Agricultura
Câmara deve destravar acordo nesta semana, mas agro quer salvaguardas antes da ratificação
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A Câmara dos Deputados deve votar ainda nesta semana o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, tratado assinado no início do ano após mais de duas décadas de negociações. A previsão é de que a matéria entre na pauta até quinta-feira, segundo o relator designado na Casa.
O texto já foi aprovado pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), etapa que permite o avanço da tramitação no Congresso Nacional. Caso passe pelos deputados, seguirá para o Senado.
No entanto, a votação ocorre em meio a discussões sobre a necessidade de formalização de salvaguardas do lado brasileiro. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona o governo para editar um decreto que estabeleça mecanismos de proteção antes da ratificação definitiva.
O receio da bancada é que, com a aprovação do tratado por outro país do bloco — como já ocorreu na Argentina —, a União Europeia possa aplicar suas próprias salvaguardas comerciais, afetando automaticamente os demais membros do Mercosul. O bloco europeu fixou critérios unilaterais para produtos considerados sensíveis, como carne bovina, carne de frango e açúcar. Pelas regras propostas, caso as importações avancem mais de 5% em três anos e os preços recuem 5% em relação à média interna europeia, pode ser aberta investigação para adoção de medidas de defesa comercial.
Para o agro brasileiro, a ausência de instrumento equivalente poderia gerar desequilíbrio. A articulação política em curso busca garantir que o Brasil tenha instrumentos semelhantes, especialmente em cadeias como leite e vinho.
O acordo cria o maior bloco de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores. Para o agronegócio brasileiro, o tratado abre espaço relevante em setores estratégicos, com redução ou eliminação de tarifas em diversos produtos.
Um dos segmentos que acompanha a votação com expectativa é o couro. A União Europeia responde por aproximadamente 20% das exportações brasileiras do produto, tanto em valor quanto em volume, segundo dados consolidados de 2025 do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). Hoje, o couro brasileiro enfrenta tarifas que variam entre 5,5% e 6,5%, conforme o tipo e o grau de acabamento.
Com a desgravação tarifária imediata prevista no acordo, o produto nacional chegaria ao mercado europeu sem esse custo adicional, ampliando a competitividade frente a fornecedores de outros países. O setor avalia que há espaço para recuperação de mercado: em 2017, o Brasil exportou cerca de 200 milhões de metros quadrados de couro para a Europa, volume que atualmente caiu pela metade.
Itália, principal porta de entrada do couro brasileiro no continente, além de Espanha, Alemanha, França e Portugal, são considerados mercados estratégicos para eventual retomada de participação.
O avanço comercial, porém, está condicionado ao cumprimento das exigências ambientais europeias, especialmente as relacionadas à rastreabilidade previstas na legislação antidesmatamento da União Europeia, cujo início de vigência foi adiado e deve ocorrer até o fim deste ano. Especialistas avaliam que o acordo e a nova lei caminham juntos: de um lado, ampliam mercado; de outro, exigem maior organização da cadeia produtiva.
Hoje, o Brasil já adota sistemas de rastreabilidade, majoritariamente por lote. A tendência, segundo analistas, é que a exigência europeia acelere a transição para modelos de identificação individual de bovinos e bubalinos, elevando o padrão de controle e transparência.
A votação na Câmara será, portanto, decisiva não apenas para a abertura comercial, mas para definir o ritmo de adaptação do agronegócio brasileiro a um mercado mais exigente e competitivo. Para produtores e indústrias, o acordo representa oportunidade de acesso ampliado — desde que acompanhado de instrumentos de proteção e conformidade ambiental compatíveis com as novas regras do comércio internacional.
Fonte: Pensar Agro
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Protagonismo feminino avança no agronegócio brasileiro
A presença feminina no agronegócio brasileiro cresce de forma consistente e vem redesenhando a estrutura de um dos setores mais relevantes da economia nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que cerca de 19% dos estabelecimentos rurais do País já são administrados por mulheres, o que representa aproximadamente 947 mil propriedades sob liderança feminina. Nos últimos anos, além de ampliar sua presença na produção, as mulheres também passaram a ocupar funções técnicas, administrativas e de gestão em diferentes elos da cadeia do agro.
Estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostram que quase 11 milhões de mulheres atuavam no agronegócio brasileiro em 2023, distribuídas entre atividades dentro da porteira, agroindústria e serviços ligados ao setor. Em termos de mercado de trabalho, elas já representam cerca de 37% da força de trabalho do agro, participando desde a produção agrícola até áreas como logística, comercialização e inovação tecnológica.
O avanço ocorre em um setor que responde por parcela significativa da economia brasileira. Segundo dados do IBGE, o agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o que amplia o peso da participação feminina no desenvolvimento econômico e na segurança alimentar. Ao mesmo tempo, a maior qualificação profissional e o acesso crescente a tecnologia têm impulsionado a presença das mulheres na gestão de propriedades, cooperativas e empresas do setor.
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o protagonismo feminino no campo também foi destacado em homenagem do Portal Pensar Agro. O presidente do Instituto do Agronegócio e da Feagro-MT, Isan Rezende (foto), ressaltou que a contribuição das mulheres é cada vez mais decisiva para o crescimento do setor.
“Hoje, é impossível falar em desenvolvimento do agronegócio brasileiro sem reconhecer o papel fundamental das mulheres. Elas estão presentes em todas as etapas da cadeia produtiva, da gestão das propriedades à pesquisa, da inovação tecnológica à liderança de cooperativas e empresas. Esse protagonismo é resultado de competência, dedicação e visão estratégica”, afirmou.
Segundo Rezende, o avanço feminino também contribui para tornar o agro mais moderno e eficiente. “As mulheres têm demonstrado grande capacidade de gestão, planejamento e adoção de novas tecnologias. Isso fortalece o setor e amplia a competitividade do Brasil no mercado global de alimentos. Valorizar e incentivar essa participação é essencial para o futuro do agronegócio”.
Para o dirigente, a data também serve como reconhecimento à trajetória de milhares de produtoras, profissionais e empreendedoras do campo. “O Portal Pensar Agro presta uma homenagem a todas as mulheres que ajudam a construir diariamente a força do agro brasileiro. São produtoras, pesquisadoras, técnicas, empresárias e trabalhadoras que transformam o campo com trabalho, conhecimento e liderança”, concluiu.
Fonte: Pensar Agro
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