Agricultura
Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades
Agricultura
A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.
Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.
O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.
São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.
No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.
A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.
Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.
A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.
Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.
O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.
A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.
Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.
A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.
A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.
O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.
Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.
Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.
Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.
Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.
Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.
A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Carambeí reúne produtores para discutir mercado, tecnologia e futuro da pecuária
A cidade de Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, a cerca de 140 quilômetros de Curitiba, recebe de quinta-feira (12.11) a sábado (14) a 19ª edição da ExpoFrísia, uma das tradicionais exposições da pecuária leiteira paranaense. Promovido pela Frísia Cooperativa Agroindustrial, o evento reunirá produtores, pesquisadores, empresas e especialistas para discutir os desafios econômicos e tecnológicos das cadeias do leite, dos grãos e da suinocultura. A entrada e o estacionamento serão gratuitos.
Neste ano, a exposição apresenta uma mudança importante no calendário. Realizada tradicionalmente em abril, a ExpoFrísia passa a ocorrer em novembro, período escolhido pela organização para facilitar a participação dos cooperados, produtores e empresas expositoras. A feira será realizada no Pavilhão de Exposições Frísia, anexo ao Parque Histórico de Carambeí.
A programação terá como um dos principais temas a conjuntura econômica do agronegócio, especialmente os efeitos dos custos de produção, das oscilações de preços e das condições de mercado sobre a rentabilidade das propriedades. A palestra de abertura, marcada para quinta-feira, às 16h, será conduzida pela jornalista Kellen Severo, que abordará as perspectivas macroeconômicas e o comportamento dos mercados de leite, grãos e suínos.
A escolha desses temas reflete a realidade dos produtores da região, onde a integração entre agricultura, pecuária leiteira e suinocultura tem papel importante na economia rural. A produção de grãos, especialmente milho e soja, está diretamente relacionada ao custo da alimentação animal, um dos principais componentes das despesas nas atividades leiteira e suinícola.
Além das discussões econômicas, a feira terá debates sobre gestão das propriedades, sucessão familiar, reforma tributária e licenciamento ambiental. O Fórum Comercial da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) também integra a programação, ampliando as discussões sobre competitividade e organização das cadeias produtivas.
A sucessão familiar receberá atenção especial diante das dificuldades enfrentadas por muitas propriedades para manter os jovens na atividade rural. A modernização da gestão, a profissionalização dos negócios e a incorporação de novas tecnologias são fatores considerados importantes para garantir a continuidade das atividades e a sustentabilidade econômica das famílias produtoras.
Na área técnica, a ExpoFrísia apresentará soluções relacionadas à agricultura regenerativa, rastreabilidade, manejo de propriedades e aproveitamento de resíduos da produção animal. Um workshop sobre dejetos abordará alternativas para o manejo desses materiais, tema que envolve custos, exigências ambientais e possibilidades de utilização como fertilizantes.
A programação também incluirá fóruns voltados à suinocultura, além do tradicional Concurso de Silagem. A qualidade da silagem é decisiva para a alimentação dos rebanhos leiteiros, com reflexos sobre a produtividade, os custos de alimentação e o desempenho econômico das propriedades.
Genética e qualidade do rebanho
Um dos principais atrativos da ExpoFrísia continuará sendo a exposição de animais da raça Holandesa, com julgamentos nas categorias Jovem e Adulto, envolvendo exemplares das variedades Holandês Preto e Branco (HPB) e Holandês Vermelho e Branco (HVB).
As competições permitem avaliar características relacionadas à conformação dos animais e ao melhoramento genético dos rebanhos. Para os criadores, a participação também representa uma oportunidade de apresentar os resultados dos investimentos em seleção, manejo, nutrição e reprodução.
A programação contará ainda com a tradicional Copa dos Apresentadores e atividades destinadas às crianças, como o Clube de Bezerras, que busca aproximar as novas gerações da atividade pecuária.
A exposição de máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas à agricultura e à produção animal completará a programação. A proposta é aproximar os produtores de soluções que contribuam para elevar a eficiência das propriedades, melhorar os índices produtivos e reduzir desperdícios.
A ExpoFrísia será realizada de 12 a 14 de novembro, no Pavilhão de Exposições Frísia, em Carambeí (PR), com entrada e estacionamento gratuitos. A programação completa e as informações para visitantes estão disponíveis no site oficial do evento.
Fonte: Pensar Agro
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