Opinião
É preciso ter coragem para ser você
Opinião
Por: Cynthia Lemos
“Aceitamos programações impostas pela sociedade sem questionar.”
Sutilmente somos programados para uma mente coletiva, e muitas pessoas passam uma vida inteira sendo regidas por um pensamento coletivo que lhes foi cravado, e que simplesmente, sem questionamento aceitou, absorveu e tem repetido estes no dia a dia.
“Meninos usam azul, devem ser fortes e não podem chorar.”
“Meninas usam rosa, devem ser delicadas e aprender a cozinhar, para não ficarem solteiras.”
“Festa de 15 anos é tradição!”
“Homem que chora é fraco!”
Segundo esses padrões, para aqueles que fugirem a regra, resta a difícil missão de viverem a margem da sociedade, “infelizes”.
Você muitas vezes acreditou nisso. Você acreditou que seguindo essas orientações impostas como verdade absoluta, conseguiria ter uma vida plena, ser aceito, reconhecido e amado.
Mas, depois de um tempo, seguindo esses padrões, tem uma grande surpresa, percebe que aquilo que lhe foi pregado por uma vida inteira, como promessa de felicidade plena, na verdade lhe trouxe um vazio muito maior.
Frustrado, perdido e infeliz, ainda segue, pois sabe, lá no seu interior, que muitas das suas decisões foram tomadas pautadas no que o outro pensava, no que a sociedade ditava, e percebe agora que essas mesmas decisões, que prometiam acolhimento e amor, acabou que o tornou assim, meio indigente, meio sem direção, frustrado.
Justo aqueles padrões que prometiam que se fossem seguidos – trariam a felicidade. Justo eles… trouxeram a angústia e o vazio.
Aí você percebe que precisa fazer alguma coisa.
NÃO dá mais para viver do jeito que viveu até agora!
Nesse momento, você resolve buscar ajuda, e entende que na verdade, a felicidade, está em primeiro respeitar sua essência… Fazer escolhas, primeiro olhando para si, sendo você mesmo, tendo CORAGEM de dizer o que pensa, de escolher outra coisa, ou até escolher o que lhe é imposto, mas de forma consciente, de livre e espontânea vontade. Sabe que a partir de agora, SER FELIZ está diretamente ligado com SER LIVRE, praticar o livre arbítrio… de olhar além do que lhe é mostrado.
Você descobre neste momento, que aplicando essa coragem, não se torna menos, não é excluído, não é rejeitado, não é ameaçado, porque na verdade, A ÚNICA PESSOA CAPAZ DE LHE DIMINUIR É VOCÊ MESMO. Por que você sim é o SENHOR de SI MESMO, e só você tem a permissão de permitir que outras pessoas tenham esse poder sobre você, sendo assim, VOCÊ PODE SER O QUE VOCÊ QUISER, pois neste momento, você sabe que a maior riqueza deste mundo esta no SER, para TER, e esta é a ordem… e nela você poderá “Honrar e Respeitar a sua História”, e assim escrevê-la do jeito que quiser, porque no fim a História é sua, e você é o Autor!
Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: cynthia@grandy.com.br
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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