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Brasil terá frio de 4°C no Sul e calor acima de 40°C no Nordeste

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O Brasil enfrentará condições climáticas opostas nos próximos dias, com temperaturas próximas de 4°C no Sul, calor superior a 40°C no Nordeste e chuvas intensas em parte do Centro-Sul. A chegada de uma frente fria no sábado (07.11), acompanhada por uma massa de ar polar, deverá acentuar essas diferenças e ampliar a preocupação dos produtores rurais. Enquanto o excesso de umidade ameaça interromper trabalhos nas lavouras do Sul, a falta de chuva e o calor persistente dificultam a recuperação da umidade do solo em áreas agrícolas do Norte e do Nordeste.

A previsão para o período de 5 a 10 de novembro, elaborada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Climatempo, mostra que o país atravessa uma fase de forte irregularidade climática. O cenário ocorre durante a implantação da safra de verão 2026/27 e sob influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e a mudanças na distribuição das chuvas.

No Sul, os maiores acumulados deverão atingir Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Inmet prevê volumes entre 40 e 80 milímetros em grande parte da região ao longo da semana, com possibilidade de superar 100 milímetros em pontos do Paraná. No centro e oeste gaúcho, os totais poderão alcançar de 80 a 100 milímetros.

Esta quinta-feira (05) já será marcada por instabilidades no Paraná e em Santa Catarina, com risco de temporais, rajadas de vento e chuva forte. Depois de uma melhora temporária na sexta-feira (6), uma nova frente fria deverá intensificar as precipitações no sábado, principalmente no centro-sul paranaense e no oeste catarinense.

A mudança mais acentuada nas temperaturas ocorrerá no domingo (8). A entrada de ar polar deverá reduzir as mínimas para valores entre 4°C e 6°C em pontos da Campanha, do Planalto e da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.

Para a agricultura, a principal preocupação no Sul não se limita à queda dos termômetros. Chuvas frequentes e elevados volumes acumulados podem dificultar a entrada de máquinas nas propriedades, atrasar operações de plantio e pulverização e favorecer o encharcamento de áreas com drenagem deficiente.

O problema já vinha sendo acompanhado pelo Inmet em outubro, quando o excesso de chuva e a umidade elevada prejudicaram operações agrícolas e lavouras de trigo em partes da região. A continuidade das instabilidades exige atenção especial à condição dos solos e às janelas disponíveis para os trabalhos de campo.

No Nordeste, o cenário será praticamente inverso. A previsão indica predomínio de calor e tempo seco, com temperaturas que poderão ultrapassar 40°C no domingo em áreas da Bahia, Sergipe e Alagoas. Em determinados pontos do interior nordestino, a umidade relativa do ar poderá cair para índices entre 12% e 20%.

A situação é especialmente delicada no Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região atravessa a transição entre a estação seca e o período chuvoso, etapa decisiva para a recuperação da água armazenada no solo e o início do plantio da soja.

Levantamento do Inmet mostra que setembro e outubro foram marcados por temperaturas superiores às médias históricas e precipitações irregulares. Em setembro, os desvios de temperatura chegaram a 3,6°C em Morro do Chapéu, na Bahia. Em outubro, Cruz das Almas, também na Bahia, registrou temperatura 3°C acima da média, enquanto Araguaína, no Tocantins, apresentou desvio de 3,2°C.

O calor aumenta a perda de água do solo e a demanda hídrica das plantas. Por isso, chuvas isoladas nem sempre são suficientes para restabelecer as condições necessárias à semeadura. O produtor precisa considerar não apenas o volume acumulado, mas a regularidade das precipitações e a profundidade da umidade disponível no perfil do solo.

No Matopiba, o Inmet prevê para novembro chuvas abaixo da média em extensas áreas, especialmente entre Maranhão e Bahia. Para os próximos dias, os volumes deverão permanecer baixos em grande parte do Maranhão e do Piauí, enquanto o oeste e o sul baiano poderão receber precipitações mais expressivas no início da próxima semana.

A irregularidade aumenta o risco de germinação desuniforme da soja, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio quando a semeadura ocorre sem umidade suficiente. O instituto ressalta, entretanto, que as condições observadas até agora não permitem antecipar o resultado final da safra.

No Centro-Oeste, o quadro será intermediário. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul deverão registrar pancadas de chuva ao longo da semana, com possibilidade de temporais a partir de sábado. O Inmet prevê acumulados entre 10 e 30 milímetros em grande parte da região, com volumes localmente superiores durante as tempestades.

A passagem da massa de ar polar também deverá provocar queda de temperatura no sul de Mato Grosso do Sul, onde as mínimas poderão chegar a 12°C ou 13°C na segunda-feira (9). Em Mato Grosso e Goiás, a redução será menos intensa.

No Sudeste, São Paulo estará entre os estados mais atingidos pela nova frente fria. A previsão indica chuva forte no fim de semana, com acumulados que poderão superar 100 milímetros em pontos do litoral paulista no domingo. As instabilidades também deverão alcançar Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na Região Norte, a chuva continuará concentrada principalmente no oeste da Amazônia, com volumes que poderão superar 80 milímetros em pontos do Amazonas ao longo da semana. Já áreas do norte do Pará e do Amapá deverão permanecer com precipitações reduzidas. No Acre e em Rondônia, a entrada de ar polar poderá provocar uma friagem de menor intensidade.

As diferenças entre as regiões deverão continuar ao longo dos próximos meses. O boletim mais recente do Painel El Niño, divulgado pelo Inmet e por outras instituições federais, indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para grande parte do Norte e áreas do Nordeste, a tendência é de precipitações abaixo do normal.

A análise histórica do instituto também mostra que o El Niño não provoca automaticamente perdas de produtividade em todas as áreas agrícolas. No Matopiba, os resultados das safras anteriores variaram entre os estados, dependendo principalmente da distribuição das chuvas e do momento em que ocorreram períodos de deficiência hídrica.

Para a soja, os maiores riscos surgem quando a falta de água coincide com a floração e o enchimento dos grãos. No início do ciclo, a preocupação está na germinação e no estabelecimento das plantas. No Sul, por outro lado, o excesso de precipitação pode comprometer o calendário de operações e elevar a pressão de doenças.

O contraste entre frio, chuva intensa e calor extremo reforça a necessidade de acompanhar as previsões regionais antes de decidir o momento do plantio, da aplicação de defensivos e de outras operações. Com a safra 2026/27 em andamento, a distribuição da chuva poderá ser tão importante quanto o volume total registrado em cada região.

Fonte: Pensar Agro



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Futuro da carne bovina e rastreabilidade em debate nesta quarta

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O futuro da pecuária brasileira, as exigências dos mercados internacionais e os custos para adaptar a produção às novas regras de rastreabilidade estarão no centro dos debates do Pecuária em Pauta, que será realizado nesta quarta-feira (04.11), em São Paulo. Promovido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), em parceria com o Insper, o encontro reunirá pesquisadores, produtores e representantes da cadeia da carne bovina para discutir os desafios econômicos e ambientais de uma atividade que ocupa posição estratégica nas exportações brasileiras.

Esta será a primeira edição paulista do evento, que tem como público principal jornalistas e profissionais de comunicação. A proposta é aproximar a imprensa das questões enfrentadas dentro das propriedades rurais e ampliar o debate sobre temas que influenciam diretamente a competitividade da carne brasileira.

Um dos principais assuntos será a rastreabilidade bovina, que ganhou importância com o avanço das exigências de compradores internacionais. A identificação individual dos animais e o acompanhamento de sua movimentação ao longo da cadeia produtiva são considerados instrumentos importantes para comprovar a origem do rebanho, fortalecer o controle sanitário e atender às regras de acesso a determinados mercados.

A implantação desses mecanismos, entretanto, envolve investimentos em identificação, tecnologia, registros e gestão das propriedades. Para os pecuaristas, especialmente os pequenos e médios, o desafio é incorporar essas exigências sem comprometer a rentabilidade da atividade.

O tema será abordado por André Ribeiro Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina e integrante do Comitê Assessor da Embrapa Gado de Corte. A discussão deverá considerar a realidade das fazendas e as condições necessárias para que os protocolos de produção sejam efetivamente aplicados.

As perspectivas da cadeia da carne bovina no Brasil e no mundo serão apresentadas pelo professor Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global. O debate ocorre em um momento em que a pecuária brasileira precisa conciliar a demanda internacional por proteína animal com a concorrência de outros países exportadores e as exigências crescentes de seus compradores.

A programação também abordará a relação entre sustentabilidade econômica e ambiental. Os pesquisadores Sérgio Lazzarini e Fernanda Lemos, do Insper Metricis, discutirão propostas de governança para aproximar os objetivos de conservação ambiental das condições necessárias à continuidade da produção.

A questão é relevante para a pecuária brasileira porque a adoção de práticas sustentáveis depende não apenas de exigências legais ou comerciais, mas também de instrumentos de financiamento, assistência técnica e mecanismos que permitam ao produtor recuperar os investimentos realizados.

Outro destaque será a participação da pecuarista Terezinha Helena Staut Costa, conhecida como Dona Teka, que apresentará sua trajetória na atividade. A experiência de quem acompanhou a expansão da pecuária em Mato Grosso ajudará a contextualizar as transformações ocorridas nas propriedades e na organização da produção ao longo das últimas décadas.

O encontro também marcará o lançamento oficial da União Nacional da Pecuária (Unapec), iniciativa voltada à representação do setor. A apresentação está prevista para o encerramento da programação, depois de um painel que reunirá especialistas e representantes da cadeia produtiva.

A abertura será conduzida pelo presidente da Acrimat, Nando Conte. A programação inclui ainda um painel de debates mediado por Daniel Latorraca, com a participação de representantes da produção e de pesquisadores.

Ao reunir diferentes segmentos da pecuária, o evento coloca em discussão uma questão central para o produtor brasileiro: como manter a competitividade da carne bovina diante de exigências comerciais, sanitárias e ambientais cada vez mais complexas, sem transferir integralmente os custos dessa adaptação para dentro da porteira.

O Pecuária em Pauta será realizado no auditório Steffi e Max Perlman, no Insper, localizado na Rua Uberabinha, s/n, Vila Olímpia, em São Paulo. A programação começa às 14h, com encerramento dos debates previsto para as 18h e lançamento da Unapec na sequência. O encontro é direcionado a jornalistas e profissionais de comunicação. O prazo de inscrições gratuitas divulgado pela organização terminou em 29 de outubro.

Fonte: Pensar Agro



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