico divulgado no domingo já havia constatado que era grave a condição do jogador e que seu quadro havia piorado depois que foram identificados progressão do comprometimento cerebral e aumento da pressão do crânio. Ele ficou quatro dias na UTI do Einstein, dependente de ventilação mecânica.

Segundo os médicos, o desmaio em campo foi provocado por uma arritmia. Minutos depois, o jogador teve uma parada cardíaca na ambulância a caminho do hospital e foi necessário o uso do desfibrilador para reanimá-lo.

Conforme o secretário de Esporte do Uruguai, Sebastián Bauzá, o jogador sofreu uma arritmia cardíaca detectada há dez anos. Izquierdo passou por exames quando tinha 17 anos e atuava na base do Atlético Cerro. “Ele passou por um eletrocardiograma. Juan tinha 17 anos, tinha uma pequena arritmia e foi informado”, afirmou Bauzá.

 

A CARREIRA

Nascido em Montevidéu, Izquierdo atuava profissionalmente desde 2018, quando estreou pelo Atlético Cerro, modesta equipe da capital uruguaia. Na temporada seguinte, o zagueiro se transferiu para o Peñarol, mas entrou em campo apenas em cinco jogos.

Em 2020, o atleta seguiu para o Montevideo Wanderers e, na sequência, ao San Luís, do México. No futebol mexicano, foi mal e sofreu com críticas da torcida, o que o fez retornar ao Montevideo Wanderers, pelo qual jogou até o fim de 2021. Em 2022, chegou ao Nacional pela primeira vez, em uma passagem traumática. Ele atuou apenas 13 minutos e sofreu uma fratura na tíbia.

O atleta voltou a jogar em 2023, no Liverpool-URU, clube em que mais se destacou. Izquierdo marcou três gols em 31 jogos e participou da campanha dos títulos do Campeonato Uruguaio e da Supercopa Uruguaia, mas não teve o contrato renovado e voltou ao Nacional em 2024. Na atual temporada, participou de 24 jogos e marcou um gol. Era titular da equipe treinada por Martín Lasarte até o trágico desmaio no MorumBis.

COMOÇÃO NO SÃO PAULO

A internação de Izquierdo causou profunda comoção no elenco do São Paulo, que homenageou o atleta no MorumBis antes de enfrentar o Vitória no último domingo. Os são-paulinos não conseguiram se desconectar do ocorrido, como ficou claro pelo choro de Michel Araújo ao fim do duelo deste final de semana. Antes, os atletas entraram no gramado com uma camisa que trazia estampada a frase ‘Força, Izquierdo‘, ato que foi elogiado pela imprensa uruguaia.

Uma das cenas que marcou o triunfo de domingo no MorumBis foi o choro do meio-campista tricolor Michel Araújo, que é uruguaio e visitou o hotel onde membros da delegação do Nacional estão hospedados em São Paulo para prestar solidariedade aos compatriotas. Após jogar a partida inteira, improvisado na lateral esquerda, sabendo da notícia da piora de Izquierdo, Araújo se derramou em lágrimas no momento em que deixava o campo.

Michel Araújo, aliás, fez mais de uma visita ao hotel onde estavam dirigentes do Nacional e familiares de Izquierdo. O meio-campista uruguaio e Calleri passaram alguns minutos conversando com os pais e a irmã de Izquierdo. Segundo a imprensa uruguaia, Calleri se ofereceu para bancar os custos da internação do zagueiro.

Antes de confirmada a morte de Izquierdo, o Campeonato Uruguaio já havia sido paralisado por duas rodadas em respeito ao atleta, por iniciativa da Federação Uruguaia de Futebol, que ainda vai comunicar em breve as novas datas dos jogos reagendados referentes para segunda e terceira rodada da competição.

Fonte: Gazeta Digital – https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/morre-izquierdo-jogador-do-nacional-que-desmaiou-em-campo-contra-o-sao-paulo/781991

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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