Esporte
‘Futebol é diversão e o meu time se diverte com a bola’
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Treinador aponta fatores do sucesso da equipe no Paulistão, elogia o Santos e reafirma desejo pelo jogo ofensivo
Da Redação
Comandante da equipe de melhor campanha na primeira fase do Paulistão, o técnico Antônio Carlos Zago considera que o Red Bull Brasil pratica um futebol moderno e apontou os fatores para o sucesso da equipe, que joga neste sábado, às 19h30 contra o Santos, no Pacaembu. Ao Estado, o treinador, no comando da equipe desde setembro do ano passado, diz que a montagem minuciosa do elenco, a facilidade com a qual os atletas assimilaram a ideia de jogo e a boa gestão do grupo por parte da comissão foram determinantes para a campanha surpreendente no Estadual.
Quais os principais motivos do sucesso do Red Bull na primeira fase do Paulistão?
Os jogadores assimilaram rapidamente o que colocamos como ideia de jogo. Acertamos nas contratações, são jogadores que vieram para ajudar no crescimento do clube. E somado, é claro, com o trabalho da comissão técnica, das pessoas que estão no dia a dia do clube. Fizemos uma excelente primeira fase e espero que a gente possa repetir o mesmo futebol nas quartas e chegar às semifinais do Paulista.
Como é trabalhar em um clube-empresa? Quais as diferenças em relação aos outros clubes?
A maior diferença é a tranquilidade para se trabalhar. As minhas ideias se encaixam com as ideias do clube. Trabalho em cima do que o clube quer. Uma das políticas do clube é revelar jogadores e sempre gostei de trabalhar com atletas da base. No resto, há a pressão natural do futebol, apesar de não termos tantos torcedores. Futebol sempre vai se basear em resultados e temos que conseguir esses resultados. Trabalho num clube que tem uma ótima estrutura, temos tudo aqui o que têm os grandes clubes do futebol brasileiro, então o único pensamento é fazer o melhor para que as coisas possam fluir da melhor maneira possível.
Você fez cursos na Europa e foi auxiliar na Roma e no Shakhtar Donetsk. O que aprendeu no futebol europeu que tem aplicado no Red Bull?
Eu tinha o sonho de fazer esses cursos da Uefa. Acabei tendo a oportunidade de trabalhar um ano como auxiliar na Roma e dois no Shakhtar. O aprendizado é muito grande, incluindo a experiência boa na Liga dos Campeões. Nos anos em que fiquei no Shakhtar eu fiquei responsável por assistir aos jogos dos adversários e passar o relatório para o (Mircea) Lucesco (treinador romeno que comandou o Shakhtar por 12 anos). É difícil, mas sempre dá para trazer coisas para o Brasil. Procuro sempre mesclar o que aprendi lá na Europa e o que aprendi com alguns treinadores brasileiros. Não dá para colocar em prática no Brasil tudo o que acontece na Europa, até porque temos uma cultura muito diferente. A gente procura aplicar alguns conceitos, mas o principal de tudo, na maioria das vezes, é a gestão do vestiário, e isso faço da melhor maneira possível.
Considera o atual trabalho o melhor de sua carreira como técnico?
É um trabalho curto ainda. Peguei o time na Copa Paulista no final do ano passado e chegamos na semifinal. Fizemos uma excelente primeira fase no agora no Paulista, em que espero chegar o mais longe possível. No Juventude, em quase dois anos, chegamos ao vice do Campeonato Gaúcho, colocamos o time na Série B, fomos às quartas de final da Copa do Brasil, depois acabei subindo o Fortaleza (para a Série B). No Inter, o trabalho também vinha sendo bem feito, saí de lá com mais de 60% de aproveitamento, tanto que o Inter não foi campeão, mas subiu para a elite posteriormente. Então vinha fazendo um bom trabalho e não sei o que aconteceu para me demitirem, porque os resultados foram bons. Venho melhorando a cada dia, sempre tenho vontade de aprender e procuro me atualizar, mas sempre tendo a minha ideia e visão da maneira que eu enxergo o futebol. O trabalho atual é bem feito, mas temos que melhorar e espero continuar por muito tempo para dar seguimento ao que começamos.
O Red Bull joga um futebol moderno?
Acredito que sim, pois é uma equipe de toque de bola, que tem o controle do jogo. Não é uma posse de bola entre os zagueiros, é já no campo do adversário. O time não se descuida da marcação, está sempre bem posicionado em campo para pegar o rebote e impedir o contra-ataque do adversário. Então vejo que temos uma ideia moderna de futebol. A equipe sempre propõe o jogo e joga de forma ofensiva. É uma ideia que tenho, talvez seja diferente de alguns treinadores, mas é a que espero continuar aplicando na minha carreira.
Qual avaliação faz do nível do futebol brasileiro?
É difícil falar. É complexo, mas acho que temos bons jogadores. Os europeus não vêm aqui de graça buscar nossos atletas, que sempre tiveram uma técnica apurada. Sempre tivemos grandes times, participei de três deles. O São Paulo do Telê e o Palmeiras e o Santos do Luxemburgo. Então cabe ao treinador desenvolver esse lado do jogador para que ele possa sempre melhorar. Minha intenção é sempre procurar ajudar e fazer com que os jogadores cresçam.
Como é o Zago hoje, quase dez anos depois do início da carreira de técnico? Mudou muito a forma como vê futebol, os treinos e também a relação com os jogadores?
Mudei e fiquei mais experiente, mas a ideia como enxergava o futebol é quase a mesma, que inclui um futebol de toque de bola, ofensivo. Não consigo entender quando as pessoas falam em dar a bola para o adversário. Se a bola é a diversão, se a criança quer uma bola para brincar, eu vou dar ela para o adversário para depois correr atrás? Acho que é mais fácil se divertir com a bola. Sempre tive uma relação muito boa com os jogadores e o intuído, a cada dia que passa é sempre adquirir mais experiencia, sempre com o objetivo de me tornar um dos melhores treinadores do futebol brasileiro.
O Santos de Sampaoli encantou o país com um futebol ofensivo e de intensidade, mas vem em baixa após duas derrotas seguidas. O que espera dos confrontos?
Espero dois grandes jogos, contra uma equipe que vem apresentando um bom futebol. O Santos perdeu os últimos dois jogos, mas não vai deixar de ser aquela equipe ofensiva que encantou a todos. Nós também temos a ideia de jogar para frente, procurar sempre o gol. Serão dois jogos difíceis e temos que trabalhar bastante pois vamos jogar contra a melhor equipe do futebol paulista. Espero que possamos passar à próxima fase e depois, quem sabe, avançar à final, como aconteceu com o Audax e o Ituano recentemente.
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,futebol-e-diversao-e-o-meu-time-se-diverte-com-a-bola,70002765274
Foto: Reprodução/Twitter/Red Bull Brasil
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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