Opinião

Duas perguntas que têm o poder de Comprometer uma Equipe

Publicado em

Opinião

Por: Stephanie Romero

 

Dei as boas-vindas a uma colaboradora nova, que começou há 2 semanas, no financeiro. E perguntei a ela:

E aí o que está achando da empresa? Com um sorriso amarelo, ela respondeu:

– Legal.

Depois entendi o motivo. Após a aprovação para ocupar a função, ela entrou pela porta da empresa direto para o financeiro, e ali foi treinada arduamente pela gestora da área para dar conta da tarefa.

Ela não foi apresentada à empresa. Seu caminho era da entrada para a sala do financeiro, onde saia só para o almoço ou ir embora.

Ela não conhecia ninguém, e nem sabia nada sobre a essência da empresa.

Era uma colaboradora do século XXI, inserida em um sistema inconsciente da era Fordismo, alienada a sua função e desconectada dos outros setores e processos. Consequentemente em pouco tempo, sentiu-se desmotivada, desanimada, improdutiva e limitada.

Inserida também naquele grupo da famosa frase proferida por muitos gestores:

– Limitada! Não pensa! É duro encontrar gente boa.

Naquele movimento comum, que costumo observar nas empresas, nas quais o líder se isenta de responsabilidade e culpa o outro, o sistema ou a crise pelos resultados negativos.

POR QUÊ?

PARA QUE?

São perguntas que deveriam existir no vocabulário de todo líder e de todo profissional, quando falamos de metas e direcionamentos.

Empresas de sucesso são compostas de pessoas que são comprometidas com a essência da empresa. Envolver as pessoas a nível de essência, não é possível com respostas, que infelizmente, ainda ouço em algumas organizações.

-Por que?

-Porque o chefe mandou …

-Para que?

-Para você não perder seu emprego.

 -Por que?

-Porque eu tô mandando!

Infelizmente, eu digo, que isso talvez seja um dos maiores motivos de um “descomprometimento” e que geram alguns comentários entre os gestores decepcionados:

– Parece que as pessoas não pensam! Fazem as coisas por fazer. Por obrigação!

Diante desses acontecimentos, convido você a fazer a primeira reflexão em relação ao “descomprometimento” da sua equipe: Como você trata essas pessoas?

Você é um líder que incentiva as pessoas da sua equipe a pensarem? Você é um líder que faz pergunta ou entrega todas as repostas? Tudo sempre pronto?

Em que nível você se coloca ao se relacionar com as pessoas que lidera?

Você é um gestor que se preocupa em envolver sua equipe com a essência da empresa, ou sua preocupação está somente em fazer com que  cumpram a tarefa a eles delegada?

Porque se você os trata desta forma, sem as informações do:

PORQUE (motivo para fazer) e do PARA QUE (consequências da ação para o sistema como um todo), quando você faz um direcionamento, esteja satisfeito, se a sua equipe ainda entrega as tarefas dentro da média. Pois resultados acima da média dependem de pessoas conectadas com a essência da empresa, que colaboram para o cumprimento de uma missão, de um propósito, do motivo de “existir” naquilo que fazem, para além de simplesmente o cumprir de uma atividade.

Aqui estamos falando sobre a essência, o motivo que move cada ação em uma função específica. O que faz o colaborador se sentir feliz fazendo o que faz?

Gestor, convido você a observar:

Qual a essência do negócio que você lidera?

Qual foi o motivo lá atrás, desse negócio ter sido criado, além de gerar recursos financeiros?

A necessidade de quem ele veio suprir? O desejo de quem ele veio atender, que o moveu até aqui?

E ainda provoco você líder: o que lhe conecta nesta função para além das tarefas a serem feitas, para além dos seus ganhos financeiros?

O que lhe mantém neste negócio?

Como você quer ser reconhecido?

Se por acaso você estivesse atrás da porta, o que você gostaria que as pessoas falassem de você?

Essas perguntas lhe ajudarão a compreender a essência do negócio, na qual você faz parte, e que deverão guiá-lo e ser a base de todo o direcionamento que for fazer junto a sua equipe.

Quando for compartilhar uma meta, um objetivo, cobrar os resultados, elogiar ou corrigir um comportamento, neles sempre deverão estar contidos: “O PORQUÊ e O PARA QUE” que serão os grandes conectores das tarefas, da responsabilidade com a essência da empresa.

É isso que move uma organização, é isso que move as pessoas com brilho nos olhos, comprometidas e apaixonadas pelo que fazem! Isso que as faz se sentirem úteis, contribuindo com a organização, não simples peças de um relógio. Como máquinas sem vida.

 

Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: cynthia@grandy.com.br

 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Opinião

ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

Publicados

em


Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA