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Ação da campanha Tchau Sufoco realiza mais de 250 atendimentos e auxilia consumidores na renegociação de dívidas

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Mais de 250 atendimentos foram realizados durante a ação especial da campanha Tchau Sufoco, promovida pela Prefeitura de Sinop, por meio do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Sinop), no último sábado (1º), na Praça da Bíblia. A iniciativa marcou o início da 5ª edição da campanha, que segue durante todo o mês de agosto com atendimentos voltados à renegociação de dívidas, educação financeira e orientação aos consumidores.

A ação reuniu instituições financeiras, empresas, entidades e diversos serviços públicos em um único espaço. Os consumidores tiveram acesso à consulta de situação cadastral, negociação de débitos, orientações financeiras e atendimento do Procon. Também foram ofertados serviços de vacinação humana e animal, atendimentos da Assistência Social, encaminhamentos habitacionais, vagas de emprego pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) e orientações jurídicas e empresariais.

O diretor-executivo do Procon Sinop, Vilson Barozzi, explicou que a campanha busca oferecer oportunidades para que consumidores inadimplentes reorganizem a vida financeira e retomem o acesso ao crédito. “A campanha Tchau Sufoco tem esse nome justamente porque muitas pessoas possuem pendências de inadimplência, ou seja, deixaram de pagar suas contas no devido tempo. A inadimplência traz inúmeras consequências sociais. O que buscamos é tirar essas pessoas do sufoco. Durante todo o mês de agosto, a campanha estará disponível nas próprias sedes das empresas participantes. Trata-se de um compromisso social entre o Procon, a Associação Comercial e as demais empresas parceiras para estender a mão à população neste momento”, afirmou.

Vilson Barozzi também destacou que a iniciativa vai além da renegociação de débitos e busca incentivar mudanças de comportamento relacionadas à organização financeira. “Precisamos ajustar as contas para o bem comum. A população precisa fazer esse ajuste, contabilizar, pontuar e, principalmente, mudar de atitude. Muitas vezes as pessoas perdem o controle das finanças por não realizarem esse acompanhamento. Nossa finalidade é alertar e orientar os consumidores. O descontrole financeiro gera inúmeras consequências sociais. Quando combatemos a inadimplência, ajudamos a resolver muitos problemas sociais”, disse.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sinop (Aces), Fábio Migliorini, ressaltou que a renegociação beneficia tanto os consumidores quanto as empresas. “Hoje, a principal dificuldade de muitas pessoas é o acesso ao crédito. Muitas famílias enfrentam o endividamento por motivos como doença ou mudança de emprego e isso traz uma série de dificuldades. Essa iniciativa oferece condições para renegociar, parcelar e até obter descontos significativos. Isso devolve dignidade para as famílias e também para os fornecedores, porque toda a cadeia econômica depende do cumprimento dessas obrigações. O consumidor restabelece seu crédito e a empresa ganha previsibilidade para receber. É uma relação em que todos saem ganhando”, afirmou.

O servidor público André Moraes aproveitou a ação especial para renegociar uma dívida com a concessionária de energia elétrica. Ele destacou a agilidade e o atendimento presencial oferecido durante a ação. “Eu vim aqui renegociar uma dívida que tinha com a Energisa. O atendimento foi ótimo, rápido e com profissionais muito prestativos. Acho fantástica uma ação como essa porque cria um espaço em que as pessoas conseguem conversar diretamente com um atendente. Hoje, muitas vezes, o consumidor fala apenas com sistemas automatizados. Aqui nós temos novamente esse contato humano, que faz toda a diferença”, afirmou.

Referência

A equipe do Procon de Sorriso esteve em Sinop para conhecer de perto o funcionamento da campanha Tchau Sufoco e avaliar a possibilidade de implantar o projeto no município. O diretor-executivo do Procon de Sorriso, Michel de Souza, afirmou que a campanha desenvolvida em Sinop se tornou referência para Mato Grosso. “O Procon Sinop é uma referência para todo o estado de Mato Grosso. Quando fui inserido no Sistema de Defesa do Consumidor, uma das primeiras lideranças com quem conversei foi o Vilson Barozzi. Quando ele me apresentou essas ações desenvolvidas em Sinop, meus olhos brilharam. Achei que seria impossível conciliar um órgão de fiscalização com entidades representativas do setor empresarial, mas ficou demonstrado que isso não apenas é possível, como também é benéfico para toda a sociedade”, afirmou.

O diretor-executivo do Procon Sorriso destacou ainda que a experiência prática reforçou o interesse em levar o projeto para o município vizinho. “Já estivemos em Sinop anteriormente para conhecer a parte teórica do projeto e hoje viemos acompanhar a ação na prática, juntamente com representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas, da Associação Comercial e da Câmara de Vereadores de Sorriso. A ideia é replicar esse case de sucesso no nosso município e alcançar resultados semelhantes aos conquistados aqui”, disse.

Tchau Sufoco

A campanha Tchau Sufoco segue até o fim de agosto, com expectativa de superar 30 mil atendimentos ao longo do mês. Os consumidores interessados devem procurar diretamente as empresas participantes para renegociar débitos e buscar orientações sobre organização financeira. Entre as instituições participantes estão Energisa, Águas de Sinop, Sicoob, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Gazin, Martinello, Aces, além de órgãos públicos municipais e estaduais.



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Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da história

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O volume de ajuda internacional de países ricos para nações pobres, menos desenvolvidas e instituições multilaterais sofreu corte de 23,1% na passagem de 2024 para 2025, marcando a maior redução já registrada.

