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Com quem você se identifica: a barata ou o elefante?

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Por: Cynthia Lemo

“Os elefantes demoram a se adaptar.

Já as baratas sobrevivem em qualquer ambiente.”

Já dizia Peter Druker, considerado o pai da administração moderna.

Não há dúvidas que a capacidade de adaptação é uma competência essencial em qualquer ambiente organizacional. Afinal uma organização é viva e dinâmica, e permanecer assim, significa ser “amiga” da mudança para continuar a crescer e se manter no mercado.

Porém se adaptar é uma competência incrível que precisa ter embutida em si valor, pois se adaptar a qualquer custo ou de qualquer forma, talvez signifique se anular, ser medíocre e impessoal.

Estive há alguns dias com um profissional, vamos chamá-lo aqui pelo nome de Joel…

Joel está prestes a ser desligado da empresa onde trabalha. Motivo: já passou por vários setores da empresa e não desempenhou bem suas tarefas. Aliás, desempenhou pessimamente, mas alguém tinha que fazer o que ele fazia, e como ele não reclamava, era meio apagado, escondido, foi ficando, despercebido. Como uma boa barata, ele esteve em todos os lugares sem questionar, forte.

A empresa como último recurso para “salvá-lo”, resolveu remanejá-lo para o setor operacional, mas antes disso, me pediu uma análise de seu perfil profissional, para que não houvesse novo erro de mudança. No meio da conversa com Joel, ele disse: “eu não gosto do setor que estou, eu me sinto preso, eu não estou me sentindo bem ali.”

Maravilha! – pensei comigo, uma atitude, um manifestar surgiu aí. Alguém que mostra que deseja sim se adaptar, mas que tem seus valores, suas preferências e entende, que respeitar e negociar isso com a empresa significa um ganho para ambos! Yesss!

E aqui digo a você profissional:

Tenha certeza de que participar, opinar e contribuir para a empresa na qual trabalha de forma franca e coerente consigo mesmo e seus valores, lhe trará resultados incríveis; pois não há como ser produtivo ou obter bons resultados como uma barata, que está em qualquer lugar por mais inadequado que seja, só para garantir a sua sobrevivência, ou, o emprego.

E você empresário:

Tenha certeza de que ter um profissional que se expressa, se posiciona, que mostra quais os lugares, onde ele não cabe, pois seu tamanho não permite, talvez por não ter a habilidade ainda e precisar buscar, ou por não concordar com uma ideia e querer contribuir com outro ponto de vista, ou por saber que naquele lugar não conseguirá entregar o resultado que a empresa precisa, talvez como um elefante, esse profissional tem valor, esse está com você gestor, gerindo a empresa.

O empresário deve compreender que gerir um negócio, fazer uma empresa crescer depende de estratégias, depende de “elefantes” que participem e ajudem a tomar decisão e que tenham em mente, que crescer profissionalmente significa contribuir para que pessoas e negócio tenham resultados.

Voltando ao Joel:

Depois de 3 anos de empresa, considerado como o profissional bonzinho, pau pra toda obra, fácil de lidar e que não dava trabalho… já não servia mais, não dava mais para ter o que não dava trabalho sem resultados diante da situação atual do mercado! Há 3 anos como auxiliar de muita coisa, de muitos setores, a empresa resolveu assumir sua parte: Vamos analisar seu perfil e tomar a última decisão, não dá mais. Afinal é resultado que garante no mínimo a sobrevivência de uma empresa. E ali ela precisava assumir responsabilidade. Agora é com Joel, que vai precisar assumir sua parte. Não mais como barata. O bonzinho “pau para toda obra” não serve mais, talvez por que neste mercado também tem concorrência, e hoje dentro do quadro talvez tenham outros “bonzinhos” mais produtivos.

Assim, o que estou querendo mostrar pra você é que toda a escolha tem consequências.

Quem você quer ser na empresa onde trabalha? Bonzinho? Ser conhecido como:

“É limitado, mas não incomoda; e por enquanto o que ele faz precisa ser feito e ele se propõe a tudo que pedimos sem incomodar.”

Até para estar nesse lugar do bonzinho, saiba, você tem que evoluir, desempenhar, pois talvez outros bonzinhos melhores, ou medíocres a menos, podem tomar seu lugar.

Agora você escolhe de que forma quer ser:

Barata ou Elefante?

Todas requerem adaptação, mudança, evolução e tem consequências!

