Política
Governo aceita mudanças em PEC do auxílio, mas Senado quer mais
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Da Redação
O governo encaminhou uma sugestão de mudança na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial no Senado para tentar destravar a votação na próxima quarta-feira, 3. A PEC é uma condição da equipe econômica para liberar uma nova rodada do auxílio emergencial. Uma lista com cinco pontos menos essenciais, ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, foi enviada a líderes partidários para viabilizar um acordo. Os senadores, porém, avisaram que a proposta terá de ser ainda mais desidratada.
O governo se comprometeu a preservar os gastos mínimos com saúde e educação, retirando da PEC a medida mais polêmica colocada no relatório do senador Marcio Bittar (MDB-AC). O próprio relator admitiu que vai retirar a desvinculação para viabilizar a votação na quarta-feira, 3. A proposta poderia desobrigar a aplicação de R$ 90,6 bilhões na educação em Estados e municípios neste ano, de acordo com a Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, como revelou o Broadcast Político.
O Executivo, porém, insiste na manutenção de gatilhos para congelar gastos públicos, outro alvo de críticas no Senado. É uma condição para retomar o auxílio emergencial. O parecer prevê o acionamento automático de gatilhos, como congelamento de salários de servidores públicos e concessão de novos subsídios, quando a despesa obrigatória superar 95% do total, o que pode ocorrer nos próximos anos, ou quando for decretado um novo estado de calamidade pública, a qualquer momento – neste caso, o congelamento seria feito durante e até dois anos após o fim do decreto. De forma opcional, também há gatilhos quando a despesa atingir 95% da arrecadação na União, Estados e municípios.
Há pressão de bancadas para fatiar a PEC e aprovar só o benefício agora, deixando as medidas de contenção para depois. Por isso, líderes do Senado avisaram o governo que será preciso “desidratar muito” ou votar apenas o dispositivo que autoriza o pagamento para o auxílio. A negociação deve se estender até quarta e coloca em dúvida a votação da proposta em dois turnos, como quer o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).
Desidratação
O Executivo também admitiu preservar a possibilidade de intervenção da União nos Estados e municípios e dos governos estaduais nas prefeituras quando há descontrole das finanças públicas. De acordo com o relatório atual, não haveria mais intervenção quando não ocorre pagamento de dívida, aplicação de mínimos constitucionais e entrega da repartição de receitas estaduais em municípios.
Houve compromisso também de preservar a vinculação das receitas destinadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que haviam perdido o carimbo no parecer de Bittar. O governo sinalizou ainda que pode retirar a proibição de as emendas parlamentares, indicadas por deputados e senadores no orçamento federal, alocarem recursos para pagamento de pessoal em serviços públicos de saúde.
Outro ponto colocado pelo governo como menos importante é a necessidade de o poder público observar “o direito ao equilíbrio fiscal intergeracional”. Para técnicos do Congresso, o dispositivo era genérico e abria margem para União, Estados e municípios deixarem de aplicar recursos em áreas essenciais alegando desequilíbrio fiscal.
Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/governo-aceita-mudan%c3%a7as-em-pec-do-aux%c3%adlio-mas-senado-quer-mais/ar-BB1e4BAA
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Comissão que analisará linha de crédito para motociclistas profissionais é instalada
O Congresso Nacional instalou nesta segunda (17) a comissão que vai analisar a MP 1.366/2026. Essa medida provisória criou uma linha de financiamento facilitado para motociclistas profissionais que atuam no transporte de passageiros ou em serviços de entrega por aplicativo.
A MP também beneficia taxistas, motoristas de aplicativo e transportadores de pequenas cargas urbanas. A medida provisória atende tanto os trabalhadores autônomos como os que têm carteira assinada.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) foi eleita presidente da comissão — que é mista, ou seja, é composta por deputados federais e senadores. A deputada Amanda Gentil (PP-MA) será a relatora do grupo.
Essa medida provisória, que foi editada em 12 de junho, faz parte do Programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para ampliar o acesso ao crédito de diferentes segmentos do transporte.
Fundo
A MP 1.366/2026 autoriza o uso de recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) para financiar:
- a compra de veículos;
- a renovação da frota;
- investimentos para melhorar a atividade de transporte;
- projetos que aumentem a produtividade;
- iniciativas de redução das emissões de carbono.
Acesso ao crédito
Ao assumir a presidência da comissão, Leila Barros afirmou que a MP enfrenta uma das principais dificuldades de quem depende de veículos para trabalhar: o acesso ao crédito em condições favoráveis.
— É mais uma iniciativa importante do governo federal, porque enfrenta um problema concreto da vida de milhões de brasileiros: o custo de trabalhar. Estamos falando de motoristas de aplicativos, entregadores, motofretistas, mototaxistas, taxistas e outros profissionais de transporte de passageiros e de cargas. Homens e mulheres que saem de casa todos os dias e que dependem de um carro, de uma motocicleta ou de outro veículo para garantir a sua renda e sustentar as suas famílias — declarou.
Para a senadora, a dificuldade de acesso ao crédito faz com que esses profissionais continuem utilizando veículos mais antigos.
— Quem trabalha com aplicativo sabe como é difícil chegar ao sistema financeiro apresentando uma renda variável e pedir crédito com juros mais razoáveis. Muitas vezes, o resultado é continuar trabalhando com o veículo antigo, que consome mais combustível, exige mais manutenção, oferece menos segurança e compromete uma parcela cada vez maior da renda do trabalhador — ressaltou.
Sustentabilidade
Leila disse que os efeitos da MP vão além da concessão de crédito e envolvem geração de renda, mobilidade urbana, segurança no trânsito e desenvolvimento industrial sustentável.
Isso acontece, segundo ela, porque a medida provisória estimula o uso de veículos que atendem a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica.
— Ao incentivar a renovação da frota e criar condições para a ampliação da infraestrutura de recarga e troca de baterias, por exemplo, estamos também preparando nossas cidades para a transição para uma mobilidade de baixo carbono — argumentou.
Tramitação
A senadora prometeu diálogo e agilidade na análise da MP. Segundo ela, a comissão ouvirá os setores envolvidos (por meio de audiências públicas, por exemplo) e analisará possíveis mudanças no texto.
— Como presidente desta comissão, vou trabalhar para que possamos analisar essa medida provisória com responsabilidade, ouvir os setores envolvidos, incentivar o aperfeiçoamento do texto, caso necessário, e construir as condições necessárias para a sua aprovação pelo Congresso Nacional — salientou.
Já foram oferecidas até agora 14 emendas ao texto. Após a análise da comissão, a medida provisória ainda terá de passar por votação, respectivamente, nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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