No ano passado, o auxílio dos países ricos foi de US$ 174,3 bilhões (quase R$ 900 bilhões), corte de US$ 52,4 bilhões em um ano, em termos reais, ou seja, já considerando a inflação do período. Foi o segundo ano seguido de diminuição na ajuda internacional global.

Os dados fazem parte do estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center, centro de estudos vinculado ao Instituto de Relações

Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Os pesquisadores Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza, Luis Ehl buscaram informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), grupo de países doadores, ligado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida como “clube dos países ricos”. O Brasil não faz parte da instituição.

Os acadêmicos projetam ainda nova redução de 6,9% em 2026, configurando o terceiro ano seguido de recuo, o que levaria o patamar de ajuda ao mesmo nível de 2014.

Tipo de ajuda

Os valores de doações se referem à chamada Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), recursos públicos fornecidos por governos com o objetivo de promover o desenvolvimento

econômico e a prosperidade em outros países.

A ajuda pode ser bilateral, quando é enviada diretamente para o país receptor, ou multilateral, recursos que os governos enviam para instituições, como a Organização das Nações Unidas (ONU) ou o Banco Mundial, que possuem os próprios programas de desenvolvimento.

EUA com maior corte

Apesar de o comitê ser formado por 33 países e a União Europeia (UE), o estudo revela que os cinco maiores doadores (França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unido) representam 95,7% da redução de 2024 para 2025.

Os EUA cortaram a ajuda internacional em mais que a metade (56,9%), de forma que só os americanos respondem por três quartos (75,1%) da diminuição.

O ano passado marcou também a primeira vez em que todos os grandes doadores diminuíram o volume de doação por dois anos seguidos: Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).

Trump, defesa e energia

O corte mais que pela metade da ajuda americana coincide com o início do novo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O presidente americano tem mantido posição contra o multilateralismo.

>> Leia aqui: Trump retira EUA de 66 organizações internacionais 

Outro fator apontado para diminuição é o direcionamento de recursos para outras áreas, notadamente segurança energética e defesa.

Em relação aos EUA, os gastos com defesa subiram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões. Na União Europeia, o salto foi de 11%, chegando a 381 bilhões de euros.

O estudo aponta que o investimento total em energia na UE passou de US$ 215 bilhões em 2015 para cerca de US$ 420 bilhões em 2025, ou seja, quase dobrou.

“Esse impulso de investimento vem se consolidando ao longo da década e foi fortemente acelerado pelo choque de segurança energética após o início da Guerra da Ucrânia [fevereiro de 2022]”, explica o relatório.

Multilateralismo seletivo

Os pesquisadores sinalizam uma “retração seletiva” da ajuda internacional. Essa condição é marcada pelo fato de não haver queda uniforme nos canais multilaterais. O financiamento ao sistema ONU caiu 27%, o maior já registrado. No entanto, o apoio ao Banco Mundial aumentou 6,4%; e aos bancos regionais de desenvolvimento, 11,9%.

“Os governos doadores estão redefinindo quais tipos de engajamento multilateral eles consideram dignos de serem preservados, por motivos estratégicos”, afirma o documento.

Ucrânia

Mesmo com a queda global da ajuda internacional, a Ucrânia, país atualmente no quinto ano de guerra com a Rússia, se destaca como prioridade estratégica de países europeus.

Mesmo com redução de 91% da ajuda dos EUA ao país, a Ucrânia é o maior recebedor individual de toda a história da AOD. Esse patamar, com R$ 44,9 bilhões recebidos, foi compensado por 23 países que incrementaram o volume de assistência financeira. Só instituições da UE subiram os envios em 65,2%.

O montante recebido pela Ucrânia supera os US$ 28,1 bilhões destinados aos 44 países do grupo classificado pela ONU como Países Menos Desenvolvidos (PMD).

Impacto da redução

Para apresentar impactos do corte na ajuda internacional, os pesquisadores da PUC-Rio se utilizam de dados da Oxfam, organização internacional sem fins lucrativos focada em combater a pobreza.

“A estimativa é de que os cortes na ajuda externa somente em 2025 seriam responsáveis por 695.238 mortes em excesso e que, caso a tendência de cortes na ajuda continue, poderiam causar 9.416.417 mortes até 2030”, reproduzem.

A região que mais sofre com o recuo da ajuda internacional dos países ricos é a África Subsaariana, que viu em 2025 os recursos diminuírem 23%, ficando em US$ 29,2 bilhões.

Para 2026, a projeção é nova redução, dessa vez de 11,6%. Se confirmado, serão US$ 11,8 bilhões a menos para essas nações.

O estudo lembra que 32 dos 49 países da África Subsaariana também são do grupo Países Menos Desenvolvidos.

Ao citar a insuficiência de recursos, o documento lembra que durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em novembro passado em Belém, falava-se na necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático, ao mesmo tempo em que havia “um consenso de que esse valor é praticamente inalcançável”.

Caminhos

Ao fim do diagnóstico, o levantamento apresenta caminhos que deveriam ser perseguidos para minimizar impactos em países mais dependentes de ajuda internacional.

Entre as ações estão direcionar recursos escassos para os países mais pobres, especialmente os que dependem excessivamente de poucos doadores; planejar saídas de financiamento de forma “responsável e coordenada” e tornar a ajuda mais eficaz e geradora de mais impacto para o desenvolvimento.

 



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