Agricultura
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
Agricultura
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Produção de banana movimenta R$ 16,4 bilhões e está sob ameaça
A produção brasileira de banana, responsável por movimentar R$ 16,4 bilhões por ano, enfrenta uma ameaça sanitária capaz de comprometer mais da metade da colheita em lavouras suscetíveis e, nos casos mais graves, provocar perdas totais.
Trata-se da sigatoka-negra, doença provocada por um fungo que destrói as folhas das bananeiras, reduz a produtividade e compromete a qualidade dos frutos. Para ajudar os produtores a enfrentar o problema, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reuniu os resultados de pesquisas e as principais alternativas de controle em uma publicação técnica lançada neste ano.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu 7,29 milhões de toneladas de banana em 2025, cultivadas em aproximadamente 471 mil hectares. A atividade está presente em todos os estados brasileiros e tem importância especial para a agricultura familiar, que responde por uma parcela expressiva das propriedades dedicadas à cultura.
São Paulo lidera a produção nacional, seguido por estados como Bahia e Minas Gerais. A bananicultura também tem peso econômico relevante em Santa Catarina, Pernambuco, Pará e Ceará. Diferentemente de outras culturas de grande escala, a maior parte da banana produzida no Brasil é destinada ao próprio mercado interno, abastecendo supermercados, feiras e centrais de distribuição.
O tamanho dessa produção ajuda a dimensionar os riscos associados às doenças que atingem os bananais. A sigatoka-negra é considerada uma das mais destrutivas porque compromete justamente as folhas responsáveis pela fotossíntese, processo pelo qual a planta produz a energia necessária ao desenvolvimento dos cachos.
Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1998, na região amazônica. Desde então, sua disseminação ampliou os desafios para produtores de diferentes regiões, principalmente aqueles que cultivam variedades mais suscetíveis.
A infecção começa com pequenas alterações nas folhas, geralmente na face inferior, que evoluem para estrias marrons e manchas escuras. Com o avanço da doença, as lesões se unem e provocam a morte antecipada do tecido foliar.
A perda de folhas reduz a capacidade da bananeira de sustentar o crescimento dos frutos. Como consequência, os cachos podem apresentar bananas menores, amadurecimento precoce e desuniformidade, características que prejudicam a comercialização e diminuem a receita do produtor.
A Embrapa alerta que os prejuízos podem superar 50% da produção quando a doença não é controlada adequadamente. Em condições severas, variedades altamente suscetíveis podem sofrer perdas próximas de 100%. Esses percentuais representam situações de elevada pressão da doença, e não uma estimativa de redução da safra brasileira.
O problema afeta variedades de grande importância comercial, incluindo bananas dos grupos Nanica, Nanicão, Prata, Maçã e Terra. A intensidade dos danos depende das condições climáticas, da suscetibilidade da cultivar e das práticas adotadas na propriedade.
O clima tem influência direta sobre o avanço da doença. Ambientes quentes e úmidos favorecem o desenvolvimento e a disseminação do fungo, especialmente quando as folhas permanecem molhadas por períodos prolongados. Nessas condições, o acompanhamento dos bananais precisa ser mais frequente para identificar os primeiros sintomas e evitar a rápida evolução das lesões.
A pesquisa brasileira tem buscado reduzir essa vulnerabilidade principalmente por meio do desenvolvimento e da seleção de variedades resistentes. Entre os materiais apresentados pela Embrapa estão BRS Caprichosa, BRS Conquista, BRS Garantida, BRS Japira e BRS Thap Maeo, alternativas que podem contribuir para diminuir a dependência de aplicações frequentes de fungicidas.
A escolha da variedade, entretanto, não depende apenas da resistência à doença. O produtor precisa considerar as características dos frutos, a aceitação comercial, a produtividade e a adaptação às condições de solo e clima de sua região.
Em mercados que exigem determinados padrões de banana, a substituição de cultivares pode encontrar limitações. Por isso, o controle da sigatoka-negra também exige medidas de manejo capazes de preservar as variedades tradicionalmente comercializadas.
Entre as práticas recomendadas estão o acompanhamento das folhas mais novas, a nutrição equilibrada das plantas, o manejo adequado da água e a retirada criteriosa de partes comprometidas pela doença. O objetivo é reduzir a presença do fungo sem eliminar excessivamente a área foliar necessária à formação dos cachos.
O controle químico continua sendo uma ferramenta importante, sobretudo em variedades suscetíveis. A Embrapa, porém, chama atenção para o risco de desenvolvimento de resistência do fungo aos fungicidas, situação que pode reduzir a eficiência das aplicações e elevar os custos de produção.
Para evitar esse problema, o manejo deve combinar diferentes estratégias e considerar a alternância de mecanismos de ação dos produtos, sempre conforme as recomendações técnicas e os registros autorizados para a cultura.
O avanço da pesquisa também inclui alternativas biológicas. Estudos com microrganismos dos gêneros Bacillus e Trichoderma investigam formas de reduzir o desenvolvimento do patógeno e complementar os métodos tradicionais de controle. Os resultados são promissores, mas a eficiência depende das condições de uso e ainda exige avaliações para diferentes sistemas de produção.
Outra frente envolve o uso de ferramentas digitais para monitorar a evolução da doença. A publicação apresenta o Sistema Inteligente para Monitoramento da Severidade da Sigatoka-Negra (SIMSIGA), desenvolvido para auxiliar na avaliação das lesões por meio de imagens.
A tecnologia busca tornar o diagnóstico e o acompanhamento mais precisos, permitindo que as decisões de manejo sejam tomadas de acordo com a intensidade da doença em cada propriedade.
O maior desafio continua sendo levar essas soluções aos produtores, especialmente aos pequenos agricultores que dispõem de recursos limitados para investir em tecnologia e assistência técnica.
Na Amazônia, onde a sigatoka-negra foi inicialmente identificada no país, a banana também desempenha papel importante na alimentação e na renda de comunidades rurais. Em regiões com dificuldades de acesso a insumos e serviços técnicos, a adoção de variedades resistentes pode representar uma alternativa economicamente mais viável.
A publicação A sigatoka-negra da bananeira no Brasil, organizada pelos pesquisadores Luadir Gasparotto e Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Ferreira, reúne 17 capítulos elaborados por 22 autores de instituições de pesquisa e ensino. O material aborda desde a identificação dos sintomas até os resultados mais recentes de melhoramento genético, controle biológico e monitoramento da resistência aos fungicidas.
Fonte: Pensar Agro
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