Mato Grosso
Casa de Amparo adota novas estratégias para reforçar combate à violência doméstica
Mato Grosso
Da Redação.
“Use a máscara para se proteger do Covid-19 e não para mascarar a violência contra as mulheres”. Esse é o chamado que está sendo feito pela Casa de Amparo Vilma Benedita Rodrigues nesse momento de enfrentamento a pandemia do novo coronavírus. A entidade tem adotado estratégias diferenciadas para manter latente a importância da denúncia em situações desse tipo.
Considerada referência no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica em Cuiabá, a unidade está ligada a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência e tem como madrinha, a primeira-dama Márcia Pinheiro.
De acordo com a coordenadora Fabiana Soares, a proposta de criação dessa campanha é chamar a atenção, principalmente das mulheres, mas também de parentes e amigos que, por ventura, conhecem alguém que enfrenta esse problema. A iniciativa visa incentivar as pessoas a efetuar denúncias, para que as devidas providências sejam tomadas e o autor do crime responda por suas atitudes. “Apesar da pandemia, a Casa de Amparo está aberta, pronta para receber essas mulheres que precisam de todo apoio nesse momento tão delicado. Não podemos nos calar e achar que isso já é uma coisa normal. Violência contra a mulher é crime”, pontuou.
Antes de procurar a Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência, o primeiro passo a ser dado é ligar nos números 180 e 190 para pedir ajuda. “Por meio desses canais, os servidores que estão capacitados para atender esse tipo de ocorrência, irá orientar a vítima sobre o que precisa ser feito. Quanto mais rápida a procura por ajuda, mais fácil para a equipe prestados devidos socorros”.
Nesse primeiro semestre de 2020, a Casa já abrigou cerca de 30 mulheres e 25 crianças. “No momento, estamos com uma acolhida. Esse esvaziamento da Casa não significa que a violência doméstica parou, mas sim que a mulher está com medo de denunciar e receio do futuro. Faço a denúncia, aí vou pra Casa de Amparo e depois vou pra onde? Quais instrumentos que tenho de amparo? Acreditamos que, nesse momento de isolamento social, as mulheres estão amedrontadas. Com receio de serem vigiadas e maltratadas por denunciar seus agressores”, ressaltou Fabiana.
A capacidade da sede é de 22 mulheres vítimas de violência doméstica, acompanhas ou não de seus filhos. São 29 espaços, com novas mobílias e estrutura física amplamente reformulada na parte estrutural, que passa a contar com salas de coordenação, acolhimento, administrativo, psicossocial, brinquedoteca, refeitório, cozinha, dispensa, lavanderia, salão multiuso, refeitório, cozinha, almoxarifado, seis quartos, seis banheiros, horta, parque infantil e academia ao ar livre.
As atividades estão mantidas desde o início da adoção de medidas de enfrentamento na Capital por ser considerada como serviço essencial. No entanto, algumas medidas diferenciadas foram adotadas, a fim de evitar a aglomeração de pessoas.
“Adotamos todas as precauções e medidas exigidas de higiene para o controle do coronavírus. Sabemos que podem ser medidas simples, porém de fundamental importância nesse momento em que o prefeito Emanuel Pinheiro não está medindo esforços para manter a segurança e vida dos servidores que estão na linha de frente, como dos amparados que estão na Casa”, completou.
Foto: Vicente Aquino/Prefeitura Cuiabá.
Mato Grosso
Gaúcha do Norte implanta Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher
Localizada a cerca de 571 km de Cuiabá, Gaúcha do Norte passa a contar com a atuação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Com a formalização ocorrida na sexta-feira (31), o município se tornou o 129º do estado a ser integrado à iniciativa liderada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação foi feita por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), sob coordenação da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. A Rede conta ainda com a participação de instituições da segurança pública, Ministério Público, Defensoria Pública, Municípios, dentre outras.
Além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre os órgãos e instituições participantes, a passagem da equipe do Cemulher-MT por Gaúcha do Norte proporcionou ainda a capacitação de 32 pessoas que atuarão na Rede. A implantação da Rede de Enfrentamento foi efetivada após pedido da Patrulha Maria da Penha do município.
“Percebemos a dificuldade que temos ao atender sozinhos os casos de violência doméstica. Precisamos da Rede para oferecer uma proteção e suporte maior. Com essa união, podemos agir em conformidade nesse propósito, que é proteger a vida da mulher”, explicou a soldado PM Gisele Bernardo Pinto Matos, comandante da Patrulha Maria da Penha de Gaúcha do Norte.
Para Tiago Gonçalves dos Santos, juiz substituto da 1ª Vara de Paranatinga – comarca que realizada o atendimento jurisdicional de Gaúcha do Norte, a instalação da Rede de Enfrentamento é um marco importante. “Mais uma vez o Poder Judiciário vai até a comunidade, desta vez em parceria, com o objetivo de melhorar nossa sociedade, principalmente para as mulheres e meninas que tanto sofrem em nosso estado”, disse.
De acordo com a promotora de Justiça Fernanda Luíza M. Siscar, a partir da assinatura do Termo de Cooperação Técnica ficará mais fácil para os órgãos e instituições definirem os fluxos de atendimento, prioridades e ações para o município. Ela destacou que também está no planejamento a criação de um plano de metas, que guiará as estratégias de atuação para os próximos dez anos.
“A partir da implementação da Rede é que nós conseguimos avançar nas demais normativas, documentos públicos, nos planos e nas iniciativas estratégicas. Com a Rede, conseguimos devolver à população um serviço de melhor qualidade. Junto a isso, estamos buscando também a criação do plano decenal de metas para o município”, relatou a promotora.
Já o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gabriel Conrado, a implantação da Rede é fundamental para a integração de todos os órgãos públicos. “Temos um número muito alto de casos de violência doméstica nessa região. Então, essa integração é importante para a repressão desses crimes e proteção das mulheres”, pontuou.
Canais de denúncia:
180 – Todo território nacional
181 – Estado de Mato Grosso
197 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
Autor: Bruno Vicente
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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