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Carille se reinventa, mostra versatilidade e se mantém no topo

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Sem centroavante, técnico mexe na equipe e consegue conquistar o bicampeonato estadual

 

Da Redação

Fábio Carille já tem seu nome firmado no futebol brasileiro, mas teve um novo desafio neste Campeonato Paulista e o título serviu para comprovar sua qualidade e versatilidade. O técnico do Corinthians mostrou que não é refém de um esquema tático, mas sim, adapta seu trabalho ao elenco que tem nas mãos.

“Eu sou abençoado. Vocês já ouviram várias vezes isso nas minhas entrevistas. Tenho um grupo maravilhoso, que compra a ideia, sabe das nossas dificuldades e procura cumprir da melhor forma possível. Estou honrado”, disse o treinador corintiano.

Em 2017, ele surpreendeu a todos deixando de ser auxiliar técnico para virar treinador e levar o Corinthians ao título do Paulistão e do Brasileiro tendo um estilo de jogo em que todo mundo sabia como sua equipe iria atuar. Eram dois jogadores caindo pelas laterais e um centroavante, Jô, que era o responsável por marcar os gols da equipe. 

Neste ano, as coisas mudaram. Jô foi se aventurar no futebol chinês e o Corinthians perdeu sua referência na área. O clube, então foi ao mercado, tentou vários nomes de peso, contratou Júnior Dutra e uma aposta – Matheus Matias – deu nova chance para Kazim, enfim, fez de tudo para conseguir suprir a carência de um centroavante.

Nas primeiras rodadas do Estadual, Carille tentou manter o esquema tático, mas os resultados e as atuações não eram o esperado. Assim, precisou mudar o que ele via como a formação ideal e abriu mão de ter uma referência na área. “Nós conversamos sobre esquema tático e tentamos encontrar um equilíbrio para ver o que é melhor para o time. Felizmente, tivemos poucos momentos de instabilidade, mas quando isso acontece, a gente senta e vê a melhor forma de contornar isso usando o que temos nas mãos”, disse um dos auxiliares técnicos de Carille, Leandro da Silva, mais conhecido como Cuca.

A mudança aconteceu justamente no clássico contra o Palmeiras, pela primeira fase do Paulistão, dia 24 de fevereiro. A mudança deu certo e o time alvinegro venceu por 2 a 0, na Arena Corinthians. E mais uma vez, como aconteceu no ano passado, um clássico com o rival alviverde virou um divisor de águas para o treinador.

A partir daquele dia, o Corinthians passou a ter um novo esquema tático. Ao invés do 4-1-4-1 ou 4-2-3-1, a equipe passou a adotar o 4-4-2 ou o 4-2-4, dependendo do ponto de vista. Carille até tentou a volta do esquema antigo em alguns momentos, com Júnior Dutra, mas não deu certo e abriu mão de vez da opção. 

Com isso, quem perdeu espaço foi Kazim. O turco não foi sequer relacionado para os últimos jogos do Paulistão e quem ganhou mais importância foram Clayson e Rodriguinho. O primeiro, se tornou titular absoluto e uma das válvulas de escape para os dias em que Rodriguinho e Jadson estivessem bem marcados. O segundo, ganhou uma importância maior na criação e passou a ser o principal jogador da equipe. 

Carille, porém, sabe da importância em ter um goleador na equipe, aquela referência na área, que mesmo quando não está em um dia bom, consegue desviar uma bola ou pegar um rebote e garantir um resultado positivo, como Jô fez tantas vezes. 

Em diversas entrevistas, o treinador falou que esperava por reforços, mas entendia a dificuldade. As opções eram fracas ou muito caras. O bom e barato estava difícil. Assim, coube ao treinador se “reinventar” e mostrar que sua capacidade não se limita a trabalhar em um esquema tático fixo.  

Assim, o título do Paulista deste ano tem um gosto especial para o treinador. É a taça de quem conseguiu transformar uma adversidade em nova opção e hoje, o Corinthians tem mais de um esquema tático vencedor.

Pessoalmente, Carille tem demonstrado maior preocupação com opiniões sobre o seu trabalho, mas quem convive de perto com ele, garante que o jeito simples permanece. “Creio que o segredo dele é esse. O mesmo Carille de 2009, quando chegou como auxiliar no Corinthians, é o que está dirigindo o time neste momento. É um cara simples demais e que merece tudo que tem conquistado”, falou o preparador físico do Corinthians e amigo do treinador corintiano. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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