no Maracanã

Evertton se emociona em vitória do Flamengo: “Sempre acreditei”

Jovem de 21 anos vai bem em seu primeiro jogo como titular de Tite e cita César Sampaio, Gerson, Pulgar, Ortiz e David Luiz como referências

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Esporte

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Pedala para o treino por 25 minutos, corta cabelo por R$ 15, sonha com um futuro melhor em chance num clube grande, desilude-se depois ao ser dispensado por dois gigantes do futebol brasileiro (Cruzeiro e Botafogo). Persevera, batalha e chega ao Flamengo. Vira profissional, faz um gol salvador num estádio complicado (Ligga Arena) e de repente é aplaudido pelo Maracanã. Aliás, ovacionado.

Essa retrospectiva da vida do jovem de 21 anos (leia detalhadamente sobre a carreira dele clicando aqui) retratada em uma pergunta feita em 30 segundos soou como um convite para o garoto revisitar o passado de dificuldades. Ouviu, parou, respirou, se emocionou e abriu o coração.

– Pô, cara, é difícil falar (enxuga lágrimas). É muito gratificante. Eu só tenho a agradecer a Deus. Eu sempre fui um cara que trabalhei bastante, sempre acreditei que as coisas dariam certo. Uma frase que eu sempre levo comigo, como eu falei na última entrevista, é “que Deus ajuda quem trabalha”. Eu acho que se eu continuar trabalhando, dando o meu melhor sempre, as coisas vão acontecer. E, graças a Deus, foi um sonho realizado, o Maracanã lotado, e eu jogando como titular. Fico muito feliz e realizado (veja a emoção de Evertton no vídeo acima).

A ovação que recebeu ao deixar o campo aos 41 minutos do segundo tempo foi justificada por uma atuação simples e muito eficiente. Força física, combate preciso – cometeu apenas uma falta e sofreu outra – e um jogo seguro na distribuição de bola, com 94% de acerto de passes (35 de 37 tentados) marcaram a participação do jovem de Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro.

Ainda em fase de construção do próprio estilo de jogo, Evertton se diz um privilegiado por ter tanta gente qualificada ao redor para escutar. Desde a comissão técnica, onde há um dos grandes meio-campistas da história do futebol brasileiro, o ex-atleta César Sampaio, aos companheiros que dividem o setor com ele nos jogos e treinos do Flamengo.

– Gosto de marcar e sair para jogar. Jogo como primeiro e segundo volante. Joguei um pouco mais avançado hoje, saindo mais para o jogo. Referências dentro do clube temos David Luiz, que sempre passa informações para nós, o Gerson. E não só os jogadores, como também o Sampaio, que foi um craque na posição. Ele sempre tenta passar o que viveu para nós. Eu sempre escuto o máximo que posso dele para eu poder uma ter uma boa atuação dentro de campo.

– O Gerson, o próprio Ortiz e o Pulgar são referências para mim dentro de campo, na minha posição. O conselho deles é sempre bom. Eu sempre tento escutá-los e escutar o professor também para sempre conseguir dar o meu melhor – afirmou Evertton, cria de Santa Cruz, bairro de Volta Redonda e não o primo mais famoso da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Ainda pouco íntimo dos microfones, o tímido Evertton chegou a se enrolar ao tentar definir a equipe do Bahia como uma força no meio-campo (veja no vídeo que abre a matéria entre 1min32s e 1min39s).

– Me senti muito feliz, muito realizado. Tive oportunidade no Campeonato do Carioca com o professor Mário Jorge. E agora eu tive a oportunidade com o Tite, meu primeiro jogo como titular. Foi um jogo muito difícil, né, cara? A equipe deles é bem… Bem classe… Bem boa ali, né? Eles trabalhavam bastante a bola, e a gente conseguiu dominar o jogo e sair com a vitória.

Porém, assim como Evertton rapidamente se soltou em campo para fazer uma ótima partida contra o Bahia, logo ele se acostumou com as perguntas e no final da entrevista já estava soltinho diante dos repórteres. Apesar de toda a humildade demonstrada com a fala mansa e a gratidão verbalizada aos que lhe ajudaram, não se fez de rogado ao admitir que fez “uma excelente partida”.

– Elenco muito forte, difícil a gente chegar já e jogar. De pouquinho em pouquinho nos treinos dando o melhor e mostrando que a gente pode, a comissão dá oportunidade. Eu aproveitei, fiz um excelente jogo e saímos com a vitória

Não é pecado olhar para si e reconhecer qualidades, o garoto foi bem mesmo. Passou no teste de fogo no Maracanã lotado e mostrou que tem condição de jogar no estrelado Flamengo 2024.

Fonte: Globo Esporte – https://ge.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2024/09/13/do-interior-a-ovacao-no-maracana-evertton-se-emociona-em-vitoria-do-flamengo-sempre-acreditei.ghtml

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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