Agricultura
Leite ao produtor interrompe altas, mas exportações caem 22,75%
Agricultura
O preço do leite pago ao produtor interrompeu a sequência de altas e ficou praticamente estável em maio, enquanto as exportações brasileiras de lácteos caíram 22,75% em junho. Os dados fazem parte da edição de julho do Boletim do Leite, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e mostram um mercado pressionado pelo consumo enfraquecido e pelo avanço das importações na comparação anual.
Na chamada Média Brasil, o leite foi negociado a R$ 2,6617 por litro, ligeiro recuo de 0,45% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, houve queda real de 3,8%, após o desconto da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A estabilidade nacional, porém, esconde movimentos diferentes entre as regiões produtoras. No Sudeste e no Centro-Oeste, a menor disponibilidade de leite manteve a disputa das indústrias pela matéria-prima e sustentou os preços. Parte dos pecuaristas dessas regiões reduziu investimentos após as margens apertadas de 2025, o que limitou o potencial de produção.
No Sul, o cenário foi diferente. As condições climáticas favoráveis, a melhora das pastagens de inverno e a recuperação mais rápida da produção aumentaram a oferta e pressionaram as cotações. O Índice de Captação de Leite (Icap-L) do Cepea avançou apenas 0,07% entre abril e maio na média nacional, mas ainda acumula retração de 13,7% no ano.
A dificuldade de sustentação dos preços também apareceu no mercado de derivados. No atacado paulista, o leite longa vida, conhecido como UHT, caiu 3,07% em junho. A muçarela registrou pequena alta de 0,08%, enquanto o leite em pó avançou 0,38%.
A diferença de comportamento entre os produtos indica que a indústria ainda encontra resistência para repassar preços, principalmente nas categorias mais dependentes do consumo cotidiano. A perda de valor do leite UHT, produto de grande circulação no varejo, reforça o quadro de demanda enfraquecida.
No comércio exterior, as importações recuaram 4,17% de maio para junho, para 216,76 milhões de litros em equivalente-leite. A redução mensal, entretanto, não eliminou a pressão dos produtos estrangeiros sobre o mercado brasileiro.
Em relação a junho de 2025, as compras externas cresceram 35,11%. O aumento da entrada de lácteos ocorre em um momento no qual produtores e indústrias nacionais enfrentam dificuldade para recuperar margens.
As exportações brasileiras seguiram na direção contrária. Os embarques somaram 4,49 milhões de litros em equivalente-leite em junho, queda de 22,75% frente a maio e de 12,92% na comparação anual. Os números foram calculados pelo Cepea a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A distância entre as compras e as vendas externas permaneceu elevada. Em junho, o volume importado foi quase 48 vezes superior ao exportado, ampliando a concorrência enfrentada pela produção nacional.
Os custos da atividade tiveram pouca variação no encerramento do semestre. O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,24% em junho e acumulou elevação de 2,04% entre janeiro e junho. O resultado foi influenciado principalmente pelas despesas com alimentação do rebanho.
A Bahia registrou a maior alta no primeiro semestre, de 3%. Na sequência aparecem Goiás, com 2,6%; São Paulo, com 2,56%; Minas Gerais, com 2,5%; e Paraná, com 1,31%. Santa Catarina encerrou o período praticamente estável, enquanto o Rio Grande do Sul teve redução de 0,35%.
A combinação de preços sem força, importações elevadas e custos ainda pressionados pela alimentação exige cautela do produtor no segundo semestre. A evolução da oferta no Sul, o comportamento do consumo interno e a capacidade da indústria de escoar os derivados deverão definir a trajetória das cotações nos próximos meses.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Maior produtor de carne bovina do Brasil, MT apresenta potencial produtivo em encontro em Hong Kong
Maior produtor de carne bovina do Brasil, Mato Grosso apresentou seu potencial produtivo e as oportunidades comerciais da proteína animal durante um encontro internacional realizado na última segunda-feira (2), em Hong Kong, na Ásia. O evento reuniu representantes brasileiros e asiáticos para discutir o mercado de carne halal e as possibilidades de negócios no setor de alimentos.
Promovido pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), em parceria com o Conselho de Desenvolvimento do Comércio de Hong Kong (HKTDC), o encontro teve a participação do Invest Mato Grosso, do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China de Sorriso e de outras instituições ligadas ao setor produtivo.
Entre os participantes de Hong Kong estavam representantes do Islamic Community Fund of Hong Kong, organização ligada à comunidade islâmica local, e da empresa Tai Po Chun Hing.
A realização do evento ocorre em um momento de crescimento das exportações de carne bovina de Mato Grosso. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado exportou 564,1 mil toneladas da proteína, o equivalente a 25,6% de todo o volume comercializado pelo Brasil no mercado internacional. As vendas movimentaram US$ 3,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O encontro teve como tema central o papel de Hong Kong como porta de entrada para o mercado asiático de alimentos halal, segmento que segue critérios específicos de produção e processamento estabelecidos pela tradição islâmica. A certificação halal é uma exigência para a comercialização de carne em diversos mercados consumidores muçulmanos e representa uma oportunidade de diversificação dos destinos da proteína bovina brasileira.
Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, a realização de eventos internacionais é importante para apresentar a capacidade produtiva de Mato Grosso e fortalecer o relacionamento com mercados estratégicos.
“Mato Grosso tem uma posição de destaque na produção de carne bovina e reúne condições para atender diferentes mercados internacionais, tanto em volume quanto em qualidade. Estar em Hong Kong é uma oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido pelos nossos pecuaristas, mostrar os investimentos em tecnologia e fortalecer o diálogo com representantes de um mercado que tem grande importância para as exportações brasileiras”, destacou o diretor de Projetos do Imac.
(Fonte: Assessoria Imac)
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