Mato Grosso
“Cuiabá pode adotar “lockdown branco” para conter avanço do vírus”, afirma Emanuel Pinheiro
Mato Grosso
Com o “estouro” sequencial de mais casos de Covid-19 em Cuiabá, a Prefeitura pode instituir a adoção de “lockdow branco”, sinalizou hoje (19) o prefeito da capital, Emanuel Pinheiro. O assunto vem sendo estudado há dias pelo gestor e o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, juntamente com outras medidas que possam incidir na redução dos casos, com bloqueio das principais zonas de disseminação do vírus. O “lockdow branco”, explicou Pinheiro, significa deixar funcionando apenas os serviços essenciais, além de antecipar feriados.
Segundo o prefeito, essa é mais uma das estratégias que o município vem estudando para ver se tornar operacionalmente eficaz. Tática similar, conforme Emanuel, já vem sendo adotada em outros estados, a exemplo de Campo Grande, capital de MS. Ele adiantou também que, por enquanto, tudo ainda se encontra em fase de estudos, e qualquer ato será previamente anunciado à população, o que deve ocorrer na próxima semana.
“Não podemos descartar nenhuma medida efetiva que possa impactar esse vírus, debelando sua força letal. O “lockdow branco” não é novidade no Brasil, já empregado em várias cidades, inclusive capitais. São Paulo, por exemplo, foi uma das primeiras a adotar essa estratégia, com bons resultados. Nosso objetivo é blindar a população cuiabana contra esse vírus, a cada dia mais ardiloso, em variantes que desafiam a própria Ciência”.
Na interpretação do gestor cuiabano, esta medida paralisaria Cuiabá durante uma semana, fechando o comércio. “É importante destacar que, ao pensar em proteger o cidadão contra essa doença assassina, também pensamos em como todos lutam para sobreviver dignamente. Assim, é preciso estudar como tal medida pode ser implementada sem gerar prejuízos sociais, ou seja: desemprego e corte total de renda doméstica”.
“Oportunizar meios de sobrevivência é necessário”
Dessa forma, frisa o prefeito, é fundamental assegurar que os reflexos desta medida serão mesmo capazes de assinalar baixas expressivas no número de infectados pela doença, até mesmo para justificar a sua adoção, o que pode ser traumático, socialmente falando.
“Estamos falando da preservação de vidas, fator que está sempre em primeiro lugar, lógico. Por outro lado, é preciso viabilizar oportunidades para que as pessoas continuem a desenvolver funções voltadas ao seu equilíbrio e arrecadação regular do orçamento doméstico, atuando com segurança total. Temos que fazer esse discernimento diariamente, sob pena de não sermos justos com a sociedade. Como condenar empreendedores que querem ofertar empregos diretos e outros tantos indiretos? Não são os disseminadores dessa doença, que fique claro. Também eles se encontram na linha de pessoas que buscam se proteger, simultaneamente trabalhando para sobreviver”.
Emanuel ainda anunciou a implantação de mais 40 leitos de enfermaria no Hospital Militar de Cuiabá. Atualmente, Cuiabá dispõe de 364 leitos gerais e 155 de UTI. “Enfim, estamos todos nessa batalha contra essa pandemia. Na próxima semana, já devo anunciar oficialmente mais medidas, após me reunir com os membros do comitê, possivelmente na segunda-feira”.
Gratidão à população de Cuiabá
O prefeito fez questão de agradecer à população de Cuiabá pela compreensão em relação às medidas que a Municipalidade adotou. “Não fosse a colaboração de muitos, não teríamos êxito em várias frentes contra essa pandemia. O único problema que persiste é a aglomeração de pessoas por aí, nos quatro polos da capital: têm acontecido festas, reuniões em ambientes fechados, passeios, ou em áreas pequenas. Isso é preocupante, porque facilita muito o contágio do vírus. É preciso que todos compreendam que esse inimigo invisível tem poder de morte sobre todos nós; e a melhor forma de combatê-lo por ora, enquanto as vacinas não imunizam 100% a população, é se precaver constantemente, 24 horas por dia: álcool gel, higiene pessoal constante, e, principalmente, evitar aglomerações. Esse último item é o que menos tem sido acatado”.
Por João Carlos de Queiroz, Redação
Mato Grosso
Membros discutem aplicações da IA no Tribunal do Júri
Ferramentas capazes de resumir processos, organizar provas, elaborar apresentações e auxiliar na construção de teses para o Tribunal do Júri estiveram no centro dos debates do colóquio “IA no Júri”, realizado nesta sexta-feira (9) pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).O encontro reuniu membros do Ministério Público Brasileiro para compartilhar experiências sobre o uso da inteligência artificial como aliada da atuação ministerial, sem abrir mão da supervisão humana e dos cuidados éticos exigidos pela atividade.Promovido pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, em parceria com o Centro de Apoio Operacional (CAO) Júri e a Confraria do Júri, o evento teve como palestrante o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto, que apresentou aplicações práticas da inteligência artificial na atividade ministerial, especialmente na preparação de julgamentos perante o Tribunal do Júri.Na abertura, o coordenador do CAO Júri, promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais, ressaltou a importância do compartilhamento de conhecimento e destacou os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia.Segundo o promotor de Justiça, a inteligência artificial tem reduzido significativamente o tempo necessário para a preparação dos casos. “Tenho reduzido de forma considerável o tempo de estudo e melhorado muito a qualidade dos meus júris”, afirmou.Ao longo da exposição, o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto demonstrou como diferentes plataformas podem ser utilizadas para analisar processos, organizar elementos probatórios, gerar apresentações para plenário, elaborar documentos e apoiar a construção de estratégias argumentativas. Para o palestrante, o avanço da tecnologia exige adaptação dos profissionais do Direito. “A inteligência artificial veio para ficar. Temos que nos adaptar”, destacou.O promotor também enfatizou que a utilização dessas ferramentas representa uma oportunidade para otimizar o trabalho dos membros do Ministério Público sem substituir a análise humana.“É um ganho imensurável de tempo, que é o nosso bem mais precioso”, observou. Ele ainda alertou sobre a necessidade de revisão constante dos conteúdos produzidos pelas plataformas. “Por mais confiável que a IA seja, sempre faço uma revisão do texto”, ressaltou.Durante o debate, também foram abordados aspectos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), à segurança das informações e aos limites éticos para o uso da inteligência artificial na atuação ministerial. A discussão reforçou a importância de que as ferramentas tecnológicas sejam empregadas como apoio ao trabalho jurídico, sempre sob supervisão dos membros do Ministério Público.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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