Economia
Prazo de crédito antecipado para exportadores é ampliado
Economia
Os exportadores poderão ter acesso a crédito antecipado até pouco mais de dois anos antes do embarque da mercadoria. Em reunião extraordinária nesta sexta-feira (10), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma mudança nas regras do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) que amplia o prazo para liberação de recursos aos exportadores antes do embarque de produtos ou da prestação de serviços ao exterior.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca facilitar o acesso ao crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas, e adequar o programa às novas regras do Seguro de Crédito à Exportação.
A resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União e, segundo o governo, não gera aumento de despesas para o Tesouro Nacional.
O que mudou
Antes da alteração, o Proex permitia que o exportador recebesse os recursos do financiamento com antecedência de até 180 dias em relação à exportação.
Com a nova regra, esse prazo passa a ser de:
- Até 360 dias antes da exportação;
- Prorrogável até 750 dias, mediante pedido do exportador.
Na prática, empresas que precisam de mais tempo para produzir bens ou preparar serviços destinados ao mercado internacional poderão acessar o crédito com maior antecedência.
O que é o Proex
Criado pela Lei 10.184, de 2001, o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) é um instrumento do governo federal para incentivar as exportações brasileiras.
O programa oferece financiamento em condições semelhantes às praticadas no mercado internacional, permitindo que empresas brasileiras tenham acesso a crédito mais competitivo para vender produtos e serviços ao exterior.
Desde 2024, o Proex também passou a oferecer financiamento na chamada fase pré-embarque.
Pré-embarque
O financiamento pré-embarque funciona como um crédito concedido antes da exportação ocorrer.
Esse recurso pode ser utilizado para cobrir despesas como:
- Compra de matéria-prima
- Produção dos bens
- Pagamento de fornecedores
- Custos operacionais
- Preparação da mercadoria para exportação.
Depois que a exportação é concluída, o financiamento segue as regras previstas no contrato firmado com a instituição financeira.
Por que o prazo aumentou?
Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança foi necessária para adequar o Proex às novas regras do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), garantido pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).
Uma lei aprovada em 2026 ampliou a cobertura desse seguro para operações de pré-embarque.
Antes, o seguro cobria financiamentos de até 180 dias. Agora, a cobertura pode alcançar até 750 dias. Como grande parte das operações do Proex usa essa garantia, o governo decidiu harmonizar os dois programas.
Beneficiados
A mudança beneficia empresas exportadoras de diferentes portes, mas deve ter maior impacto para micro, pequenas e médias empresas.
Essas companhias costumam precisar de mais tempo para fabricar produtos, organizar a produção e cumprir contratos internacionais antes do embarque das mercadorias.
Mudança documental
A resolução também traz um ajuste operacional relacionado aos documentos exigidos nas exportações.
A Declaração Única de Exportação (DU-E), documento eletrônico que reúne informações aduaneiras, comerciais e financeiras da operação, deverá estar vinculada ao módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO).
Segundo o governo, a medida padroniza os procedimentos e dá mais segurança às operações.
Impacto fiscal
O Ministério da Fazenda informou que a alteração não aumenta os gastos públicos.
Isso porque o volume de financiamentos continuará limitado aos recursos já previstos no Orçamento da União para 2026 e dependerá das dotações aprovadas para os exercícios seguintes.
O que é o CMN?
Responsável por definir as diretrizes da política monetária, cambial e de crédito do país, o Conselho Monetário Nacional é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Completam o órgão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Economia
Bolsa sobe quase 3% e fecha no maior nível desde maio
Beneficiado pelo exterior e pela inflação mais baixa que o esperado no Brasil, o mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (10) em tom positivo. A bolsa avançou quase 3% e atingiu o maior nível desde maio. O dólar caiu pela terceira sessão consecutiva e voltou a fechar na faixa de R$ 5,10.

O principal fator para o desempenho dos ativos domésticos foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que veio abaixo das expectativas e reforçou a perspectiva de novos cortes na taxa Selic, juros básicos da economia.
No exterior, investidores continuaram acompanhando os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Principais números
- Ibovespa: +2,97%, aos 177.866,37 pontos
- Dólar: -0,31%, a R$ 5,108
- Petróleo Brent: -0,38%, a US$ 76,01 por barril
Ibovespa dispara
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, registrando o maior fechamento desde 14 de maio e encerrando a sessão na máxima do dia.
O índice completou a terceira semana consecutiva de valorização, acumulando ganho de 2,18% na semana, avanço de 3,40% em julho e alta de 10,39% no ano. O volume financeiro negociado somou R$ 24,99 bilhões.
Dos 79 papéis que compõem o índice, apenas um fechou em queda.
O desempenho foi impulsionado pela divulgação do IPCA de junho. A inflação oficial desacelerou para 0,16%, após alta de 0,58% em maio, ficando abaixo das projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,64%.
O resultado fortaleceu as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa voltar a reduzir a taxa Selic na reunião de agosto. Juros menores tendem a favorecer o mercado acionário ao reduzir o custo de financiamento das empresas e elevar o valor presente dos lucros futuros.
Dólar recua
O dólar à vista caiu R$ 0,014 (-0,31%), encerrando o dia cotado a R$ 5,108, menor valor de fechamento desde 16 de junho. Na mínima do dia, por volta das 13h30, a cotação chegou a R$ 5,098.
Foi a terceira sessão seguida de queda da moeda estadunidense, que acumula desvalorização de 1,18% na semana, perda de 1,06% em julho e recuo de 6,94% no acumulado de 2026.
Além da reação ao IPCA, o real acompanhou o fortalecimento das moedas de outros países emergentes, em um ambiente de maior disposição dos investidores para ativos de risco, mesmo com a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Petróleo cai
Os preços internacionais do petróleo fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo, apesar da continuidade dos confrontos entre Estados Unidos e Irã.
Referência para as negociações internacionais, o barril do tipo Brent recuou 0,38%, encerrando cotado a US$ 76,01 por barril. Ainda assim, o produto acumulou valorização de 5,39% na semana. O barril do tipo WTI, do Texas, caiu 0,93%, para US$ 71,41.
O mercado continua monitorando a situação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Embora o fluxo de navios tenha diminuído desde a retomada dos ataques, a rota permanece aberta, reduzindo o temor de uma interrupção mais severa da oferta global.
Ao mesmo tempo, investidores seguem acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam influenciando as expectativas sobre o comportamento dos preços da commodity (produto primário com cotação internacional) nas próximas semanas.
* com informações da Reuters
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