 

Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos.  Email: cynthia@grandy.com.br

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ELIÇÕES NO BRASIL QUARENTA ANOS DEPOIS O PÊNDULO POLÍTICO MUDOU DE LADO

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Há eleições que simplesmente escolhem governantes e parlamentares. Outras encerram ciclos, reorganizam forças e revelam mudanças profundas na sociedade. O Brasil viveu uma dessas eleições em 1986. Quarenta anos depois, em 2026, parece viver um movimento de direção inversa.

Em 1986, o país ainda respirava os primeiros ares da redemocratização depois de 21 anos de regime militar, iniciado em 1964. A eleição ocorreu sob o impacto da Nova República, das Diretas Já, da eleição de Tancredo Neves e também da enorme popularidade inicial do Plano Cruzado. O resultado foi avassalador: o PMDB conquistou 22 dos 23 governos estaduais e elegeu 260 dos 487 deputados federais e sozinho, 53% da Câmara. Na eleição para o Senado, conquistou 38 das 49 vagas então disputadas.

Do outro lado estava principalmente o sistema partidário que carregava parte da herança política do regime anterior. O PDS, sucessor da Arena, que sustentara politicamente os governos militares, sofreu uma derrota histórica: ficou com apenas 33 deputados federais, dois senadores eleitos e nenhum governador. O PFL, nascido de uma dissidência do próprio PDS e aliado do governo Sarney, porém, conquistou 118 deputados. Isso demonstra que 1986 não representou simplesmente uma vitória da “esquerda”, mas uma gigantesca reorganização do poder em favor das forças da redemocratização.

O próprio PMDB reunia correntes progressistas, moderadas e conservadoras. Tanto que, durante a Assembleia Constituinte, uma parcela importante de seus parlamentares participou do chamado Centrão. Ainda assim, naquele momento histórico, conceitos como democracia, direitos sociais, participação popular, ampliação das liberdades e construção de uma nova ordem constitucional ocupavam o centro da agenda nacional. O Congresso eleito em 1986 produziria a Constituição de 1988.

Quarenta anos depois, o pêndulo mudou de direção.
As eleições de 2026 apresentam uma fotografia quase inversa na correlação de forças. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, ampliando sua bancada em 24 cadeiras e tornando-se, com enorme vantagem, o maior partido da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV ficou com 82 deputados.
No Senado, a mudança é ainda mais impressionante. Das 54 cadeiras disputadas, o PL conquistou 19. Considerados também os parlamentares com mandato até 2030 e as alterações decorrentes das eleições estaduais, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, contra nove do PT e oito do MDB. Será a maior bancada partidária no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O simbolismo histórico é extraordinário. Em 1986, o PMDB conquistou 38 das 49 cadeiras senatoriais em disputa; em 2026, o PL conseguiu 19 das 54. São magnitudes diferentes, mas os dois resultados expressam momentos de forte reorganização do sistema político. Em 1986, o partido identificado com a redemocratização ocupava o centro do poder. Em 2026, uma força política de identidade predominantemente conservadora assume a maior bancada das duas Casas do Congresso.

Há, portanto, uma interessante simetria histórica. 1986 foi uma eleição marcada pelo desejo de afastamento da ordem política construída durante o regime militar; 2026 revela o fortalecimento de forças conservadoras depois de quatro décadas nas quais direitos sociais, Constituição de 1988 e agendas progressistas tiveram enorme presença no debate político brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha permanecido progressista durante quarenta anos, tampouco que tenha se tornado integralmente conservador agora. A história política brasileira nunca foi tão linear. Houve governos de centro, centro-direita, centro-esquerda e coalizões extremamente heterogêneas. O próprio segundo turno presidencial de 2026 ainda será disputado, demonstrando que a sociedade permanece profundamente dividida.
Mas o Congresso que saiu das urnas oferece um dado impossível de ignorar: o conservadorismo deixou de ser apenas uma força de resistência às mudanças e passou a ocupar uma posição central na organização institucional do poder.

Em 1986, o eleitor brasileiro ajudou a enterrar eleitoralmente boa parte da estrutura partidária herdada do regime militar. Em 2026, quarenta anos depois, o eleitorado promove outra mudança de eixo.
A história raramente se repete da mesma maneira. Ela trabalha por movimentos, contradições e reações. O pêndulo que em 1986 se deslocou em direção à redemocratização e à expansão dos direitos agora se movimenta em direção ao conservadorismo.
Quarenta anos depois, não estamos assistindo à repetição de 1986. Estamos assistindo, em muitos aspectos, ao seu movimento inverso.

* João Edisom de Souza – Analista político e professor universitário



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