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Pênalti é loteria? Pesquisadores afirmam que não

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Estudiosos portugueses estão desenvolvendo projeto para ajudar a compreender o comportamento de goleiros e batedores nas penalidades

Da redação

 

A máxima “pênalti é loteria” é tão velha quanto equivocada. Pelo menos é o que garante um grupo de pesquisadores portugueses, que diz ter desenvolvido um algoritmo para acabar com o mito que liga a marca da cal ao acaso. O projeto de inteligência competitiva no esporte, que ainda não tem nome, está sendo testado durante a Copa das Confederações na Rússia.

Um dia depois de Portugal ser eliminado pelo Chile ao errar todas as suas três cobranças na decisão por pênaltis, o coordenador do estudo, Alexandre Real, disse que os testes vem dando “resultados muito bons”. Ele montou um grande banco de dados com os resultados e o comportamento de goleiros e batedores das grandes ligas do futebol mundial.

A ideia surgiu durante a Eurocopa do ano passado, em que o pesquisador, especialista em liderança e gestão de equipes, trabalhava como comentarista em um programa de rádio, no jogo de quartas de final em que Portugal derrotou a Polônia nos pênaltis.

O português decidiu desenvolver uma ferramenta que, com base científica, permitiria um melhor preparo a batedores e goleiros para melhorar a eficiência nesse quesito. “Chegamos a conclusão de que Cristiano Ronaldo é mais eficiente que Messi cobrando pênaltis, ainda que tenha um ponto fraco: bater no meio do gol”, revelou o coordenador do projeto.

Segundo a pesquisa, o atacante português do Real Madrid converteu 83% das 109 penalidades máximas que foram analisadas: 89% à direita do goleiro e 85% à esquerda e apenas 58% dos chutes que são no meio do gol.

Ao jornal português Diário de Notícias, o pesquisador disse que, se o goleiro Ruí Patrício tivesse estudado as cobranças de Arturo Vidal e Alexis Sanchez poderia ter defendido as cobranças dos chilenos na decisão da última quarta – o chileno Aranguiz, porém, mudou o canto que havia batido suas últimas três cobranças, mas também converteu. Segundo Real, o algoritmo tem sempre associada uma margem de erro que depende do jogador e do contexto da jogada.

Os grandes clubes do mundo já trabalham com análises semelhantes, especialmente os goleiros que constantemente estudam o comportamento de batedores adversários. Os desenvolvedores portugueses, porém, acreditam que seu projeto é ainda mais eficiente e pretendem comercializar o serviço a partir de dezembro, ainda que com uma regra básica: só uma equipe por país e por competição.

“A informação que damos é tão precisa que se a oferecermos a mais de um clube por país, anula o benefício do serviço.” O coordenador do projeto estima que uma equipe pode ter entre três e 12 pontos a mais por temporada graças a este estudo.

O grupo descarta oferecer o serviço a outros mercados complementares, como sites de apostas esportivas ou estatísticas dirigidas aos meios de comunicação. O grupo ainda revela que a iniciativa não ficará só nas cobranças de pênaltis. “Identificamos novas oportunidades de desenvolvimento de mais algoritmos, principalmente no caso de jogadas de bola parada, como faltas e escanteios”, concluiu Real.

 

 

 

 

 

Fonte: Agência EFE

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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