Esporte

Médico é condenado a até 175 anos de prisão após abusar de ginastas nos EUA

Publicado em

Esporte

Julgamento era referente a sete dos seus crimes cometidos em Michigan, todos de abuso

Da Redação

Depois de uma semana de julgamento e sentidos depoimentos de mais de 150 ginastas, o ex-médico da Federação de Ginástica dos Estados Unidos (USA Gymnastics) Larry Nassar conheceu nesta quarta-feira sua sentença. Ele foi condenado a até 175 anos de prisão por abusar sexualmente de atletas, a maior parte delas menor de idade.

O julgamento era referente a sete dos seus crimes cometidos em Michigan, todos de abuso, mas a juíza Rosemarie Aquilina permitiu que todas as ginastas abusadas por Nassar comparecessem para prestar depoimento. O resultado foi longas e comoventes audiências, que tomaram conta do noticiário dos Estados Unidos até esta quarta.

Desde o início, a juíza Aquilina se mostrou disposta a fazer Nassar pagar por seus crimes. E nesta quarta-feira, admitiu a satisfação com a condenação. “Você não fez nada para merecer sair da prisão novamente. Eu acabei de assinar sua pena de morte”, declarou.

Nassar, de 54 anos, já havia se declarado culpado por abusar de sete pessoas na região de Lansing, mas foram liberados os depoimentos de todas aquelas que quisessem acusá-lo no julgamento desta semana. Inicialmente, cerca de 80 mulheres iriam falar em três dias, mas novas vítimas foram aparecendo. No total, foram 158 testemunhos em sete dias de audiência.

Após as acusações iniciais de Rachael Denhollander, primeira pessoa a tornar públicas as acusações contra Nassar, mais e mais ginastas ganharam voz contra o médico, incluindo campeãs olímpicas pelos Estados Unidos, como Simone Biles, Gabby Douglas, Aly Raisman, Jordyn Wieber e McKayla Maroney.

Estas mulheres narraram que o médico as tocava com as mãos, sem qualquer justificativa, quando estavam na maca de exames. Elas eram menor de idade quando os crimes aconteceram e explicaram que não se manifestavam na época por confiarem em Nassar, por se negarem a aceitar o que ocorrera ou por medo de fazer uma denúncia.

O próprio Nassar já havia sido condenado em dezembro do ano passado a 60 anos de prisão por posse de pornografia infantil. Diante de tantas evidências e do comportamento do médico nos últimos anos, a juíza Aquilina não mediu palavras ao criticá-lo nesta quarta.

“É uma honra e um privilégio condená-lo. Você é um perigo, continua sendo um perigo”, afirmou. “Estou considerando o impacto de todos os depoimentos, não apenas das sete mulheres relacionadas às acusações. Não era medicina o que você fazia, não era um tratamento. Você não é um médico. Não mandaria meus cachorros para você. Você sabia que tinha um problema desde jovem, antes de virar um médico. Isso está claro para mim. Você poderia ter se afastado da tentação, mas não o fez. Sua decisão de molestar foi precisa, calculada, desonesta, desprezível.”

Ao longo da semana, Nassar criticou a abertura dada para que todas as ginastas falassem no julgamento e acusou Aquilina de transformar o processo em um “circo midiático”, mas foi duramente repreendido pela juíza. “Você pode achar duro estar aqui escutando, mas nada é mais difícil do que aquilo que suas vítimas encararam por milhares de horas nas suas mãos.”

Nesta quarta, Nassar mudou a postura e se disse arrependido de suas ações. “Suas palavras nos últimos sete dias tiveram um impacto significativo em mim, me abalaram muito, me estremeceram até a espinha. Não tenho palavras para dizer o quanto estou arrependido. Vou carregar suas palavras pelo resto dos meus dias”, afirmou.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo

Foto: Brendan Mcdermid/Reuters

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Esporte

Quando perder músculo também ameaça o cérebro

Publicados

em


Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA